Questão de Português — Coesão e coerência — FGV 2019
Português›Coesão e coerência
Código
fg037789
Banca
FGV
Órgão
MPE-RJ
Ano
2019
Nível
Médio
O astrônomo que descobriu o cometa de Halley se chamava Halley. O médico que descobriu a doença de Chagas se chamava Chagas. O cientista que descobriu o complexo de Golgi se chamava Golgi. Puxa vida, são essas coincidências que me fazem acreditar em Deus. (Eugênio Mohallem)
Esse pensamento apresenta um problema de raciocínio que é o de:
Atrocar o geral pelo particular;
Binverter a ordem dos fatos;
Cconfundir causa e consequência;
Dmisturar condição e ação;
Etirar conclusão de premissas falsas.
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GabaritoC — confundir causa e consequência;
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Análise do problema de raciocínio no texto de Eugênio Mohallem
Gabarito: letra C. O texto apresenta um raciocínio que confunde causa e consequência: o autor trata como "coincidência" o fato de os descobridores terem nomes que batizam as descobertas, quando na verdade as descobertas receberam o nome de seus descobridores. A relação de causalidade é invertida – a descoberta não é uma coincidência que leva a crer em Deus, mas sim uma nomeação planejada (ou convencional). Essa inversão lógica é o que caracteriza a confusão entre causa e consequência, alternativa C.
O texto-base é:
"O astrônomo que descobriu o cometa de Halley se chamava Halley. O médico que descobriu a doença de Chagas se chamava Chagas. O cientista que descobriu o complexo de Golgi se chamava Golgi. Puxa vida, são essas coincidências que me fazem acreditar em Deus."
A chave de resolução está em entender que a relação entre o fato de o descobridor ter um nome e o fato de a descoberta ter o mesmo nome não é uma coincidência independente, mas sim uma consequência da prática de batizar descobertas com o nome do descobridor. Logo, o autor toma a consequência (nomear) como causa (coincidência que prova Deus), configurando a confusão entre causa e consequência.
1Descobridor tem nome X
2Descoberta recebe nome X
3Autor chama de coincidência
4Conclui: Deus existe
5Inverte causa e consequênciaERRO
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Trocar o geral pelo particular significaria tomar um caso como regra geral, mas o texto não faz isso. O erro não está nessa troca, e sim na inversão causal. O texto trata de exemplos específicos e tira uma conclusão geral (coincidências levam a crer em Deus), mas a falha principal é causal, não de generalização. Portanto, fora do escopo do problema identificado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Inverter a ordem dos fatos seria dizer que a descoberta veio antes do descobridor, por exemplo. O texto não inverte a ordem temporal: Halley descobriu o cometa, depois recebeu o nome. A ordem cronológica está correta. O que se inverte é a relação de causa e consequência: a coincidência não é a causa da nomeação, mas a consequência. A alternativa B é próxima, mas não é a descrição exata do erro. Pegadinha: o candidato pode confundir "inverter ordem" com "confundir causa e consequência". Por isso, a banca coloca B como distratora.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme explicado, o raciocínio falha ao confundir causa e consequência. O autor considera que a coincidência de nomes (causa) prova a existência de Deuses, quando na verdade a coincidência é efeito da nomeação pós-descoberta (consequência). Portanto, confundir causa e consequência é a descrição precisa do erro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Misturar condição e ação envolveria uma relação de condição (se... então) que não está presente no texto. Não há nenhuma estrutura condicional no raciocínio; o autor apenas lista exemplos e conclui. Logo, essa alternativa é estranha ao texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Tirar conclusão de premissas falsas: as premissas do texto são verdadeiras (Halley descobriu o cometa de Halley, etc.). A conclusão (que são coincidências e levam a crer em Deus) é consequência de uma interpretação equivocada, mas as premissas em si são fatos corretos. Portanto, não há premissas falsas. O erro é de raciocínio causal, não de falseamento de premissas.
Conclusão: A única alternativa que descreve corretamente o problema de raciocínio presente no texto é a letra C.