Questão de Direito Processual Penal — Da Prisão e da Liberdade Provisória — FGV 2022
Direito Processual Penal›Da Prisão e da Liberdade Provisória
Código
fg049662
Banca
FGV
Órgão
PC-RJ
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Investigador Policial de 3ª Classe
Eventual irregularidade na informação acerca do direito de permanecer em silêncio ao sujeito capturado em flagrante delito é causa de:
Ainexistência do ato jurídico;
Bnulidade absoluta;
Cnulidade relativa;
Danulabilidade;
Eirregularidade.
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GabaritoC — nulidade relativa;
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Nulidade relativa por falha na informação do direito ao silêncio
Gabarito: letra C. A irregularidade na comunicação do direito de permanecer em silêncio ao capturado em flagrante é causa de nulidade relativa, pois se trata de violação a uma formalidade que admite convalidação e exige demonstração de prejuízo (teoria das nulidades no processo penal). Não é ato inexistente, nem nulidade absoluta, nem mera irregularidade.
A doutrina classifica os defeitos dos atos processuais penais em: meras irregularidades, nulidades relativas, nulidades absolutas e atos inexistentes. A falha na informação sobre o direito ao silêncio afeta a validade do interrogatório e das declarações, mas não compromete a própria existência do ato, nem atinge norma de interesse público insanável. O STF e o STJ firmaram entendimento de que a omissão gera nulidade relativa, cabendo ao interessado alegá-la e demonstrar o efetivo prejuízo.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A inexistência do ato ocorre quando falta elemento essencial à sua formação (ex.: ausência de condutor no auto de prisão). A falha na informação não retira o ato do mundo jurídico; ele existe, mas é viciado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A nulidade absoluta atinge normas cogentes de ordem pública (ex.: violação ao juiz natural). O direito ao silêncio é fundamental, mas a jurisprudência trata a falta de informação como nulidade relativa, pois pode ser sanada e depende de arguição oportuna.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Nulidade relativa. O ato é válido até que a parte alegue o vício e comprove prejuízo. A inobservância do dever de informar o direito ao silêncio enquadra-se nessa categoria, pois tutela interesse disponível do preso, que pode renunciar tacitamente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Anulabilidade" é termo próprio do direito civil; no processo penal, o regime de invalidades adota as categorias de nulidades (relativa/absoluta) e atos inexistentes. A correspondência aproximada seria nulidade relativa, mas a nomenclatura correta é a da letra C.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Mera irregularidade é vício de mínima relevância que não afeta a validade do ato (ex.: erro material na data). A falha na informação do direito ao silêncio tem potencial de causar prejuízo ao interrogado, não sendo desprezível.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa D (anulabilidade) pode confundir quem vem do direito civil, mas o processo penal não adota esse termo. Fique atento: a classificação correta é nulidade relativa, e não anulabilidade.