Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2021
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Código
fg046391
Banca
FGV
Órgão
FAMEMA
Ano
2021
Nível
Superior
MALÁRIA
“Doença infecciosa causada por protozoários que são
transmitidos pela picada das fêmeas de um gênero de mosquitos.
O nome é do tempo em que se pensava – erroneamente – que a
transmissão da doença era feita por meio do ar. Vem do italiano
mala aria [mau ar] – na língua italiana, ar é substantivo feminino.
Defensores da tese de que esta doença e outras, como a febre
amarela, eram assim transmitidas, tinham uma receita insólita
para combater as epidemias: tiros de canhão para purificar o ar.
Método absolutamente inócuo, a não ser, claro, nos casos em
que um ou outro mosquito fosse alcançado pelas balas perdidas
dos canhões”.
BUENO, Márcio, A origem curiosa das palavras.
Rio de Janeiro: Ed. José Olímpio, 2003.
Os segmentos textuais – receita insólitaemétodo absolutamente inócuo– indicam
Auma visão subjetiva do autor do texto.
Bum julgamento de valor com distância temporal.
Cum ponto de vista com julgamento de valor positivo.
Duma opinião fundamentada na observação dos fatos.
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GabaritoB — um julgamento de valor com distância temporal.
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Julgamento de valor com distância temporal – "receita insólita" e "método absolutamente inócuo"
Gabarito: letra B. Os segmentos "receita insólita" e "método absolutamente inócuo" expressam um julgamento de valor do autor sobre uma prática do passado, evidenciando a distância temporal entre a crença antiga ("mau ar") e a visão contemporânea do autor.
O texto narra que os defensores da tese do "mau ar" tinham uma receita insólita (estranha, absurda) para combater epidemias: tiros de canhão para purificar o ar. Em seguida, classifica tal prática como método absolutamente inócuo (ineficaz). Essas expressões carregam a avaliação do autor, que, de seu lugar no tempo, julga a crença passada como equivocada e o método como ridículo. A distância temporal é crucial: o autor não está apenas opinando, mas avaliando um fato histórico com o conhecimento atual.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"uma visão subjetiva do autor do texto"
Embora o trecho contenha subjetividade, a alternativa é incompleta. A questão pede o que os segmentos indicam – e eles indicam especificamente um julgamento com distância temporal, não qualquer subjetividade. A banca considera A como genérica demais; o texto também não trata de "visão subjetiva" em sentido amplo, mas de uma avaliação historicamente situada.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"um julgamento de valor com distância temporal"
Exato. O autor usa "insólita" e "inócuo" para julgar negativamente uma prática do passado, deixando clara a separação entre a crença antiga (séculos atrás, quando se acreditava no "mau ar") e o conhecimento atual. A passagem "do tempo em que se pensava – erroneamente" já estabelece essa distância, e os segmentos confirmam o julgamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"um ponto de vista com julgamento de valor positivo"
Contradiz o texto. "Insólita" (estranha, anormal) e "inócuo" (que não faz efeito) são termos negativos. Não há juízo positivo algum.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"uma opinião fundamentada na observação dos fatos"
Extrapola. O texto não apresenta observação de fatos pelo autor; ele relata uma crença histórica e a comenta ironicamente. Não há descrição de experimentos, dados ou observação empírica. O autor apenas narra e avalia – não fundamenta em observação própria.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a diferença entre "visão subjetiva" (A) – que é verdadeira, mas ampla demais – e "julgamento de valor com distância temporal" (B) – que é a resposta precisa. A alternativa C tenta inverter o sinal do juízo (positivo em vez de negativo). A D introduz uma falsa "fundamentação" que não existe no texto.
Dica: ao ler o comando, identifique se ele pede uma característica específica ou apenas uma classificação geral. Aqui, os segmentos escolhidos apontam diretamente para a distância temporal marcada pelo contraste entre o passado ("acreditava-se") e o presente do autor.