Pular para o conteúdo principal

Questão de Direito Penal — Lei penal no tempo — FGV 2022

Direito PenalLei penal no tempo
Código
fg049686
Banca
FGV
Órgão
PC-RJ
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Investigador Policial de 3ª Classe
Insatisfeito com uma disputa acirrada num jogo de futebol, Ares, que contava com 17 anos e 11 meses de vida, aguarda a saída de Príapo de um curso preparatório, sequestrando seu desafeto, mantendo-o em cárcere privado por dois meses, quando o cativeiro é descoberto pela polícia e a vítima é resgatada.De acordo com o Código Penal, Ares deverá:
  1. Aresponder pelo crime, em razão da teoria do resultado;
  2. Bresponder pelo crime, em razão da teoria mista;
  3. Cresponder pelo crime, em razão da teoria da ação;
  4. Dnão responder por crime, em razão da teoria da ubiquidade;
  5. Enão responder por crime, em razão da teoria da atividade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — responder pelo crime, em razão da teoria da ação;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Direito Penal — Tempo do Crime e Imputabilidade em Crime Permanente

Gabarito: letra C. Ares iniciou o sequestro (crime permanente) com 17 anos e 11 meses, mas a ação criminosa se prolongou por dois meses, ultrapassando a data em que completou 18 anos. Pela teoria da atividade (art. 4º do CP), considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão; nos crimes permanentes, a ação é contínua, de modo que o agente está praticando a conduta a cada instante. Assim, após atingir a maioridade penal, tornou-se imputável e responde pelo crime (art. 27 do CP c/c Súmula 711 do STF, aplicada por analogia).

Art. 4CP

Art. 4º — “Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.”

Art. 27 — “Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial.”

JURISPRUDÊNCIA

STF Súmula 711

Súmula 711 do STF:

“A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.”

Tempo do crime (art. 4º CP)
  • 1Teoria da atividade (ação/omissão)
    • Crime permanente
      • Ação contínua
      • Imputabilidade no momento da ação
      • Súmula 711 STF (aplicada por analogia)
  • 2Teoria do resultado (consumação)
    • Não adotada pelo CP
  • 3Teoria mista
    • Não adotada pelo CP
  • 4Teoria da ubiquidade
    • Não adotada pelo CP
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A teoria do resultado (ou do efeito) considera o crime no momento da consumação. O CP não a adotou para o tempo do crime (art. 4º). Além disso, mesmo que considerássemos o resultado (consumação), este ocorre após os 18 anos, mas a teoria correta é a da atividade, e a imputabilidade seria avaliada no momento da ação contínua.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A teoria mista (também chamada do resultado antecipado) não é a adotada pelo CP para definir o tempo do crime. A lei é clara ao eleger a teoria da atividade. Consequentemente, o raciocínio sobre a imputabilidade também não se baseia nela.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que Ares responde pelo crime com base na teoria da ação (sinônimo de teoria da atividade). Exato: como o crime é permanente, a ação continua após ele completar 18 anos, tornando-o imputável. A Súmula 711, embora trate de lei penal mais grave, reforça o entendimento de que a situação jurídica do agente pode ser alterada durante a permanência. Portanto, ele responde penalmente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A teoria da ubiquidade é utilizada para determinar o lugar do crime (art. 6º do CP), não o tempo. Logo, não se aplica à questão temporal, e sua invocação para justificar a não responsabilização é inadequada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Embora a teoria da atividade seja a correta, a alternativa afirma que Ares não responde pelo crime com base nela. Isso é falso: como visto, a permanência faz com que a conduta se estenda para após os 18 anos, gerando imputabilidade. Logo, ele responde, e a teoria da atividade leva a essa conclusão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a diferença entre crimes instantâneos e permanentes. Em crimes instantâneos (ex.: homicídio), a ação é momentânea e a imputabilidade fica fixada no início; já nos permanentes (cárcere privado, sequestro), a ação é contínua, e se o agente completa 18 anos durante a prática, torna-se imputável. Muitos candidatos aplicam automaticamente o art. 4º e art. 27 sem considerar a natureza permanente, errando a resposta.

Gabarito: letra C.

Link permanente: /questoes/fg049686