Questão de Farmácia — Análises Clínicas — FGV 2022
- Código
- fg051666
- Banca
- FGV
- Órgão
- SEAD-AP
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Perito Criminal - Farmacêutico Bioquímico
- ACreatinina.
- BÁcido úrico
- CUreia.
- DBilirrubina.
- EÉsteres do colesterol.
GabaritoB — Ácido úrico
Gabarito: letra B. O ácido úrico é o principal metabólito final do catabolismo das purinas (adenina e guanina), que são bases nitrogenadas constituintes dos ácidos nucleicos (DNA e RNA). Durante o tratamento antineoplásico, a intensa lise celular libera grande quantidade de ácidos nucleicos, cuja degradação eleva a produção de ácido úrico — podendo causar hiperuricemia e, em casos graves, a síndrome de lise tumoral. As demais alternativas representam metabólitos de outras vias metabólicas: creatinina (músculo), ureia (proteínas), bilirrubina (heme) e ésteres do colesterol (lipídios).
A questão exige o conhecimento da origem metabólica de cada substância. Vamos revisar cada uma:
Ácido úrico: produto final do catabolismo das purinas (adenina e guanina), bases nitrogenadas presentes nos ácidos nucleicos. A enzima xantina oxidase converte hipoxantina em xantina e esta em ácido úrico. Na lise celular maciça, há liberação de nucleotídeos que são rapidamente metabolizados, elevando o ácido úrico sérico.
Creatinina: produto do metabolismo da creatina e fosfocreatina, presentes principalmente no músculo esquelético. Não tem relação direta com ácidos nucleicos.
Ureia: produto final do catabolismo de proteínas e aminoácidos (ciclo da ureia no fígado). Não é derivada de ácidos nucleicos.
Bilirrubina: produto da degradação do grupo heme da hemoglobina (e de outras hemoproteínas). Não é derivada de ácidos nucleicos.
Ésteres do colesterol: formados pela esterificação do colesterol com ácidos graxos, relacionados ao metabolismo lipídico. Não são derivados de ácidos nucleicos.
A creatinina é o produto final do metabolismo da creatina e fosfocreatina, compostos nitrogenados encontrados principalmente no músculo esquelético. Sua produção é proporcional à massa muscular e não está relacionada à degradação de ácidos nucleicos. A banca a inclui como distrator por ser um metabólito nitrogenado comumente dosado em exames de função renal, mas sua origem é completamente distinta.
O ácido úrico é o principal produto final do catabolismo das purinas (adenina e guanina), que são bases nitrogenadas que compõem os ácidos nucleicos (DNA e RNA). Durante a quimioterapia, a lise celular maciça libera grande quantidade de ácidos nucleicos, cuja degradação enzimática (xantina oxidase) gera ácido úrico. Esse aumento pode levar à hiperuricemia e à síndrome de lise tumoral, uma complicação grave que exige monitoramento e, frequentemente, profilaxia com alopurinol ou rasburicase.
A ureia é o produto final do catabolismo de proteínas e aminoácidos, produzida no fígado pelo ciclo da ureia. Embora seja um metabólito nitrogenado e também seja dosada em exames de função renal, sua origem é o metabolismo proteico, não o metabolismo de ácidos nucleicos. A confusão entre ureia e ácido úrico é comum, mas são vias metabólicas distintas.
A bilirrubina é o produto da degradação do grupo heme da hemoglobina (e de outras hemoproteínas). Sua elevação está relacionada a hemólise, doenças hepáticas ou obstrução biliar, não à lise celular por quimioterapia. Embora a lise celular possa liberar hemoglobina, o principal metabólito monitorado no contexto de lise tumoral é o ácido úrico, não a bilirrubina.
Os ésteres do colesterol são formados pela esterificação do colesterol com ácidos graxos, processo relacionado ao metabolismo lipídico. Não têm relação com o metabolismo de ácidos nucleicos. Sua dosagem está associada à avaliação do perfil lipídico e risco cardiovascular, não ao monitoramento de lise celular em pacientes oncológicos.
A banca explora a confusão entre os produtos finais do metabolismo de diferentes macromoléculas: ácido úrico (purinas), ureia (proteínas), creatinina (creatina muscular), bilirrubina (heme) e ésteres do colesterol (lipídios). O candidato que não domina a origem metabólica de cada substância pode facilmente marcar ureia ou creatinina, por serem também metabólitos nitrogenados. Com treino, você reconhece essas origens de longe 💪.
Para fixar, monte uma tabela mental relacionando cada macromolécula ao seu produto final de degradação: ácidos nucleicos → ácido úrico; proteínas → ureia; creatina muscular → creatinina; heme → bilirrubina; lipídios → ésteres do colesterol. Essa associação direta resolve a maioria das questões sobre metabólitos em provas de análises clínicas.
Gabarito: letra B
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