Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina Legal — Tanatologia Forense — FGV 2022

Medicina LegalTanatologia Forense
Código
fg049549
Banca
FGV
Órgão
PC-AM
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Perito Legista
Os fenômenos cadavéricos abióticos são seguidos dos transformativos.Sobre o sinal de Sommer e Lacher causado pela desidratação, é correto afirmar que
  1. Aé causado pela presença de poeira agregada ao epitélio da córnea.
  2. Bpode ocorrer em pessoas vivas em estado agônico.
  3. Ctermina na metade temporal da esclerótica.
  4. Dcomeça na metade medial da esclerótica.
  5. Ecorresponde à exposição da coroide pela esclera.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — corresponde à exposição da coroide pela esclera.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sinal de Sommer e Lacher: mancha da esclerótica por desidratação

Gabarito: letra E. O sinal de Sommer e Lacher (também grafado Larcher) é a mancha escura que surge na esclerótica do cadáver por dessecação, tornando visível por transparência o pigmento da coroide — exatamente o que afirma a alternativa E. As demais trocam a localização, a causa ou a possibilidade de ocorrer em vida.

O sinal de Sommer e Lacher é um fenômeno cadavérico abiótico consecutivo, decorrente da desidratação das membranas oculares após a morte. Com a evaporação da umidade, a esclerótica (camada mais externa do olho, branca e opaca) torna-se transparente em algumas áreas, deixando entrever a cor escura da coroide subjacente — rica em vasos e pigmento. O resultado é uma mancha enegrecida, de forma circular ou oval, que tende a se ampliar. É um sinal importante na tanatognose, pois ajuda a confirmar a realidade da morte, mas não ocorre em pessoas vivas, nem mesmo em estado agônico, pois depende da cessação dos processos vitais que mantêm a hidratação tecidual.

A banca explora a confusão entre a localização da mancha (metade temporal ou medial da esclerótica) e a causa (poeira agregada ao epitélio da córnea). O conhecimento doutrinário clássico, como o de Hygino de França, descreve a mancha no quadrante externo ou interno do olho, sem fixar uma única metade como regra absoluta — o que torna as alternativas C e D imprecisas. Já a alternativa A confunde o sinal com a presença de poeira, que não tem relação com o mecanismo de dessecação.

1Fenômeno abiótico consecutivo
Causa: desidratação da esclerótica
Esclerótica fica transparente
Expõe a coroide (pigmento escuro)
2Características
Mancha enegrecida
Circular ou oval
Tende a ampliar
3Natureza
Exclusivamente cadavérico
Não ocorre em vivos (nem agônicos)
4Localização
Sem ponto fixo de início
Quadrante externo ou interno
Sinal de Sommer e Lacher
LEVELsoulevel.com.br
Sinal de Sommer e Lacher: Fenômeno abiótico consecutivo (Causa: desidratação da esclerótica, Esclerótica fica transparente, Expõe a coroide (pigmento escuro)); Características (Mancha enegrecida, Circular ou oval, Tende a ampliar); Natureza (Exclusivamente cadavérico, Não ocorre em vivos (nem agônicos)); Localização (Sem ponto fixo de início, Quadrante externo ou interno)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A poeira agregada ao epitélio da córnea não é o mecanismo do sinal de Sommer e Lacher. A mancha resulta da dessecação da esclerótica com transparência do pigmento coroidiano, e não de qualquer deposição externa de partículas. A poeira poderia, no máximo, causar opacidade ou sujidade, mas não a coloração enegrecida típica do sinal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O sinal de Sommer e Lacher é um fenômeno exclusivamente cadavérico. Em pessoas vivas, mesmo em estado agônico, a esclerótica permanece hidratada e opaca, não havendo dessecação que exponha a coroide. A possibilidade de ocorrer em vida contraria a própria natureza do fenômeno, que depende da parada dos processos vitais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A mancha não "termina" na metade temporal da esclerótica. A doutrina descreve a mancha como de forma circular ou oval, podendo aparecer no quadrante externo ou interno do olho, e com tendência a se ampliar — não há uma localização fixa que se limite à metade temporal. A alternativa tenta fixar uma topografia que não corresponde à descrição clássica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Assim como a C, a alternativa D erra ao afirmar que a mancha "começa" na metade medial da esclerótica. A descrição clássica não estabelece um ponto de início fixo; a mancha pode surgir em diferentes quadrantes da esclerótica, conforme a área de dessecação. A localização não é critério definidor do sinal.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E descreve com precisão o mecanismo: a dessecação da esclerótica torna-a transparente, expondo por transparência a coroide subjacente, rica em pigmento escuro. É exatamente isso que produz a mancha enegrecida característica do sinal de Sommer e Lacher. A coroide, camada vascular e pigmentada do olho, fica visível quando a esclerótica perde a opacidade por desidratação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a causa (dessecação com exposição da coroide) e fatores externos (poeira) ou localizações específicas (metade temporal/medial). O candidato que decora apenas o nome do sinal pode cair nas alternativas C ou D, que parecem plausíveis por citarem regiões do olho. Lembre-se: o que define o sinal é o mecanismo — desidratação da esclerótica com transparência da coroide — e não uma topografia fixa.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, associe o sinal de Sommer e Lacher à desidratação ocular: a esclerótica resseca, fica transparente e deixa ver a coroide escura. Na prova, desconfie de alternativas que citem localizações rígidas ("começa na metade medial", "termina na metade temporal") — a doutrina descreve a mancha como de forma variável, podendo surgir em diferentes quadrantes. O essencial é o mecanismo, não a posição.

Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/fg049549