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Questão de Português — Uso das reticências — FGV 2021

PortuguêsUso das reticências
Código
fg045179
Banca
FGV
Órgão
TCE-AM
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Auditor Técnico de Controle Externo - Área de Auditoria Governamental
Esse trecho do texto 1 pode ser dividido em dois segmentos, divisão marcada pelas reticências; o segundo segmento mostra a seguinte mudança em relação ao primeiro:
  1. Ado passado para o presente;
  2. Bda linguagem lógica para a figurada;
  3. Cdo texto descritivo para o narrativo;
  4. Dda visão geral para a individual;
  5. Edo otimismo para o pessimismo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — da linguagem lógica para a figurada;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da mudança de segmento (reticências) no texto de Machado de Assis

Gabarito: letra B. A divisão marcada pelas reticências separa um trecho de linguagem mais literal (primeiro segmento) de um trecho claramente figurado (segundo segmento), em que as ideias são personificadas — andam de carro, a pé ou se abrigam no tinteiro.

Contexto da passagem

“Carnaval à porta. Já lhe ouço os guisos e tambores. Aí vem o carro das ideias... felizes ideias que durante três dias andais de carro! O resto do ano ides a pé, ao sol ou à chuva, ou ficais no tinteiro, que é ainda o melhor dos abrigos”.

Primeiro segmento (antes das reticências): descrição direta: o Carnaval se aproxima, o autor ouve os guisos e tambores, vê o “carro das ideias”. A linguagem é lógica, denotativa — o carro das ideias pode ser uma alegoria ainda no sentido literal de um carro alegórico.

Segundo segmento (após as reticências): as ideias são tratadas como seres vivos: “felizes ideias”, que “andais de carro” durante três dias (período do Carnaval), mas no resto do ano “ides a pé” ou “ficaís no tinteiro”. Há personificação e metáfora: ideias não andam de fato; a linguagem torna-se figurada (conotativa).

  1. 11º segmento: linguagem lógica/denotativa
  2. 2Reticências (divisão)
  3. 32º segmento: linguagem figurada/conotativa
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Análise das alternativas

  • Alternativa A — ❌ Incorreta: Ambos os segmentos usam o presente do indicativo (“ouço”, “vem”, “andais”, “ides”, “fica”). Não há mudança temporal.

  • Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO: Como demonstrado, o primeiro segmento é descritivo e literal; o segundo é repleto de figuras de linguagem (personificação, metáfora). A transição é exatamente da linguagem lógica para a figurada.

  • Alternativa C — ❌ Incorreta: O texto todo é descritivo — não há narração de eventos em sequência temporal. O segundo segmento apenas aprofunda a descrição com imagens poéticas, sem mudar a tipologia textual.

  • Alternativa D — ❌ Incorreta: A “visão” permanece geral: o autor fala das ideias de forma abstrata e coletiva (“felizes ideias”, “andais”, “ides”). Não há deslocamento para um ponto de vista individual.

  • Alternativa E — ❌ Incorreta: O tom não passa de otimista para pessimista. O primeiro segmento é neutro (anúncio do Carnaval); o segundo é irônico e bem-humorado (as ideias só andam de carro no Carnaval; no resto do ano sofrem). Não há pessimismo, mas sim uma crítica lúdica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de associar “reticências” à interrupção de pensamento, mas aqui a marca apenas separa dois registros linguísticos. A opção E (otimismo/pessimismo) é a mais sedutora, pois o leitor pode interpretar a segunda parte como uma queixa, mas o texto não tem carga negativa — é uma reflexão irônica.

Conclusão: A única alternativa que descreve corretamente a mudança entre os segmentos é a B, pois ela reconhece a passagem do sentido denotativo (primeiro trecho) para o conotativo (segundo trecho), evidenciada pela personificação das ideias.

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