Ironia – ambiguidade na interpretação
Gabarito: letra B. A única frase em que a ironia não é obrigatória, podendo ser interpretada literalmente, é: "Ela gastou um dinheirão nesse pulôver!" – uma constatação possível, sem contradição evidente entre o dito e a intenção. Nas demais, o contexto impõe a leitura irônica.
Desenvolvimento
A ironia verbal consiste em dizer o contrário do que se pensa, geralmente com intenção crítica ou humorística. Para ser reconhecida, o contexto deve evidenciar a contradição. A questão pede a frase em que a ironia pode ou não ser considerada – ou seja, que seja ambígua, podendo ser interpretada como literal ou irônica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Mais uns três dias e você já vai saber dirigir, né?"
A passageira comenta após o motorista dar fechadas. A intenção é claramente sarcástica: dizer que ele já vai saber dirigir quando na prática dirige mal. A contradição é evidente; não há dúvida de que é ironia.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Ela gastou um dinheirão nesse pulôver!"
A colega acha o pulôver muito feio, mas a frase não nega o fato de que ela gastou muito dinheiro. Pode ser uma constatação literal (realmente gastou muito) ou uma crítica irônica (gastou dinheiro à toa). Não há contradição obrigatória entre o dito e o pensado – a ironia pode ou não estar presente, dependendo do tom e do contexto extralinguístico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Está vendo, eu te disse que devíamos ter feito reserva!"
O restaurante está completamente vazio. A fala de que deveriam ter feito reserva é o oposto do que seria razoável (não precisavam). A contradição é clara: ironia evidente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Eta filme bom! Devíamos ter saído antes!"
Elogiar o filme e logo depois dizer que deveriam ter saído antes revela que o filme era ruim. A contradição entre o dito ("filme bom") e a atitude (querer sair) torna a ironia inequívoca.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Você cozinha muito bem! Papai deve ter-se separado de você por causa disso!"
A segunda parte liga a habilidade culinária à separação de forma absurda. O elogio inicial é anulado pelo absurdo, caracterizando ironia – não há ambiguidade real, pois a intenção crítica é nítida.
Conclusão: Apenas a alternativa B admite uma leitura literal (simples constatação de gasto) ou uma leitura irônica (crítica ao gosto). Portanto, ela é a que pode, ou não, ser considerada ironia.