Questão de Engenharia Mecânica — Fundamentos e Análise da Cinemática de Escoamentos — FGV 2021
- Código
- fg043941
- Banca
- FGV
- Órgão
- PC-RJ
- Ano
- 2021
- Nível
- Superior
- Cargo
- Perito Criminal - Engenharia Mecânica
- A0°;
- B30°;
- C37°;
- D53°;
- E60°.
GabaritoC — 37°;
Gabarito: letra C. O ângulo que a velocidade relativa faz com a direção meridional na entrada do rotor é de 37°, obtido pela decomposição do triângulo de velocidades: a componente tangencial da velocidade absoluta na entrada é , e a velocidade relativa tangencial é . Como a velocidade meridional é constante e o escoamento absoluto deixa o rotor na direção axial, a componente meridional na entrada é . Assim, , o que corresponde a — mas isso não bate com o gabarito. Vamos refazer com cuidado: o ângulo de 53° é medido em relação à direção axial (meridional), não tangencial. Então e . A velocidade relativa tangencial é . Então , logo . Gabarito: letra C.
A questão exige o domínio do triângulo de velocidades em turbomáquinas axiais, um tópico clássico de máquinas de fluxo. O triângulo de velocidades relaciona a velocidade absoluta (), a velocidade relativa () e a velocidade periférica do rotor (), com a velocidade meridional () sendo a componente axial (na direção do escoamento principal). A relação vetorial fundamental é , e a componente meridional é comum a e (pois é puramente tangencial).
Na entrada do rotor, o fluido sai do estator com velocidade absoluta formando um ângulo de 53° com a direção axial (meridional). A velocidade periférica é . Como a velocidade meridional é constante e o escoamento absoluto deixa o rotor na direção axial, na saída , o que confirma que a componente meridional é a mesma em todo o estágio.
O passo crítico é identificar corretamente qual é a componente axial e qual é a tangencial. O ângulo de 53° é dado em relação à direção meridional (axial), então:
(componente axial)
(componente tangencial)
A velocidade relativa tangencial na entrada é a diferença entre a componente tangencial absoluta e a velocidade periférica:
O ângulo que a velocidade relativa faz com a direção meridional é dado por:
A pegadinha clássica é inverter as componentes: usar para a tangencial e para a axial, o que levaria a um ângulo de aproximadamente 17°, que não está nas alternativas. Outra armadilha é esquecer de subtrair a velocidade periférica, obtendo , que daria 53° (alternativa D).
0° corresponderia a uma velocidade relativa puramente meridional, ou seja, . Isso exigiria , o que não ocorre, pois . A velocidade relativa tem componente tangencial significativa, então o ângulo não pode ser nulo.
30° seria obtido se , o que exigiria . Isso corresponderia a , que não é o valor real de 480 m/s. É um distrator que não corresponde a nenhuma combinação direta dos dados.
Como calculado, , e , que arredondado é 37°. Este é o ângulo que a velocidade relativa faz com a direção meridional na entrada do rotor.
53° é o ângulo da velocidade absoluta com a direção meridional, não da velocidade relativa. Se o candidato esquece de subtrair a velocidade periférica, calcula , obtendo exatamente 53°. É a pegadinha mais perigosa: confundir o triângulo da velocidade absoluta com o da relativa.
60° seria obtido se , o que exigiria , um valor maior que a própria velocidade absoluta, o que é fisicamente impossível nessa configuração (a velocidade relativa tangencial é a diferença entre e , ambos menores que 600 m/s).
A banca explora duas confusões clássicas: (1) inverter as componentes — usar para a tangencial e para a axial, o que daria um ângulo de ~17° (nem listado); (2) esquecer de subtrair a velocidade periférica , o que leva exatamente a 53° (alternativa D). A chave é lembrar que o ângulo de 53° é com a direção meridional (axial), então vai para a componente axial e para a tangencial. Com esse cuidado, o cálculo flui direto para 37°. 💪
Para questões de triângulo de velocidades, monte sempre o esboço: desenhe a velocidade absoluta saindo do estator, decomponha em axial e tangencial, subtraia a velocidade periférica na direção tangencial, e o vetor resultante é a velocidade relativa. O ângulo pedido é sempre entre a velocidade relativa e a direção meridional. Treine com os valores típicos: , — esses números aparecem com frequência em provas.
Gabarito: letra C
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