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Questão de Português — Significação Contextual de Palavras e Expressões. Sinônimos e Antônimos. — FGV 2021

PortuguêsSignificação Contextual de Palavras e Expressões. Sinônimos e Antônimos.
Código
fg045315
Banca
FGV
Órgão
TCE-PI
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Assistente de Administração
Esta prova tem como temática o combate ao fumo, cuja utilização ainda prejudica muitos brasileiros. 

Texto 4 – O fumo e a saúde
“O fato de, nas últimas décadas, os fumantes terem aderido em massa aos assim chamados cigarros de baixos teores, não alterou em nada a mortalidade. No caso das doenças pulmonares mais obstrutivas, que evoluem com falta de ar progressiva, foi até pior: a incidência mais do que duplicou, desde a década de 1980.
A explicação se deve às mudanças que a indústria introduziu na produção de cigarros: o uso de variedades de fumo geneticamente selecionadas para reduzir o pH da fumaça, o emprego de papel mais poroso e filtros com mais perfurações, tornaram menos aversivas, mais profundas e prolongadas as inalações, expondo aos efeitos tóxicos grandes extensões do tecido pulmonar.
Como o cigarro perde espaço no mundo industrializado, e em países como o Brasil, as multinacionais têm agido com agressividade nos mercados asiáticos e africanos, valendo-se da falta de instrução das populações mais pobres e da legislação frouxa que permite a publicidade predatória.
Os epidemiologistas estimam que essa estratégia macabra fará o número de mortes causadas pelo cigarro – que foi de 100 milhões no século 20 – saltar para um bilhão no século atual.” (Drauzio Varella, 11/08/2020. Adaptado)
O primeiro período do texto 4 está estruturado em duas orações, sem conjunção entre elas – “O fato de, nas últimas décadas, os fumantes terem aderido em massa aos assim chamados cigarros de baixos teores, / não alterou em nada a mortalidade.”O modo de reescrever adequadamente esse segmento, mantendo-se o sentido original do texto é:
  1. ANão se alterou em nada a mortalidade, pois, nas últimas décadas, os fumantes aderiram em massa aos assim chamados cigarros de baixos teores;
  2. BAinda que não se tenha alterado em nada a mortalidade, os fumantes, nas últimas décadas, aderiram em massa aos assim chamados cigarros de baixos teores;
  3. COs fumantes aderiram em massa aos assim chamados cigarros de baixos teores, o que não alterou em nada a mortalidade nas últimas décadas;
  4. DO fato de, nas últimas décadas, os fumantes terem aderido em massa aos assim chamados cigarros de baixos teores fez com que não se alterasse em nada a mortalidade;
  5. EO fato de, nas últimas décadas, os fumantes terem aderido em massa aos assim chamados cigarros de baixos teores, não alterou, por isso mesmo, em nada a mortalidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Ainda que não se tenha alterado em nada a mortalidade, os fumantes, nas últimas décadas, aderiram em massa aos assim chamados cigarros de baixos teores;

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Reescrita com manutenção do sentido original

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que preserva a relação de contraste implícita no texto original: a adesão dos fumantes aos cigarros de baixos teores não alterou a mortalidade, o que vai contra a expectativa de que cigarros "mais leves" seriam menos nocivos. O uso de "Ainda que" (concessão) capta essa ideia de oposição sem introduzir causalidade, enquanto as demais opções ou alteram a relação lógica ou acrescentam informações estranhas ao texto.

Trecho-chave: “O fato de, nas últimas décadas, os fumantes terem aderido em massa aos assim chamados cigarros de baixos teores, não alterou em nada a mortalidade.”

O período original é uma afirmação composta por um sujeito oracional (o fato de…) e um predicado negativo (não alterou). A ausência de conjunção entre as ideias deixa implícita uma oposição entre a esperança depositada nos cigarros de baixos teores e o resultado real. A banca pede uma reescrita que mantenha exatamente esse sentido – e a única alternativa que faz isso é a B.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Não se alterou em nada a mortalidade, pois… os fumantes aderiram…"

Erro: introduz relação de causa. O texto original não diz que a adesão causou a não alteração; apenas afirma que a adesão não alterou a mortalidade. A conjunção "pois" inverte a lógica, criando uma explicação causal que não existe no texto. A banca tenta confundir com uma ideia de explicação, mas o sentido original é de contraste.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Ainda que não se tenha alterado em nada a mortalidade, os fumantes… aderiram…"

Mantém o contraste. A conjunção concessiva "Ainda que" (mesmo que) expressa a oposição entre a expectativa (mortalidade não se alterou) e o fato (adesão em massa). Essa é a mesma relação implícita no original: apesar da crença de que cigarros de baixo teor seriam menos nocivos, a mortalidade não mudou. Nenhuma outra alternativa preserva essa relação adversativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Os fumantes aderiram em massa…, o que não alterou em nada a mortalidade…"

Erro: introduz relação de consequência. O pronome relativo "o que" (que retoma a oração anterior) costuma indicar uma consequência ou resultado. No original, a adesão não foi a causa da não alteração; ambas as ideias estão justapostas em contraste. Aqui, "o que" sugere que a adesão resultou em nenhuma mudança, o que é uma interpretação causal indevida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"O fato de… terem aderido… fez com que não se alterasse em nada a mortalidade"

Erro: introduz relação de causa. A expressão "fez com que" estabelece uma relação de causa e efeito direta: a adesão causou a não alteração. O texto original nega qualquer efeito, não afirma que o fato foi a causa da não alteração. A banca inverte a lógica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"O fato de… terem aderido… não alterou, por isso mesmo, em nada a mortalidade"

Erro: introduz relação de causa. O conector "por isso mesmo" indica que a adesão é a razão pela qual a mortalidade não se alterou. Mais uma vez, a banca tenta substituir o contraste implícito por uma explicação causal que não está no texto.

Gabarito: letra B.

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