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Questão de Direito Constitucional — Controle de Constitucionalidade — FGV 2021

Direito ConstitucionalControle de Constitucionalidade
Código
fg045594
Banca
FGV
Órgão
TJ-PR
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Juiz Substituto
Norma da nova Lei Orgânica do Município Alfa, recentemente aprovada, dispôs que os vencimentos do Prefeito e do Vice-Prefeito Municipal são compostos de remuneração, verba de representação e adicionais, o que está em desacordo com comando da Constituição da República de 1988, que dispõe sobre a sistemática de subsídios afeta a esses agentes. A Constituição do Estado, por sua vez, silenciava sobre a temática.À luz desse estado de coisas, o Partido Político Gama solicitou que sua assessoria se manifestasse sobre a possibilidade de a norma da Lei Orgânica do Município Alfa ser submetida ao controle de constitucionalidade.A assessoria respondeu, corretamente, que a referida norma:
  1. Aem razão do silêncio da Constituição Estadual, não pode ser submetida ao controle concentrado de constitucionalidade perante o Tribunal de Justiça, apenas ao controle difuso;
  2. Bsomente pode ser submetida ao controle concentrado de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal, considerando a natureza do paradigma de confronto;
  3. Csomente pode ser submetida ao controle difuso de constitucionalidade, quer perante o Tribunal de Justiça, quer perante o Supremo Tribunal Federal;
  4. Dapesar do silêncio da Constituição Estadual, pode ser submetida ao controle concentrado de constitucionalidade perante o Tribunal de Justiça;
  5. Esomente pode ser submetida ao controle difuso de constitucionalidade, que será realizado perante o Supremo Tribunal Federal.
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GabaritoD — apesar do silêncio da Constituição Estadual, pode ser submetida ao controle concentrado de constitucionalidade perante o Tribunal de Justiça;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Controle de Constitucionalidade de Lei Municipal perante Tribunal de Justiça

Gabarito: letra D. A norma municipal que dispõe sobre a remuneração do Prefeito e Vice-Prefeito em desacordo com o regime de subsídio previsto na Constituição Federal pode ser submetida ao controle concentrado de constitucionalidade perante o Tribunal de Justiça, mesmo que a Constituição Estadual silencie sobre o tema. Isso porque a ordem constitucional federal impõe o modelo de subsídio único (CF, art. 29, V e art. 39, §4º), e o TJ, no exercício do controle concentrado, pode analisar a violação da Constituição Estadual, que, por força do princípio da simetria, incorpora essa exigência.

A questão exige conhecimento sobre o sistema de controle de constitucionalidade brasileiro, especialmente a competência dos Tribunais de Justiça para julgamento de ação direta de inconstitucionalidade (ADI) contra leis municipais. O parâmetro de controle é a Constituição Estadual, mas esta, por sua vez, reflete comandos obrigatórios da Constituição Federal. Assim, mesmo que o Estado não tenha reproduzido expressamente a regra dos subsídios, ela decorre diretamente da Constituição Federal e é oponível ao Município. Nesse contexto, a lei municipal que a contraria é inconstitucional perante a Constituição Estadual, autorizando o controle concentrado no TJ (STF, ADI 2.104, entre outros).

Controle

Órgão competente

Parâmetro de confronto

Possibilidade para lei municipal

Concentrado

Tribunal de Justiça

Constituição Estadual (que reflete princípios da CF/88)

Sim, mesmo com silêncio da CE

Concentrado

STF

Constituição Federal

Não (salvo ADPF excepcional)

Difuso

Qualquer juízo ou tribunal

Constituição Federal ou Estadual

Sim

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que, em razão do silêncio da Constituição Estadual, a norma municipal só pode ser submetida ao controle difuso. Engano: o silêncio não impede o controle concentrado, pois a violação ao regime de subsídio da CF/88 também viola a Constituição Estadual, que deve conformar-se àquela. O TJ possui competência para processar e julgar ADI contra lei municipal com base na Constituição Estadual, independentemente de esta conter disposição explícita sobre o tema.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sustenta que o controle concentrado da lei municipal só poderia ser feito perante o STF. Não é correto: o STF não admite ADI contra lei municipal (salvo via ADPF, que é excepcional). A competência para o controle concentrado de normas municipais é originária do Tribunal de Justiça do respectivo Estado, tendo como paradigma a Constituição Estadual.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que a norma municipal está sujeita apenas ao controle difuso, tanto no TJ quanto no STF. De fato, o controle difuso pode ser exercido por qualquer juiz ou tribunal, inclusive pelo STF em recurso extraordinário, mas isso não exclui a possibilidade do controle concentrado no TJ, que é igualmente cabível.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Exata: apesar do silêncio da Constituição Estadual, a norma municipal pode ser submetida ao controle concentrado perante o Tribunal de Justiça. A jurisprudência consolidada do STF admite que, mesmo sem reprodução literal, a Constituição Estadual é violada quando a lei municipal desrespeita regra impositiva da Constituição Federal, como a do subsídio. Logo, a ADI no TJ é plenamente cabível.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Defende que a norma municipal só pode ser controlada de forma difusa, e apenas perante o STF. Essa assertiva é triplamente errada: (1) o controle difuso pode ser exercido por qualquer juiz ou tribunal, não apenas pelo STF; (2) o controle concentrado também é possível, como visto; (3) o STF só atua em controle difuso como instância recursal, não como via exclusiva.

Gabarito: letra D.

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