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Questão de Português — Coesão e coerência — FGV 2021

PortuguêsCoesão e coerência
Código
fg043856
Banca
FGV
Órgão
PC-RJ
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Inspetor de Polícia Civil
Em todas as frases abaixo há uma substituição de termos pelo relativo cujo, a, os, as; a frase em que essa substituição foi feita de forma adequada é:
  1. AAquela cidade, da qual vemos as igrejas, é Barbacena / Aquela cidade, cuja visão temos das igrejas, é Barbacena;
  2. BEsse senhor, do qual conheces a filha, é meu tio / Esse senhor, cujo conhecimento tens da filha, é meu tio;
  3. CPicasso, parte dos quadros dele são exibidos em Barcelona, morreu em 1973 / Picasso, cuja exibição de parte dos quadros é feita em Barcelona, morreu em 1973;
  4. DOs livros, dos quais as páginas foram copiadas, são os mais caros da coleção / Os livros, de cujas páginas foram copiadas, são os mais caros da coleção;
  5. EAs goiabeiras, das quais saem os frutos mais doces do pomar, são de origem asiática / As goiabeiras, de cujo pomar saem os frutos mais doces, são de origem asiática.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Picasso, parte dos quadros dele são exibidos em Barcelona, morreu em 1973 / Picasso, cuja exibição de parte dos quadros é feita em Barcelona, morreu em 1973;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição pelo relativo 'cujo' – preservação de sentido e regência

Gabarito: letra C. A única alternativa em que a substituição mantém a relação de posse e o sentido original, sem alterar a função sintática do termo possuído nem a regência do verbo.

Método de resolução

A questão testa o emprego do pronome relativo cujo (e flexões), que sempre indica posse e concorda com a coisa possuída. A substituição é adequada quando:

  1. O termo substituído expressa uma relação de posse (ex.: dele, do qual).

  2. A nova construção com cujo mantém o mesmo significado da original.

  3. A regência verbal e a função sintática do termo possuído não são alteradas indevidamente.

Vamos analisar cada alternativa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

  • Original: "Aquela cidade, da qual vemos as igrejas, é Barbacena"

    Relação: a cidade é o lugar de onde se vê as igrejas (circunstância).

  • Substituição: "Aquela cidade, cuja visão temos das igrejas, é Barbacena"

    Relação: agora "visão" é possuída pela cidade, e o sentido passa a ser "a cidade possui a visão das igrejas" – mudança de significado. A substituição é inadequada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

  • Original: "Esse senhor, do qual conheces a filha, é meu tio" – relação de parentesco: a filha pertence ao senhor.

  • Substituição: "Esse senhor, cujo conhecimento tens da filha, é meu tio" – agora o possuído é "conhecimento", e a frase passa a significar que o senhor possui o conhecimento sobre a filha – alteração de sentido. Inadequada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

  • Original: "Picasso, parte dos quadros dele são exibidos em Barcelona, morreu em 1973" – os quadros pertencem a Picasso; parte deles é exibida.

  • Substituição: "Picasso, cuja exibição de parte dos quadros é feita em Barcelona, morreu em 1973" – a estrutura muda, mas o núcleo de sentido permanece: "exibição" substitui o verbo "exibir" (transformação em substantivo), e "cuja" mantém a posse de Picasso sobre a ação de exibir. A oração relativa cuja exibição de parte dos quadros é feita equivale semanticamente a parte dos quadros dele é exibida. A regência é mantida (a preposição 'de' antes de 'parte' é conservada). Por isso, a substituição é adequada.

PEGA ESSA DICA!

Quando o verbo da original for nominalizado (ex.: 'exibir' → 'exibição'), a substituição com cujo pode ser válida, desde que a posse e o sentido global não se percam.

Alternativa D — ❌ Incorreta

  • Original: "Os livros, dos quais as páginas foram copiadas, são os mais caros da coleção" – relação de posse (as páginas dos livros). O verbo copiar é transitivo direto: copiar as páginas. As páginas são o objeto.

  • Substituição: "Os livros, de cujas páginas foram copiadas, são os mais caros da coleção" – a preposição de altera a regência: agora copiar de significa que as páginas são a fonte da cópia, não o objeto. A frase passa a significar que se copiou de (a partir de) as páginas, e não que as próprias páginas foram copiadas. Mudança de sentido. A substituição é inadequada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca sutilmente a regência verbal (transitivo direto → transitivo indireto), alterando a relação semântica. Desconfie de preposições que aparecem ou desaparecem na substituição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

  • Original: "As goiabeiras, das quais saem os frutos mais doces do pomar, são de origem asiática" – os frutos saem das goiabeiras (árvores).

  • Substituição: "As goiabeiras, de cujo pomar saem os frutos mais doces, são de origem asiática" – agora os frutos saem do pomar (que pertence às goiabeiras). O pomar é o lugar, não diretamente as árvores. Mudança de referência. Inadequada.

Conclusão

Apenas a alternativa C mantém a posse e o sentido originais, mesmo com a nominalização do verbo. As demais ou alteram a regência (D) ou modificam a relação semântica (A, B, E). Portanto, gabarito: letra C.

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