“Em linhas gerais a arquitetura brasileira sempre conservou a boa tradição da arquitetura portuguesa. De Portugal, desde o descobrimento do Brasil, vieram para aqui os fundamentos típicos da arquitetura colonial. Não se verificou, todavia, uma transplantação integral de gosto e de estilo, porque as novas condições de vida em clima e terras diferentes impuseram adaptações e mesmo improvisações que acabariam por dar à do Brasil uma feição um tanto diferente da arquitetura genuinamente portuguesa ou de feição portuguesa. E como arquitetura portuguesa, nesse caso, cumpre reconhecer a de característica ou de estilo barroco”.
As preposições, em língua portuguesa, ora são empregadas por uma exigência gramatical de um termo anterior, ora por necessidades semânticas, não sendo de emprego obrigatório.No texto 2, o único exemplo de emprego obrigatório, exigido gramaticalmente, é:
A“boa tradição da arquitetura portuguesa”;
B“De Portugal, desde o descobrimento do Brasil”;
C“fundamentos típicos da arquitetura colonial”;
D“transplantação integral de gosto”;
E“uma feição um tanto diferente da arquitetura genuinamente portuguesa”.
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GabaritoD — “transplantação integral de gosto”;
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Emprego obrigatório de preposição (regência nominal)
Gabarito: letra D. A única alternativa em que a preposição é gramaticalmente obrigatória é D ("transplantação integral de gosto"). O substantivo "transplantação" exige um complemento regido pela preposição "de" (transplantação de algo) – sem ele a frase fica incompleta. Nas demais, as preposições são facultativas, podendo ser suprimidas sem prejuízo gramatical (são adjuntos adnominais ou adverbiais).
A diferença entre preposição obrigatória e facultativa
Em língua portuguesa, a preposição pode ser:
Obrigatória (exigida pela regência de um verbo ou nome): complemento verbal ou nominal.
Facultativa (agrega uma circunstância ou especificação, mas não é exigida pela estrutura interna do termo): adjunto adverbial ou adjunto adnominal.
No texto 2, cada alternativa deve ser examinada à luz da regência do termo que antecede a preposição.
Preposição
1Obrigatória (regência)
Complemento verbal
Complemento nominal
2Facultativa
Adjunto adnominal
Adjunto adverbial
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"a boa tradição da arquitetura portuguesa"
O substantivo "tradição" não exige complemento; o segmento "da arquitetura portuguesa" é um adjunto adnominal que especifica o tipo de tradição, mas pode ser omitido sem quebrar a estrutura sintática: "a boa tradição" já é uma unidade completa. Portanto, o "de" é facultativo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"De Portugal, desde o descobrimento do Brasil"
A preposição "De" inicia um adjunto adverbial de origem, ligado ao verbo "vieram". Embora o verbo "vir" possa reger a preposição "de" (vir de algum lugar), ela não é obrigatória – poderíamos ter "Vieram para aqui" sem o adjunto. Trata-se de informação circunstancial, não de complemento exigido pelo verbo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"fundamentos típicos da arquitetura colonial"
O adjetivo "típicos" admite a preposição "de" (típico de algo), mas não a exige. A expressão "fundamentos típicos" é gramaticalmente autossuficiente; o acréscimo "da arquitetura colonial" é uma especificação opcional. Preposição facultativa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"transplantação integral de gosto"
O substantivo "transplantação" (derivado do verbo "transplantar", transitivo direto) exige um complemento para ter sentido completo: transplantação de quê?. No texto, está explícito: "uma transplantação integral de gosto e de estilo". Sem o complemento, a frase "Não se verificou uma transplantação integral" ficaria obscura – o leitor perguntaria "transplantação de quê?". Portanto, a preposição "de" é gramaticalmente obrigatória (regência nominal). É essa a resposta pedida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"uma feição um tanto diferente da arquitetura genuinamente portuguesa"
O adjetivo "diferente" pode ser seguido de "de" (diferente de algo), mas não é obrigatório. A frase "uma feição um tanto diferente" é completa; o complemento "da arquitetura..." é opcional. Preposição facultativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre complemento nominal (obrigatório) e adjunto adnominal (facultativo). Muitos candidatos pensam que todo "de" é opcional, mas substantivos como "transplantação", "necessidade", "certeza" exigem complemento. Fique atento à regência do nome e ao sentido de incompletude.
PEGA ESSA DICA!
Para verificar se a preposição é obrigatória, retire o termo preposicionado. Se a frase perder o sentido ou ficar agramatical, é regencial; se continuar clara, é adjunto.