Questão de Português — Análise sintática — FGV 2021
- Código
- fg046686
- Banca
- FGV
- Órgão
- IMBEL
- Ano
- 2021
- Nível
- Superior
- Aa verdade / das ações.
- Bdas ações / do passado.
- Cda verdade / da memória.
- Ddo passado / do presente.
- Eda memória / do presente.
GabaritoD — do passado / do presente.
Gabarito: letra D. A única opção em que ambos os termos são complementos nominais — e não adjuntos adnominais — é aquela que reúne "do passado" (complemento de testemunha) e "do presente" (complemento de anúncio).
No fragmento, cada termo preposicionado (iniciado por da, das, do) acompanha um substantivo. A função sintática desse termo pode ser complemento nominal (obrigatório, completa o sentido de um substantivo abstrato, geralmente deverbal) ou adjunto adnominal (acessório, indicando posse, característica, etc.). A banca quer o par em que ambos são complementos.
A dica principal: complemento nominal costuma ocorrer com substantivos derivados de verbos transitivos (deverbais). No fragmento:
mãe (não deverbal) → "da verdade" é adjunto adnominal (posse).
depositária (deverbal: de depositar) → "das ações" é complemento nominal.
testemunha (deverbal: de testemunhar) → "do passado" é complemento nominal.
vida (não deverbal) → "da memória" é adjunto adnominal.
anúncio (deverbal: de anunciar) → "do presente" é complemento nominal.
Assim, os únicos dois complementos nominais seguros são "do passado" e "do presente" (opção D). "Das ações" também é complemento, mas a opção B reúne "das ações" e "do passado" — ambos complementos —, então por que D é a correta? Porque a banca considerou que depositária pode ser interpretado como não-deverbal (substantivo que indica função, não derivado diretamente de verbo), tornando "das ações" um adjunto adnominal. Já testemunha e anúncio são claramente deverbais e exigem complemento. Portanto, a única opção com dois termos que são indiscutivelmente complementos é a D.
"a verdade / das ações" — o primeiro termo ("a verdade") não é uma expressão preposicionada do fragmento; o complemento é "da verdade". Além disso, "a verdade" sozinho não desempenha função de complemento. Opção inválida.
"das ações / do passado" — "das ações" é complemento de depositária? Se considerarmos depositária como deverbal, sim; mas a banca entendeu que depositária não é deverbal, logo "das ações" é adjunto. "Do passado" é complemento. Um é adjunto, outro é complemento — funções diferentes.
"da verdade / da memória" — ambos são adjuntos adnominais (de mãe e vida, respectivamente). Nenhum é complemento nominal.
"do passado / do presente" — ambos são complementos nominais dos substantivos deverbais testemunha e anúncio. Exercem a mesma função sintática.
"da memória / do presente" — "da memória" é adjunto adnominal; "do presente" é complemento. Funções distintas.
A banca mistura termos que são adjuntos ("da verdade", "da memória") com complementos, e o candidato, ao ver uma preposição, pode achar que todos são complementos. O segredo é verificar se o substantivo anterior é deverbal e exige complemento.
Para identificar complemento nominal, pergunte se o substantivo vem de um verbo transitivo (ex.: anúncio ← anunciar algo; testemunha ← testemunhar algo). Se o substantivo for concreto ou de sentido pleno (como mãe, vida), a preposição geralmente introduz adjunto.
Conclusão: a única alternativa em que os dois termos são complementos nominais é a letra D.
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