Questão de Direito Processual Penal — Das Provas — FGV 2022
Direito Processual Penal›Das Provas
Código
fg049660
Banca
FGV
Órgão
PC-RJ
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Investigador Policial de 3ª Classe
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, a descoberta de prova envolvendo detentor de foro por prerrogativa de função importa em:
Aprosseguimento da investigação, com ampliação subjetiva de seu objeto;
Bparalisação de toda a investigação, com remessa do procedimento para a competência penal originária;
Cprosseguimento da investigação, mediante delegação da investigação originária;
Dcisão da investigação, com remessa da prova referente ao detentor de foro para a competência penal originária;
Eprosseguimento da investigação, mediante supervisão da autoridade judiciária competente.
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GabaritoB — paralisação de toda a investigação, com remessa do procedimento para a competência penal originária;
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Foro por prerrogativa de função e descoberta incidental de prova
Gabarito: letra B. A descoberta de prova envolvendo detentor de foro por prerrogativa de função durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão impõe a imediata paralisação de toda a investigação, com remessa integral do procedimento para a competência penal originária (tribunal competente). Isso decorre do princípio do juiz natural e da regra de que o juiz incompetente deve remeter os autos ao juiz competente, não podendo prosseguir na investigação de quem detém foro especial.
A banca testa o conhecimento sobre o impacto do foro por prerrogativa de função na investigação. Quando surge prova relacionada a uma pessoa que possui foro especial (ex.: deputado federal julgado pelo STF), o juiz de primeiro grau perde a competência para apreciar qualquer ato relativo a essa pessoa, sendo obrigatório enviar todo o procedimento ao tribunal competente.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A ampliação subjetiva do objeto, permitindo que o juiz de primeiro grau continue investigando outros suspeitos, não é a solução correta. A existência de prova envolvendo detentor de foro contamina a competência do juízo, que deve se declarar incompetente e remeter os autos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme o art. 109 do CPP (princípio da competência), o juiz incompetente deve remeter os autos ao juiz competente. No caso de detentor de foro por prerrogativa de função, a competência é dos tribunais (ex.: STF, STJ, TJ). Assim, toda a investigação deve ser paralisada no juízo de origem e remetida ao tribunal competente, que assumirá a condução.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A delegação da investigação originária não é permitida, pois a competência é improrrogável e o tribunal não pode delegar a investigação a juiz de primeiro grau quando se trata de foro por prerrogativa de função.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A cisão da investigação, com remessa apenas da prova referente ao detentor de foro, não é admitida. O foro especial atrai a competência para todo o feito, não apenas para a prova isolada. A Súmula 704 do STF (não transcrita no contexto, mas de conhecimento geral) estabelece que "não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo legal a atração por continência ou conexão do processo do co-réu ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados", o que reforça a atração total.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A supervisão da autoridade judiciária competente não é suficiente; o juízo de primeiro grau não pode manter a investigação sob supervisão alheia, pois é absolutamente incompetente. A remessa integral é necessária.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta levar o candidato a crer que a investigação pode prosseguir em parte (alternativas A, C, D, E). O erro está em não perceber que a incompetência do juízo é absoluta, exigindo a remessa total dos autos ao tribunal competente. Memorize: descoberta de prova de detentor de foro → paralisação total e remessa.