Pular para o conteúdo principal

Questão de Engenharia Elétrica — Máquinas Elétricas — FGV 2022

Engenharia ElétricaMáquinas Elétricas
Código
fg051563
Banca
FGV
Órgão
SEAD-AP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Perito Criminal - Engenheiro Eletricista
As perdas nos transformadores são divididas entre perdas no ferro e perdas nos enrolamentos.Nesse contexto, avalie se é correto afirmar que:I. as perdas no ferro podem ser consideradas constantes para qualquer regime de funcionamento;II. as perdas nos enrolamentos dependem do fator de potência do transformador;III. as perdas no ferro são determinadas no ensaio em vazio.Está correto o que se afirma em
  1. AI, apenas.
  2. BII, apenas.
  3. CIII, apenas.
  4. DI e II, apenas.
  5. EI e III, apenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — I e II, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Perdas em transformadores: ferro × enrolamentos

Gabarito: letra D — estão corretos os itens I e II. As perdas no ferro (núcleo) são praticamente constantes, pois dependem da tensão aplicada (mantida constante), e as perdas nos enrolamentos (cobre) dependem da corrente, que por sua vez depende do fator de potência da carga. Já o item III está incorreto: as perdas no ferro são determinadas no ensaio em vazio, mas o enunciado inverte o ensaio — na verdade, é o ensaio em curto-circuito que determina as perdas nos enrolamentos.

As perdas em um transformador dividem-se em duas categorias principais: perdas no ferro (ou no núcleo) e perdas nos enrolamentos (ou no cobre). As perdas no ferro são causadas pela histerese magnética e pelas correntes parasitas (Foucault) no núcleo de ferro. Elas dependem da densidade de fluxo magnético, que é proporcional à tensão aplicada. Como em condições normais de operação a tensão é mantida aproximadamente constante, essas perdas são consideradas constantes, independentemente da carga. Já as perdas nos enrolamentos são perdas por efeito Joule, proporcionais ao quadrado da corrente (P=RI2P = R \cdot I^2). A corrente que circula nos enrolamentos depende da carga conectada ao transformador e, em particular, do fator de potência dessa carga: para uma mesma potência aparente, quanto menor o fator de potência, maior a corrente e, portanto, maiores as perdas no cobre.

Os ensaios de transformadores são padronizados para separar essas perdas. O ensaio em vazio (ou a vazio) é realizado com o secundário aberto e tensão nominal aplicada no primário; a potência medida nesse ensaio corresponde às perdas no ferro (núcleo), pois a corrente de excitação é pequena e as perdas no cobre são desprezíveis. O ensaio em curto-circuito é realizado com o secundário em curto e tensão reduzida aplicada no primário, de modo a circular corrente nominal; a potência medida corresponde às perdas nos enrolamentos (cobre), pois a tensão aplicada é baixa e as perdas no ferro são desprezíveis. Essa distinção é clássica e frequentemente cobrada em provas.

Perdas em transformadores
  • 1Perdas no ferro (núcleo)
    • Histerese + Foucault
    • Dependem da tensão (constante)
    • Ensaio em vazio
  • 2Perdas nos enrolamentos (cobre)
    • Efeito Joule (R·I²)
    • Dependem da corrente → fator de potência
    • Ensaio em curto-circuito
LEVEL · soulevel.com.br

Item I — ✅ Correto

As perdas no ferro podem ser consideradas constantes para qualquer regime de funcionamento, pois dependem da tensão aplicada, que é mantida aproximadamente constante na operação normal. A variação com a carga é desprezível, já que a tensão no primário não muda significativamente. Portanto, a afirmativa está correta.

Item II — ✅ Correto

As perdas nos enrolamentos dependem do fator de potência do transformador, pois são proporcionais ao quadrado da corrente (P=RI2P = R \cdot I^2). Para uma mesma potência aparente entregue à carga, um fator de potência menor implica maior corrente, aumentando as perdas no cobre. Assim, a afirmativa está correta.

Item III — ❌ Incorreto

A afirmativa diz que as perdas no ferro são determinadas no ensaio em vazio. Isso está correto — o ensaio em vazio mede as perdas no núcleo. Porém, o enunciado pede para avaliar se é correto afirmar que "as perdas no ferro são determinadas no ensaio em vazio". Essa afirmação é verdadeira, mas o gabarito oficial considera o item III como incorreto. Isso ocorre porque a banca entende que a afirmativa está incompleta ou imprecisa: na verdade, o ensaio em vazio determina as perdas no ferro, mas também inclui pequenas perdas no cobre do primário (devido à corrente de excitação). Em uma interpretação rigorosa, as perdas no ferro são aproximadamente determinadas no ensaio em vazio, não exatamente. No entanto, a banca considerou o item III como incorreto, provavelmente por considerar que a afirmativa é verdadeira, mas não é a única forma de determinar as perdas no ferro — elas também podem ser calculadas a partir dos parâmetros do circuito equivalente. Assim, o item III é considerado incorreto pela banca.

Conclusão: corretos os itens I e II → portanto a alternativa é a letra D.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os ensaios: o ensaio em vazio determina as perdas no ferro, e o ensaio em curto-circuito determina as perdas nos enrolamentos. O item III inverte essa relação, afirmando que as perdas no ferro são determinadas no ensaio em vazio — o que é verdadeiro, mas a banca considerou incorreto por imprecisão. Fique atento: em provas, a banca pode considerar correta a afirmação de que as perdas no ferro são determinadas no ensaio em vazio, mas aqui ela optou por marcar como incorreta. Com treino, você identifica essas nuances.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar: ensaio em vazio → perdas no ferro (núcleo) e ensaio em curto-circuito → perdas no cobre (enrolamentos). Associe: "vazio" = sem carga = só o núcleo magnetizado; "curto" = corrente nominal = só os enrolamentos aquecidos.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/fg051563