Questão de Criminologia — Modelos Teóricos da Criminologia: Clássico, Neoclássico, Positivista e Moderno. Escolas da Criminologia: Clássica, Positiva, “Terza Scuola” Italiana, Técnico-Jurídica e Sociológica Alemã. — FGV 2021
Criminologia›Modelos Teóricos da Criminologia: Clássico, Neoclássico, Positivista e Moderno. Escolas da Criminologia: Clássica, Positiva, “Terza Scuola” Italiana, Técnico-Jurídica e Sociológica Alemã.
Código
fg038835
Banca
FGV
Órgão
DPE-RJ
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Defensor Público
O reconhecimento de que a categoria “mulher” não é (e não pode ser) tomada como um sujeito universal na medida em que abre espaço para assimetrias entre as próprias mulheres que se desdobram em silenciamento, colonização e assimilação de umas pelas outras, levou à construção de diferentes perspectivas criminológicas, dentre as quais é possível identificar:
Aa criminologia queer e a criminologia feminista negra;
Ba criminologia feminista negra e a criminologia crítica;
Ca criminologia queer e a criminologia da libertação;
Da criminologia dos direitos humanos e a criminologia da libertação;
Ea criminologia clínica e a criminologia feminista negra.
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GabaritoA — a criminologia queer e a criminologia feminista negra;
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Criminologia, interseccionalidade e perspectivas feministas
Gabarito: letra A — o reconhecimento de que a categoria "mulher" não é universal e que as assimetrias entre mulheres (raça, classe, sexualidade) geram silenciamento e colonização levou à construção da criminologia queer e da criminologia feminista negra, ambas voltadas para a interseccionalidade e a crítica ao essencialismo.
A questão cobra a compreensão de que o feminismo negro (que aborda a intersecção de gênero e raça) e a criminologia queer (que questiona a heteronormatividade e a rigidez das identidades sexuais e de gênero) são correntes que emergem justamente da crítica ao sujeito universal “mulher”. Essas perspectivas denunciam como a criminologia tradicional ignorou as experiências de mulheres negras, lésbicas, trans etc. O enunciado descreve exatamente esse movimento de ruptura com o universalismo.
Crítica ao sujeito universal "mulher"
1Assimetrias entre mulheres
Raça
Classe
Sexualidade
2Efeitos
Silenciamento
Colonização
Assimilação
3Perspectivas resultantes
Criminologia feminista negra
Interseção gênero e raça
Criminologia queer
Crítica à heteronormatividade
Desconstrução da binariedade
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A criminologia queer e a criminologia feminista negra são as duas perspectivas que derivam diretamente da crítica à universalidade da categoria "mulher". A criminologia feminista negra (interseccional) mostra como raça e gênero se entrelaçam, e a criminologia queer desconstrói a binariedade de gênero e a heteronormatividade. Ambas combatem a homogeneização e o silenciamento apontados no enunciado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A criminologia feminista negra está correta, mas a criminologia crítica é uma corrente mais ampla (de inspiração marxista ou do labelling approach) que não se foca especificamente na questão de gênero/raça ou na crítica ao sujeito universal mulher. Embora a criminologia crítica também denuncie desigualdades, não é a resposta mais específica para o problema exposto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A criminologia queer está correta, mas a criminologia da libertação é uma corrente latino-americana que enfatiza a opressão de classe e a luta contra o capitalismo e o colonialismo, sem focar na interseccionalidade de gênero e raça de forma tão direta. Não atende ao recorte do enunciado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A criminologia dos direitos humanos é uma abordagem geral que busca a proteção de direitos fundamentais, e a criminologia da libertação, como dito, é mais voltada à crítica ao capitalismo. Nenhuma das duas é especificamente uma resposta à crítica da universalidade da mulher.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A criminologia clínica é uma abordagem individualista e biopsicossocial, focada nas causas do crime no indivíduo, não na dimensão social e interseccional. A criminologia feminista negra está correta, mas a dupla não faz sentido: a clínica não dialoga com a crítica ao universalismo feminino.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre criminologia feminista e interseccionalidade, lembre-se de que as correntes que mais problematizam o sujeito universal são a criminologia feminista negra (interseccional) e a criminologia queer. A criminologia crítica e a criminologia da libertação são importantes, mas não focam especificamente na questão de gênero e raça como eixos centrais.