Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — FGV 2022
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
fg051421
Banca
FGV
Órgão
SEAD-AP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Perito Criminal - Biólogo
Os centros de origem de certas espécies limitam-se mutuamente ao longo das margens opostas do rio Amazonas e seus principais tributários. Pesquisadores sugeriram que essas formas teriam se originado in situ, durante o Pleistoceno ou períodos geológicos anteriores.(Adaptado de Haffer, J., & Prance, G. T. Impulsos climáticos da evolução na Amazônia durante o Cenozóico: sobre a teoria dos Refúgios da diferenciação biótica. Estudos Avançados, 16(46), 2002) O tipo de especiação sugerido pelo texto é a
Aalopátrica, onde uma barreira geográfica separa uma população inicial em duas, possibilitando o isolamento reprodutivo e o surgimento de espécies distintas.
Bsimpátrica, onde uma barreira comportamental separa uma população inicial em duas, possibilitando o surgimento de mecanismos de isolamento estacional, ainda que haja fluxo gênico entre as duas novas espécies.
Calopátrica, onde uma barreira comportamental separa uma população inicial em duas, possibilitando o isolamento estacional, ainda que haja fluxo gênico entre as duas novas espécies.
Dsimpátrica, onde uma barreira geográfica separa uma população inicial em duas, possibilitando o surgimento de mecanismos de isolamento reprodutivo e o surgimento de espécies distintas.
Eparapátrica, onde uma barreira comportamental separa uma população inicial em duas e, mesmo que não exista uma barreira física para o fluxo gênico, as populações não cruzam aleatoriamente.
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GabaritoA — alopátrica, onde uma barreira geográfica separa uma população inicial em duas, possibilitando o isolamento reprodutivo e o surgimento de espécies distintas.
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Especiação alopátrica e a Teoria dos Refúgios na Amazônia
Gabarito: letra A. O texto descreve espécies que se originaram em margens opostas do rio Amazonas, ou seja, uma barreira geográfica (o rio) separou populações que evoluíram de forma independente, caracterizando especiação alopátrica. A alternativa A é a única que combina corretamente o tipo de especiação com o mecanismo: barreira geográfica → isolamento reprodutivo → surgimento de espécies distintas.
A especiação é o processo pelo qual novas espécies surgem a partir de populações que se tornam isoladas reprodutivamente. Existem diferentes modos de especiação, classificados principalmente pelo mecanismo de isolamento que impede o fluxo gênico entre as populações. A distinção central está entre barreiras geográficas (físicas) e barreiras comportamentais (etológicas, como diferenças no cortejo ou no período de acasalamento).
No caso da especiação alopátrica, uma barreira geográfica — como um rio, uma montanha ou um oceano — divide uma população ancestral em duas ou mais populações que ficam fisicamente separadas. Sem fluxo gênico, cada população acumula mutações e adaptações ao seu ambiente, podendo desenvolver isolamento reprodutivo. Se a barreira desaparecer e as populações voltarem a se encontrar, elas podem não mais cruzar entre si, configurando espécies distintas. O rio Amazonas, com sua enorme largura, é uma barreira geográfica clássica para muitas espécies terrestres.
A Teoria dos Refúgios, mencionada no texto, propõe que durante os períodos de glaciação do Pleistoceno, a floresta amazônica teria se fragmentado em "refúgios" isolados por áreas de vegetação mais seca (savanas). Essas populações isoladas teriam evoluído separadamente, e o retorno das florestas teria unido novamente as populações, que já estariam reprodutivamente isoladas. O rio Amazonas atua como barreira adicional, reforçando o isolamento geográfico.
A pegadinha da questão está em trocar o tipo de barreira: as alternativas B, C e E mencionam "barreira comportamental", que é característica da especiação simpátrica ou parapátrica, não da alopátrica. A alternativa D inverte o conceito, atribuindo barreira geográfica à especiação simpátrica, o que é incorreto.
A alternativa descreve corretamente a especiação alopátrica: uma barreira geográfica (o rio) separa uma população inicial em duas, impedindo o fluxo gênico. Com o tempo, as populações acumulam diferenças genéticas e desenvolvem isolamento reprodutivo, tornando-se espécies distintas. É exatamente o cenário do texto: espécies em margens opostas do rio Amazonas, originadas in situ.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que a especiação é simpátrica, mas a define com uma "barreira comportamental". A especiação simpátrica ocorre sem barreira geográfica, com divergência dentro da mesma área, geralmente por isolamento reprodutivo baseado em comportamento (como preferência de habitat ou época de acasalamento). No entanto, o texto fala de margens opostas do rio, ou seja, há uma barreira geográfica clara. Além disso, a alternativa menciona "fluxo gênico entre as duas novas espécies", o que é contraditório: se há fluxo gênico, não há espécies distintas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C erra ao classificar como alopátrica uma especiação com "barreira comportamental". A alopátrica exige barreira geográfica. Além disso, repete o erro de afirmar que há "fluxo gênico entre as duas novas espécies", o que inviabiliza a formação de espécies distintas. O isolamento estacional (diferença no período de reprodução) é um mecanismo de isolamento reprodutivo que pode ocorrer em especiação simpátrica ou parapátrica, não na alopátrica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D inverte os conceitos: classifica como simpátrica uma especiação com "barreira geográfica". A especiação simpátrica ocorre sem barreira geográfica, dentro da mesma área. A barreira geográfica é justamente o que define a especiação alopátrica. Portanto, a alternativa está duplamente errada: o tipo de especiação e o mecanismo estão trocados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E menciona especiação parapátrica, que ocorre quando populações vizinhas divergem sem uma barreira geográfica completa, mas com fluxo gênico reduzido devido a diferenças de habitat ou comportamento. No entanto, o texto descreve uma barreira geográfica (o rio), o que caracteriza alopatria, não parapátria. Além disso, a alternativa fala em "barreira comportamental", que não é o caso do texto. A parapátrica é um caso intermediário entre alopatria e simpatria, mas não se aplica aqui.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o tipo de barreira para confundir: alopátrica exige barreira geográfica; simpátrica e parapátrica envolvem barreiras comportamentais ou ecológicas, sem separação física completa. Fique atento: se o texto menciona um rio, montanha ou oceano, é alopatria. Se menciona diferenças de comportamento ou habitat na mesma área, é simpatria ou parapátria. Com essa chave, você elimina as alternativas erradas rapidamente 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os modos de especiação, use a tabela:
Critério
Alopátrica
Simpátrica
Parapátrica
Barreira geográfica
Sim
Não
Parcial (populações vizinhas)
Mecanismo de isolamento
Físico (rio, montanha)
Comportamental, ecológico, poliploidia
Redução do fluxo gênico por seleção contra híbridos
Exemplo clássico
Rios, montanhas
Poliploidia em plantas
Gramínea resistente a metais
Na prova, identifique a presença de barreira geográfica no texto: se houver, é alopatria.