Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2021
Português›Interpretação de Textos
Código
fg046615
Banca
FGV
Órgão
FUNSAÚDE - CE
Ano
2021
Nível
Superior
“Não há curandeiros. O direito de curar é equivalente ao direito de pensar e de falar. Não há curandeiros, há médicos sem medicina, que é outra coisa.”Machado de Assis, em A Semana.Nesse texto, nosso célebre escritor
Aequipara médicos e curandeiros por suas atuações.
Bironiza o fato de haver médicos que são curandeiros.
Cdestaca a necessidade de se afastarem os curandeiros.
Dvaloriza os médicos que de fato se preparam nos estudos.
Ecritica os curandeiros por não terem competência médica.
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GabaritoA — equipara médicos e curandeiros por suas atuações.
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Interpretação do texto de Machado de Assis
Gabarito: letra A. Ao afirmar que "O direito de curar é equivalente ao direito de pensar e de falar", Machado de Assis estabelece uma base comum para qualquer pessoa que deseje curar. Em seguida, ao declarar "Não há curandeiros, há médicos sem medicina, que é outra coisa", ele ironicamente equipara os dois grupos: os curandeiros (que a sociedade condena) e os médicos sem medicina (que seriam os mesmos curandeiros sob outro nome). Portanto, o escritor está equiparando médicos e curandeiros por suas atuações.
Alternativa A — ✅ Correta
O texto sustenta a equiparação. A passagem "O direito de curar é equivalente ao direito de pensar e de falar" mostra que o ato de curar é universalizado; a seguir, "Não há curandeiros, há médicos sem medicina" reclassifica os curandeiros como médicos sem medicina, equiparando-os implicitamente. A ironia está em negar a existência de curandeiros para, em seguida, descrevê-los com outra roupagem.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o autor ironiza o fato de haver médicos que são curandeiros. O texto não trata de médicos que são curandeiros, mas sim de uma negação da categoria "curandeiros" e a introdução de "médicos sem medicina" como algo distinto. A ironia não está nessa constatação, e sim na equiparação. (Erro de troca de conceito.)
Alternativa C — ❌ Incorreta
O texto não destaca a necessidade de afastar curandeiros; pelo contrário, nega sua existência. Portanto, foge ao tema. (Fora do escopo.)
Alternativa D — ❌ Incorreta
Não há menção a médicos preparados ou valorização de estudos. O foco é em "médicos sem medicina", ou seja, naqueles que não possuem a base científica. (Fora do escopo.)
Alternativa E — ❌ Incorreta
O texto critica? Na verdade, ele primeiro nega que existam curandeiros, depois fala de "médicos sem medicina" como "outra coisa". Não há crítica direta; há uma redefinição irônica que acaba por equiparar as categorias. Afirmar que critica curandeiros contradiz a afirmação textual de que "não há curandeiros". (Contradiz o texto.)
PEGA ESSA DICA!
Em textos literários de autores como Machado de Assis, esteja atento à ironia e aos paradoxos. Frequentemente, o que parece uma negação é, na verdade, uma forma de afirmar o oposto.
Conclusão: A única alternativa que corresponde ao que o texto faz é a letra A.