Questão de Medicina Legal — Traumatologia Forense — FGV 2021
Medicina Legal›Traumatologia Forense
Código
fg044054
Banca
FGV
Órgão
PC-RJ
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Perito Legista
O diagnóstico aproximado do tempo de evolução (duração) de uma lesão pode ser feito:
Aem queimaduras de segundo grau até três semanas de evolução;
Bpela cor das equimoses na pele, se tiverem sido produzidas até uma semana antes do exame;
Cpelo exame radiológico de uma fratura consolidada;
Dpela rotura do hímen, se tiver ocorrido até duas semanas antes do exame;
Emesmo que a ferida esteja infectada.
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GabaritoD — pela rotura do hímen, se tiver ocorrido até duas semanas antes do exame;
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Cronotanatognose e diagnóstico do tempo de evolução das lesões
Gabarito: letra D. O diagnóstico aproximado do tempo de evolução de uma lesão pode ser feito pela rotura do hímen, se tiver ocorrido até duas semanas antes do exame — é o que a Medicina Legal admite com razoável segurança, pois a cicatrização completa do hímen roto ocorre nesse intervalo. As demais alternativas trazem critérios imprecisos ou prazos incorretos, como se verá.
A questão trata da cronotanatognose aplicada às lesões corporais, ou seja, a estimativa do tempo decorrido desde a produção da lesão até o exame pericial. Esse diagnóstico é sempre aproximado e se baseia na evolução dos fenômenos cicatriciais, na coloração das equimoses, na consolidação de fraturas, entre outros sinais. A banca cobra o conhecimento dos prazos e das limitações de cada método, exigindo que o candidato saiba distinguir o que é confiável do que é apenas indicativo.
A rotura do hímen é um dos poucos casos em que a Medicina Legal estabelece um prazo relativamente preciso: a cicatrização completa ocorre em torno de duas semanas. Por isso, se o exame é feito dentro desse período, é possível afirmar com segurança que a rotura ocorreu há menos de 15 dias. Esse é um conhecimento clássico de sexologia forense, mas que aqui aparece como critério de datação de lesão.
As demais opções apresentam erros específicos: queimaduras de segundo grau não têm prazo fixo de três semanas; a cor das equimoses é um critério válido, mas apenas nas primeiras 24-48 horas; o exame radiológico de fratura consolidada não permite estimar o tempo exato; e a infecção da ferida inviabiliza a datação precisa.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que queimaduras de segundo grau permitem datação até três semanas. O erro está no prazo: a evolução das queimaduras de segundo grau é variável e não segue um cronograma fixo de três semanas. A cicatrização depende da profundidade, extensão, localização e presença de infecção, não havendo um marco temporal confiável para esse fim.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A cor das equimoses é um critério clássico de datação, mas a alternativa restringe a uma semana. Na prática, a evolução cromática (vermelho → arroxeado → esverdeado → amarelado) é útil apenas nas primeiras 24-48 horas, quando a coloração é mais característica. Após uma semana, a cor já não permite precisão, pois a reabsorção varia com a intensidade do trauma e a vascularização local.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O exame radiológico de uma fratura consolidada não permite estimar o tempo de evolução. A consolidação óssea é um processo contínuo e variável, influenciado pela idade, localização, tipo de fratura e condições de saúde. A radiografia mostra o estágio atual, mas não fornece um marco temporal confiável para a datação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A rotura do hímen é um dos poucos casos em que a Medicina Legal estabelece um prazo relativamente preciso: a cicatrização completa ocorre em torno de duas semanas. Se o exame é feito dentro desse período, é possível afirmar com segurança que a rotura ocorreu há menos de 15 dias. Esse é um conhecimento clássico de sexologia forense, mas que aqui aparece como critério de datação de lesão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A infecção da ferida inviabiliza a datação precisa. A presença de infecção altera o processo cicatricial, acelerando ou retardando a evolução, e pode mascarar os sinais clássicos de cronologia. Por isso, a Medicina Legal considera a infecção um fator que impede a estimativa confiável do tempo de evolução.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre critérios válidos e prazos precisos. O candidato pode achar que a cor das equimoses (alternativa B) é um método confiável, mas ela só é útil nas primeiras 24-48 horas. Já a rotura do hímen (alternativa D) é um dos poucos casos com prazo definido — duas semanas. Fique atento a essa distinção.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de datação de lesões, memorize os prazos clássicos: equimoses (24-48h), rotura do hímen (2 semanas), consolidação óssea (variável). Se a alternativa trouxer um prazo fixo para um processo biológico variável, desconfie.