Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2020
Português›Interpretação de Textos
Código
fg038234
Banca
FGV
Órgão
IBGE
Ano
2020
Nível
Médio
“Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu”.Um texto, em sua escritura, omite uma série de palavras; a opção em que o emprego de palavras ou informações omitidas (entre parênteses) estaria perfeitamente adequado ao texto é:
AUma noite destas (noites);
Bvindo (do centro) da cidade;
C(eu) encontrei;
Dno trem da (Estrada de Ferro) Central (do Brasil);
Eaqui do bairro (do Engenho Novo).
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GabaritoB — vindo (do centro) da cidade;
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Omissão de palavras (elipse) no texto narrativo
Gabarito: letra B. A única inserção que preenche uma informação genuinamente omitida (e subentendida) no texto é “do centro” em “vindo (do centro) da cidade”. No contexto – a personagem vem da cidade para o bairro Engenho Novo –, “da cidade” implica “do centro da cidade”, pois a locomoção parte da região central em direção a um bairro periférico. As demais alternativas ou inserem palavras redundantes, ou não correspondem a omissões reais, ou acrescentam informação nova não implícita.
Análise de cada alternativa
Alternativa A — ❌ Incorreta
“Uma noite destas” → “Uma noite destas (noites)”
A forma “destas” já é a contração de “de estas” e carrega o plural implícito. Em “uma noite destas”, entende-se “uma destas noites”. Acrescentar “noites” torna a expressão redundante e inadequada, pois “destas” exerce função pronominal, não adjetiva. Não há omissão real; a construção é completa.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO**
“vindo da cidade” → “vindo (do centro) da cidade”
O texto narra um deslocamento da cidade para o Engenho Novo, bairro da Zona Norte do Rio. Nesse contexto, “cidade” é compreendida como “centro da cidade”, tanto pela geografia real quanto pela oposição a “bairro”. A informação “do centro” está implícita na preposição “da” e no substantivo “cidade” quando empregados nesse sentido específico. Portanto, a inserção apenas torna explícito um dado subentendido, sem alterar o sentido.
PEGA ESSA DICA!
A banca explora a elipse situacional – uma informação que o leitor completa com base no contexto extralinguístico. “Cidade” oposta a “bairro” geralmente remete ao centro urbano.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“encontrei” → “(eu) encontrei”
Em português, a desinência verbal de 1ª pessoa do singular já identifica o sujeito. A omissão do pronome “eu” é a regra – não há elipse, e sim ausência facultativa. Inserir o pronome não é errado, mas não se trata de uma palavra omitida: o texto original não omite “eu” porque ele não é necessário estruturalmente. A questão pede uma informação que deveria estar presente mas foi suprimida; aqui, não há supressão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“no trem da Central” → “no trem da (Estrada de Ferro) Central (do Brasil)”
“Central” é um nome próprio consagrado (Estrada de Ferro Central do Brasil). O texto usa a forma abreviada, mas isso não é uma omissão; é o nome usual. Acrescentar “Estrada de Ferro” e “do Brasil” tornaria o trecho excessivamente formal e, mais importante, não recupera uma palavra omitida – o autor optou deliberadamente pela forma reduzida. A inserção altera o registro, não preenche uma lacuna semântica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“aqui do bairro” → “aqui do bairro (do Engenho Novo)”
O texto já identifica o bairro na linha anterior (“para o Engenho Novo”). A expressão “aqui do bairro” retoma anaforicamente essa informação, funcionando como uma referência coesiva. Não há omissão: o termo “Engenho Novo” foi expresso antes e é retomado por “bairro”. Inseri-lo novamente tornaria o trecho prolixo e quebraria a coesão. A informação não está omitida, mas sim substituída por um termo genérico.
Conclusão: A única alternativa em que os parênteses preenchem uma verdadeira elipse – palavra ou informação necessária à compreensão, mas suprimida por estar subentendida – é a letra B.