Questão de Segurança da Informação — Ameaças Técnicas Relacionadas a Redes e Criptografia — FCC 2025
Segurança da Informação›Ameaças Técnicas Relacionadas a Redes e Criptografia
Código
fc150683
Banca
FCC
Órgão
TRT 15
Ano
2025
Cargo
AJ TRT15
Um Tribunal realiza periodicamente testes de intrusão para verificar vulnerabilidade em sua infraestrutura de rede interna e sem fio. Durante um teste, os analistas identificam que um atacante poderia interceptar e modificar o tráfego de comunicação entre dois dispositivos. Com base no cenário descrito, a técnica de ataque que foi identificada é
ADNS Spoofing, que pode ser mitigada utilizando autenticação RADIUS.
BRogue Access Point, que pode ser mitigada utilizando implementação de chaves simétricas estáticas.
Cde replay, que pode ser mitigada utilizando implementação de chaves simétricas estáticas.
Dde tunneling ICMP, que pode ser mitigada utilizando bloqueio de portas 80 e 443.
EARP Spoofing, que pode ser mitigada utilizando implementação de inspeção dinâmica de ARP (DAI).
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GabaritoE — ARP Spoofing, que pode ser mitigada utilizando implementação de inspeção dinâmica de ARP (DAI).
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ARP Spoofing e a interceptação de tráfego em redes locais
Gabarito: letra E. O cenário descreve um ataque de ARP Spoofing (ou ARP Poisoning), no qual o atacante envia mensagens ARP falsificadas para associar seu endereço MAC ao IP do gateway, permitindo interceptar e modificar o tráfego entre dois dispositivos — e a mitigação correta é a Dynamic ARP Inspection (DAI), que valida as respostas ARP na camada 2. As demais alternativas erram ao associar técnicas de ataque a mitigações que não as combatem diretamente.
O ARP (Address Resolution Protocol) é o protocolo responsável por mapear endereços IP (camada 3) para endereços MAC (camada 2) dentro de uma rede local. Quando um dispositivo precisa se comunicar com outro na mesma sub-rede, ele envia uma requisição ARP broadcast perguntando "quem tem o IP X?" e o dono responde com seu MAC. O problema é que esse protocolo foi desenhado sem nenhum mecanismo de autenticação: qualquer host pode responder a uma requisição ARP, mesmo que não seja o dono legítimo do IP. É exatamente essa confiança cega que o atacante explora.
No ARP Spoofing, o invasor envia respostas ARP falsificadas para a vítima (ou para o gateway), afirmando que o MAC dele corresponde ao IP do roteador. A partir daí, todo o tráfego que a vítima envia para a internet passa primeiro pelo atacante, que pode ler (sniffing), modificar (tampering) ou simplesmente repassar os dados ao destino real — configurando um típico ataque Man-in-the-Middle (MitM). É por isso que o enunciado fala em "interceptar e modificar o tráfego de comunicação entre dois dispositivos": o atacante se coloca no meio do caminho, sem que as partes percebam.
A defesa clássica para esse ataque é a Dynamic ARP Inspection (DAI), um recurso de switches gerenciáveis que valida cada mensagem ARP recebida, conferindo se o par IP/MAC anunciado consta em uma tabela confiável (geralmente construída com o DHCP Snooping). Se a resposta ARP não bater com o registro legítimo, o pacote é descartado. Outras medidas complementares incluem entradas ARP estáticas nos hosts críticos e a segmentação da rede, mas a DAI é a solução padrão e mais citada em provas.
A pegadinha central desta questão está em associar cada ataque à mitigação correta. O candidato que conhece apenas o nome das técnicas pode se confundir, pois todas as alternativas mencionam ataques reais, mas com defesas que não os combatem. A banca explora exatamente essa confusão entre ataque e contramedida: DNS Spoofing não se resolve com RADIUS, Rogue AP não se resolve com chaves simétricas estáticas, e assim por diante. Guarde o par "ARP Spoofing → DAI" como uma das associações mais cobradas em segurança de redes.
Ataque
Descrição
Mitigação correta
Mitigação incorreta (na questão)
ARP Spoofing
Intercepta e modifica tráfego enviando respostas ARP falsas (MitM)
Dynamic ARP Inspection (DAI)
Chaves simétricas estáticas (não impede o ataque)
DNS Spoofing
Corrompe respostas DNS para redirecionar a sites falsos
DNSSEC
Autenticação RADIUS (não se aplica ao DNS)
Rogue Access Point
Ponto de acesso não autorizado que captura tráfego
Detecção WIDS / 802.1X
Chaves simétricas estáticas (não detecta AP intruso)
Ataques de rede: ARP Spoofing (intercepta e modifica tráfego, Mitigação: DAI); DNS Spoofing (corrompe respostas DNS, Mitigação: DNSSEC); Rogue AP (ponto de acesso falso, Mitigação: 802.1X/WIDS); Replay (reenvia comunicação capturada, Mitigação: nonces/timestamps); Tunneling ICMP (exfiltra dados via ping, Mitigação: bloquear ICMP)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O DNS Spoofing (ou envenenamento de cache DNS) é uma técnica em que o atacante corrompe as respostas do servidor DNS, fazendo o usuário acessar um site falso. A mitigação correta envolve DNSSEC (extensões de segurança do DNS), que assina digitalmente as respostas, ou a configuração adequada dos resolvedores. A autenticação RADIUS é um protocolo de autenticação, autorização e contabilidade (AAA) usado para controlar acesso à rede (como em redes Wi-Fi corporativas) — não tem relação com a integridade das respostas DNS. O erro está em associar uma técnica de ataque a uma defesa que não a combate.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O Rogue Access Point é um ponto de acesso não autorizado instalado na rede, muitas vezes fingindo ser legítimo (Evil Twin), para capturar credenciais e tráfego. A mitigação correta envolve detecção de APs rogue (através de ferramentas de varredura wireless, WIDS), autenticação forte (802.1X/EAP-TLS) e políticas de segurança física. A alternativa sugere "implementação de chaves simétricas estáticas", o que não é uma defesa eficaz: chaves simétricas estáticas são frágeis e não impedem a criação de um AP falso. O erro está em propor uma solução de criptografia que não resolve o problema de um dispositivo intruso na rede.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O ataque de replay consiste em capturar uma comunicação legítima (como uma autenticação) e reenviá-la posteriormente para obter acesso ou enganar o sistema. A mitigação correta envolve o uso de nonces (números aleatórios usados uma única vez), timestamps ou números de sequência, que tornam a mensagem capturada inútil após o primeiro uso. A alternativa sugere "implementação de chaves simétricas estáticas", o que não impede o replay: se o atacante captura a mensagem cifrada, ele pode reenviá-la, pois a chave estática não adiciona proteção contra reutilização. O erro está em confundir a defesa contra replay (que exige frescor da mensagem) com a criptografia em si.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O tunneling ICMP é uma técnica de exfiltração de dados ou comunicação oculta, na qual o atacante encapsula dados dentro de pacotes ICMP (ping), que muitas vezes são permitidos pelo firewall. A mitigação correta envolve bloquear ou inspecionar o tráfego ICMP, não apenas as portas 80 e 443 (HTTP/HTTPS). O erro está em sugerir o bloqueio de portas que não têm relação com o protocolo ICMP — o atacante usaria o ICMP justamente por ele não depender dessas portas. A alternativa confunde a técnica de ataque com a defesa inadequada.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O ARP Spoofing é exatamente o ataque descrito: o atacante envia mensagens ARP falsificadas para associar seu MAC ao IP do gateway, interceptando e modificando o tráfego entre dois dispositivos. A mitigação correta é a Dynamic ARP Inspection (DAI), que valida as respostas ARP na camada 2, descartando pacotes que não correspondem a entradas confiáveis na tabela ARP. A alternativa acerta tanto na identificação da técnica quanto na contramedida, sendo a única que estabelece a associação correta entre ataque e defesa.
Gabarito: letra E — ARP Spoofing, mitigado com Dynamic ARP Inspection (DAI).