Questão de Engenharia Mecânica — Mecânica dos Fluidos — FGV 2021
- Código
- fg043949
- Banca
- FGV
- Órgão
- PC-RJ
- Ano
- 2021
- Nível
- Superior
- Cargo
- Perito Criminal - Engenharia Mecânica
- A0,06 m³/s;
- B0,12 m³/s;
- C0,36 m³/s;
- D0,48 m³/s;
- E0,64 m³/s;
GabaritoB — 0,12 m³/s;
Gabarito: letra B. A vazão é de 0,12 m³/s, obtida aplicando-se a Equação de Bernoulli entre o ponto no trecho reduzido (pressão de 2000 kgf/m²) e o ponto 4 m acima (pressão de 10000 kgf/m²), combinada com a equação da continuidade. A diferença de pressão e a diferença de cota são usadas para determinar a velocidade no trecho de 100 mm, e a vazão é o produto dessa velocidade pela área da seção.
A questão envolve o escoamento de um fluido incompressível em uma tubulação com variação de diâmetro. O problema é resolvido com a Equação de Bernoulli (que relaciona pressão, velocidade e elevação ao longo de uma linha de corrente) e a Equação da Continuidade (que garante a conservação da massa, ou seja, a vazão é constante ao longo do tubo).
A equação de Bernoulli, desprezando perdas de carga, é:
Onde:
é a pressão;
é a massa específica do fluido;
é a aceleração da gravidade;
é a velocidade do escoamento;
é a cota (elevação).
Como o fluido é o mesmo e a gravidade é constante, podemos usar as pressões em kgf/m² diretamente, pois essa unidade é equivalente a metros de coluna de água (mca) quando o fluido é água (1 kgf/m² ≈ 1 mmca, mas aqui a relação é direta se considerarmos a pressão em kgf/m² e a massa específica da água como 1000 kgf·s²/m⁴, o que não é necessário se trabalharmos com as pressões em kgf/m² e as alturas em metros, desde que a massa específica seja consistente). Na prática, para água, a pressão em kgf/m² dividida pelo peso específico (1000 kgf/m³) dá a altura de coluna de água em metros.
Vamos adotar o ponto 1 como o trecho reduzido (diâmetro de 100 mm) e o ponto 2 como o ponto 4 m acima (diâmetro de 200 mm).
Dados:
(referência)
Primeiro, convertemos as pressões em altura de coluna de água (para água, ):
Aplicando Bernoulli entre os pontos 1 e 2:
Pela equação da continuidade, a vazão é constante:
As áreas são:
Portanto:
Substituindo na equação de Bernoulli:
A vazão é:
O valor 0,06 m³/s seria obtido se a velocidade no trecho de 200 mm fosse 2 m/s, o que não satisfaz a equação de Bernoulli com os dados fornecidos. Esse valor não corresponde a nenhuma combinação correta das equações.
Como demonstrado, a vazão é 0,12 m³/s. A velocidade no trecho de 200 mm é 4 m/s e a área é 0,03 m², resultando em .
0,36 m³/s seria o resultado se a velocidade no trecho de 200 mm fosse 12 m/s, o que não é compatível com a diferença de pressão e cota dadas. Esse valor é um distrator que poderia surgir de um erro no cálculo da velocidade.
0,48 m³/s corresponderia a uma velocidade de 16 m/s no trecho de 200 mm, valor que não satisfaz a equação de Bernoulli. Provavelmente é um distrator baseado em uma interpretação incorreta da relação entre as velocidades.
0,64 m³/s seria obtido com uma velocidade de aproximadamente 21,33 m/s no trecho de 200 mm, o que está muito acima do que a equação de Bernoulli permite. Esse valor não tem fundamento nos dados do problema.
A banca fornece as pressões em kgf/m², o que pode confundir o candidato a não converter para metros de coluna de água. Além disso, a relação entre as velocidades () é um passo crítico que, se invertido, leva a um resultado errado. Fique atento: a pressão em kgf/m² dividida pelo peso específico da água (1000 kgf/m³) dá a altura em metros, e a continuidade exige que a velocidade no trecho menor seja maior.
Em problemas de Bernoulli com tubulações de diâmetros diferentes, sempre escreva a equação da continuidade primeiro para relacionar as velocidades. Depois, substitua na equação de Bernoulli. Isso evita erros de álgebra e garante que a vazão seja calculada corretamente.
Gabarito: letra B
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