Questão de Psicologia — Entrevista Psicológica e Técnicas de Entrevista — FGV 2022
Psicologia›Entrevista Psicológica e Técnicas de Entrevista
Código
fg051780
Banca
FGV
Órgão
SEAD-AP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Perito Criminal - Psicologia
Uma das formas de manejo da entrevista psicológica é o uso do método cartográfico formulado por Deleuze e Guattari como um dos princípios do rizoma. A cartografia refere-se a um mapa que a ser produzido e que é modificável a partir de múltiplas linhas de fuga, voltando-se para um campo de experimentação que teve forte influência para a analítica institucional.Nesse contexto, a entrevista psicológica
Avisa a coletar dados e informações relativos a referentes pré-definidos, sendo estes capazes de traduzir a totalidade real da experiência vivida.
Bprioriza a experiência produzida na própria fala a fim de promover sua abertura às variações que impeçam seu fechamento em perspectivas totalizantes.
Cbusca a representação que os entrevistados fazem de objetos ou estado de coisas, com ênfase nos componentes linguísticos lexicais e sintáticos da frase.
Delimina as variações de expressão e as modulações dos enunciados para atingir a correspondência fiel da linguagem com a ordem do mundo.
Econtribui para o processo de inquirição, produzindo provas que fundamentam ou comprovam um determinado fato ou acontecimento ocorrido.
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GabaritoB — prioriza a experiência produzida na própria fala a fim de promover sua abertura às variações que impeçam seu fechamento em perspectivas totalizantes.
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Método Cartográfico na Entrevista Psicológica
Gabarito: letra B. A cartografia, inspirada em Deleuze e Guattari, concebe a entrevista como um processo aberto, que privilegia a experiência que emerge na própria fala, evitando fechamentos em perspectivas totalizantes. A alternativa B capta exatamente essa abertura às variações, impedindo a cristalização de um saber pré-definido.
A questão exige compreender que o método cartográfico se opõe a modelos representacionais ou de busca de verdades únicas. Ele valoriza o percurso, as conexões imprevistas (rizoma) e as linhas de fuga, em contraste com abordagens que visam coletar dados fixos ou provar fatos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a entrevista visa coletar dados com base em referentes pré-definidos, buscando traduzir a totalidade real da experiência. Isso contraria o princípio cartográfico, que rejeita a ideia de uma totalidade a ser representada e opera com referentes móveis, construídos no próprio processo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente a postura cartográfica: priorizar a experiência produzida na fala, promovendo abertura às variações e impedindo o fechamento totalizante. A cartografia é um mapa que se modifica com as linhas de fuga, e a entrevista, nessa perspectiva, é um campo de experimentação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Foca na representação de objetos/estados de coisas e em componentes linguísticos formais (léxico, sintaxe). A cartografia não se interessa por representações estáveis nem por estruturas linguísticas fixas; interessa-se pelos devires e pela produção de sentido no ato da fala.
Alternativa D — ❌ Inconreta
Propõe eliminar variações e modulações para alcançar correspondência fiel com a ordem do mundo. Isso é oposto à cartografia, que valoriza justamente as variações, as modulações e as múltiplas entradas típicas do rizoma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Associa a entrevista à inquirição e produção de provas para comprovar fatos. Essa é uma visão jurídico-investigativa, incompatível com a abordagem cartográfica, que não busca comprovação, mas sim acompanhamento de processos e criação de novos sentidos.
PEGA ESSA DICA!
Lembre-se que a cartografia é um método de pesquisa-intervenção que não separa conhecer de fazer. Na entrevista, o foco está no "como" e não no "o quê" – acompanhar processos, não representar objetos. Questões sobre Deleuze e Guattari costumam explorar a oposição entre modelos arborescentes (hierárquicos, representacionais) e rizomáticos (conexões múltiplas, abertos).