Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Morfologia - Pronomes — FGV 2021

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
fg046646
Banca
FGV
Órgão
IMBEL
Ano
2021
Nível
Superior
“O valor de todo conhecimento está no seu vínculo com as nossas necessidades, as nossas aspirações e ações; de modo diferente, o conhecimento torna-se um simples lastro de memória”.

Nesse pensamento foi utilizada corretamente o indefinido todo, sem artigo após ele; assinale a opção em que o emprego desse indefinido também está correto.
  1. A“Não, senhor meu amigo; algum dia, sim, é possível que componha um abreviado do que ali vi e vivi, das pessoas que tratei, dos costumes, de todo resto.”
  2. B“Assim devia ser, mas um fluido particular que me correu todo corpo desviou de mim a conclusão que deixo escrita.”
  3. C“Outrossim, ria largo, se era preciso, de um grande riso sem vontade, mas comunicativo, a tal ponto as bochechas, os dentes, os olhos, toda a cara, toda a pessoa, todo mundo pareciam rir nele.”
  4. D“Novamente me recomendou que não me desse por achado, e recapitulou todo mal que pensava de José Dias, e não era pouco, um intrigante, um bajulador, um especulador, e, apesar da casca de polidez, um grosseirão.”
  5. E“Esta fórmula era melhor, e tinha a vantagem de me fortalecer o coração contra a investidura eclesiástica. Juramos pela segunda fórmula, e ficamos tão felizes que todo receio de perigo desapareceu.”
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “Esta fórmula era melhor, e tinha a vantagem de me fortalecer o coração contra a investidura eclesiástica. Juramos pela segunda fórmula, e ficamos tão felizes que todo receio de perigo desapareceu.”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego do Indefinido "Todo" sem Artigo

Gabarito: letra E. A única opção que reproduz corretamente o uso de "todo" sem artigo após ele, assim como em "todo conhecimento" (original), é a que emprega "todo receio" — ambos os substantivos são abstratos e não contáveis, permitindo a forma genérica sem artigo.

A regra: "todo" pode ser usado sem artigo antes de substantivos abstratos ou nomes de substâncias/qualidades para indicar totalidade genérica (ex.: "todo conhecimento", "todo amor", "todo receio"). Com artigos, especifica um todo particular ("todo o conhecimento" = o conhecimento específico). Substantivos concretos e contáveis geralmente exigem artigo para indicar "a totalidade de" (ex.: "todo o corpo").

Alternativa A — ❌ Incorreta

"de todo resto": "resto" é um substantivo concreto (ou semi-abstrato) que, nesse contexto, refere-se a um conjunto específico (o que resta). O adequado seria "de todo o resto". A ausência do artigo torna a expressão genérica e inadequada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"correu todo corpo": "corpo" é substantivo concreto contável; para significar "o corpo inteiro", exige artigo: "todo o corpo". Sem artigo, "todo corpo" soaria como "cada corpo" (interpretação distributiva), o que não cabe.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Em "toda a cara, toda a pessoa, todo mundo", há mistura: "toda a cara" e "toda a pessoa" empregam artigo corretamente (pois "cara" e "pessoa" são concretas). Já "todo mundo" é uma expressão cristalizada que significa "todas as pessoas" e não segue a mesma regra. A opção como um todo não corresponde ao uso uniforme sem artigo da frase original.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"todo mal": "mal" é abstrato, mas a construção "todo mal" sem artigo é ambígua e pouco usual; o mais comum é "todo o mal" para referir-se a todo o mal existente ou mencionado. O contexto "todo mal que pensava" sugere um mal específico (o que ele pensava), exigindo artigo. Portanto, não se encaixa no padrão.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"todo receio": "receio" é substantivo abstrato, assim como "conhecimento". A ausência do artigo indica totalidade genérica ("todo receio" = qualquer receio, todo o receio em sentido amplo). O contexto também o permite, pois é uma sensação geral. Portanto, o emprego está correto e análogo ao da frase inicial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a diferença entre substantivos abstratos (que aceitam "todo" sem artigo para sentido genérico) e concretos/contáveis (que exigem artigo). Além disso, a expressão fixa "todo mundo" pode enganar, mas não serve de modelo para outros substantivos.

Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/fg046646