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Questão de Engenharia Mecânica — Fundamentos e Análise da Cinemática de Escoamentos — FGV 2021

Engenharia MecânicaFundamentos e Análise da Cinemática de Escoamentos
Código
fg043941
Banca
FGV
Órgão
PC-RJ
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Perito Criminal - Engenharia Mecânica
O fluido de trabalho deixa o estator de uma turbina axial com velocidade de 600 m/s e ângulo de 53°. A velocidade periférica do rotor dessa turbina é de 210 m/s, a velocidade meridional é constante e o escoamento absoluto deixa o rotor na direção axial. Admitindo cos(53°) = 0,6, o ângulo que a direção da velocidade relativa faz com a direção meridional na entrada do rotor vale:
  1. A0°;
  2. B30°;
  3. C37°;
  4. D53°;
  5. E60°.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — 37°;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Triângulo de velocidades em turbina axial

Gabarito: letra C. O ângulo que a velocidade relativa faz com a direção meridional na entrada do rotor é de 37°, obtido pela decomposição do triângulo de velocidades: a componente tangencial da velocidade absoluta na entrada é Vu1=V1cos(53°)=600×0,6=360 m/sV_{u1} = V_1 \cos(53°) = 600 \times 0,6 = 360\ \text{m/s}, e a velocidade relativa tangencial é Wu1=Vu1U=360210=150 m/sW_{u1} = V_{u1} - U = 360 - 210 = 150\ \text{m/s}. Como a velocidade meridional é constante e o escoamento absoluto deixa o rotor na direção axial, a componente meridional na entrada é Vm1=V1sin(53°)=600×0,8=480 m/sV_{m1} = V_1 \sin(53°) = 600 \times 0,8 = 480\ \text{m/s}. Assim, tan(β1)=Wu1Vm1=150480=0,3125\tan(\beta_1) = \frac{W_{u1}}{V_{m1}} = \frac{150}{480} = 0,3125, o que corresponde a β117,3°\beta_1 \approx 17,3° — mas isso não bate com o gabarito. Vamos refazer com cuidado: o ângulo de 53° é medido em relação à direção axial (meridional), não tangencial. Então Vm1=V1cos(53°)=360 m/sV_{m1} = V_1 \cos(53°) = 360\ \text{m/s} e Vu1=V1sin(53°)=480 m/sV_{u1} = V_1 \sin(53°) = 480\ \text{m/s}. A velocidade relativa tangencial é Wu1=Vu1U=480210=270 m/sW_{u1} = V_{u1} - U = 480 - 210 = 270\ \text{m/s}. Então tan(β1)=Wu1Vm1=270360=0,75\tan(\beta_1) = \frac{W_{u1}}{V_{m1}} = \frac{270}{360} = 0,75, logo β1=arctan(0,75)36,87°37°\beta_1 = \arctan(0,75) \approx 36,87° \approx 37°. Gabarito: letra C.

A questão exige o domínio do triângulo de velocidades em turbomáquinas axiais, um tópico clássico de máquinas de fluxo. O triângulo de velocidades relaciona a velocidade absoluta (VV), a velocidade relativa (WW) e a velocidade periférica do rotor (UU), com a velocidade meridional (VmV_m) sendo a componente axial (na direção do escoamento principal). A relação vetorial fundamental é V=U+W\vec{V} = \vec{U} + \vec{W}, e a componente meridional é comum a VV e WW (pois UU é puramente tangencial).

Na entrada do rotor, o fluido sai do estator com velocidade absoluta V1=600 m/sV_1 = 600\ \text{m/s} formando um ângulo de 53° com a direção axial (meridional). A velocidade periférica é U=210 m/sU = 210\ \text{m/s}. Como a velocidade meridional é constante e o escoamento absoluto deixa o rotor na direção axial, na saída Vu2=0V_{u2} = 0, o que confirma que a componente meridional é a mesma em todo o estágio.

O passo crítico é identificar corretamente qual é a componente axial e qual é a tangencial. O ângulo de 53° é dado em relação à direção meridional (axial), então:

  • Vm1=V1cos(53°)=600×0,6=360 m/sV_{m1} = V_1 \cos(53°) = 600 \times 0,6 = 360\ \text{m/s} (componente axial)

  • Vu1=V1sin(53°)=600×0,8=480 m/sV_{u1} = V_1 \sin(53°) = 600 \times 0,8 = 480\ \text{m/s} (componente tangencial)

A velocidade relativa tangencial na entrada é a diferença entre a componente tangencial absoluta e a velocidade periférica:

Wu1=Vu1U=480210=270 m/sW_{u1} = V_{u1} - U = 480 - 210 = 270\ \text{m/s}

O ângulo β1\beta_1 que a velocidade relativa faz com a direção meridional é dado por:

tan(β1)=Wu1Vm1=270360=0,75\tan(\beta_1) = \frac{W_{u1}}{V_{m1}} = \frac{270}{360} = 0,75

β1=arctan(0,75)36,87°37°\beta_1 = \arctan(0,75) \approx 36,87° \approx 37°

A pegadinha clássica é inverter as componentes: usar cos(53°)\cos(53°) para a tangencial e sin(53°)\sin(53°) para a axial, o que levaria a um ângulo de aproximadamente 17°, que não está nas alternativas. Outra armadilha é esquecer de subtrair a velocidade periférica, obtendo tan(β1)=480360=1,333\tan(\beta_1) = \frac{480}{360} = 1,333, que daria 53° (alternativa D).

Alternativa A — ❌ Incorreta

0° corresponderia a uma velocidade relativa puramente meridional, ou seja, Wu1=0W_{u1} = 0. Isso exigiria Vu1=U=210 m/sV_{u1} = U = 210\ \text{m/s}, o que não ocorre, pois Vu1=480 m/sV_{u1} = 480\ \text{m/s}. A velocidade relativa tem componente tangencial significativa, então o ângulo não pode ser nulo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

30° seria obtido se tan(30°)=0,577\tan(30°) = 0,577, o que exigiria Wu1=0,577×360208 m/sW_{u1} = 0,577 \times 360 \approx 208\ \text{m/s}. Isso corresponderia a Vu1=208+210=418 m/sV_{u1} = 208 + 210 = 418\ \text{m/s}, que não é o valor real de 480 m/s. É um distrator que não corresponde a nenhuma combinação direta dos dados.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como calculado, tan(β1)=270360=0,75\tan(\beta_1) = \frac{270}{360} = 0,75, e arctan(0,75)36,87°\arctan(0,75) \approx 36,87°, que arredondado é 37°. Este é o ângulo que a velocidade relativa faz com a direção meridional na entrada do rotor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

53° é o ângulo da velocidade absoluta com a direção meridional, não da velocidade relativa. Se o candidato esquece de subtrair a velocidade periférica, calcula tan(β1)=Vu1Vm1=480360=1,333\tan(\beta_1) = \frac{V_{u1}}{V_{m1}} = \frac{480}{360} = 1,333, obtendo exatamente 53°. É a pegadinha mais perigosa: confundir o triângulo da velocidade absoluta com o da relativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

60° seria obtido se tan(60°)=1,732\tan(60°) = 1,732, o que exigiria Wu1=1,732×360624 m/sW_{u1} = 1,732 \times 360 \approx 624\ \text{m/s}, um valor maior que a própria velocidade absoluta, o que é fisicamente impossível nessa configuração (a velocidade relativa tangencial é a diferença entre Vu1V_{u1} e UU, ambos menores que 600 m/s).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora duas confusões clássicas: (1) inverter as componentes — usar cos(53°)\cos(53°) para a tangencial e sin(53°)\sin(53°) para a axial, o que daria um ângulo de ~17° (nem listado); (2) esquecer de subtrair a velocidade periférica UU, o que leva exatamente a 53° (alternativa D). A chave é lembrar que o ângulo de 53° é com a direção meridional (axial), então cos\cos vai para a componente axial e sin\sin para a tangencial. Com esse cuidado, o cálculo flui direto para 37°. 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de triângulo de velocidades, monte sempre o esboço: desenhe a velocidade absoluta saindo do estator, decomponha em axial e tangencial, subtraia a velocidade periférica na direção tangencial, e o vetor resultante é a velocidade relativa. O ângulo pedido é sempre entre a velocidade relativa e a direção meridional. Treine com os valores típicos: tan(37°)0,75\tan(37°) \approx 0,75, tan(53°)1,33\tan(53°) \approx 1,33 — esses números aparecem com frequência em provas.

Gabarito: letra C

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