Questão de Psicologia — Teorias e Técnicas Psicoterápicas — FGV 2022
- Código
- fg051792
- Banca
- FGV
- Órgão
- SEAD-AP
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Perito Criminal - Psicologia
- AGrande Mãe.
- BSombra.
- CPuer Aeternus.
- DTemenos.
- ESigízia.
GabaritoB — Sombra.
Gabarito: letra B. Para Carl Gustav Jung, o arquétipo que concentra as qualidades desagradáveis que o indivíduo quer esconder — conteúdo poderoso, marcado pelo afeto e que se manifesta por forte e irracional projeção sobre o outro — é a Sombra. É ela que reúne os aspectos rejeitados da personalidade, e a projeção é o mecanismo típico pelo qual esses conteúdos inconscientes são atribuídos a outras pessoas.
Na psicologia analítica de Jung, os arquétipos são padrões universais e herdados do inconsciente coletivo, que se expressam em imagens, símbolos e comportamentos. A Sombra é um dos arquétipos centrais: representa o lado obscuro, os traços que a pessoa não reconhece como seus e que, por isso, são reprimidos ou negados. Por ser carregada de afeto e energia psíquica, a Sombra tende a "vazar" para o exterior por meio da projeção — o indivíduo vê no outro aquilo que, na verdade, lhe pertence. Esse mecanismo é irracional justamente porque o conteúdo projetado não é reconhecido como próprio.
A banca explora a confusão entre a Sombra e outros arquétipos ou conceitos junguianos. A alternativa correta é a que nomeia exatamente o arquétipo descrito no enunciado. As demais trazem outros arquétipos ou noções da obra de Jung que não correspondem à definição apresentada.
A Grande Mãe é um arquétipo ligado à figura materna, à nutrição, ao cuidado e também ao aspecto devorador/terrível do feminino. Não se relaciona com a soma das qualidades desagradáveis que o indivíduo esconde. O erro aqui é trocar o arquétipo da Sombra por outro arquétipo de conteúdo simbólico distinto.
A Sombra é exatamente o arquétipo descrito: reúne as qualidades desagradáveis, os aspectos rejeitados e escondidos da personalidade. Seu conteúdo é poderoso e marcado pelo afeto, e manifesta-se tipicamente por projeção — o indivíduo atribui ao outro, de forma irracional, aquilo que não aceita em si. É o conceito central da questão.
Puer Aeternus ("eterno menino") é um arquétipo ligado à juventude eterna, à imaturidade, à recusa do amadurecimento e à busca por experiências intensas. Não tem relação com a ocultação de qualidades desagradáveis nem com a projeção afetiva descrita no enunciado.
Temenos é um termo de origem grega que, na psicologia junguiana, designa um espaço sagrado ou protegido, um recinto de segurança para o processo de individuação. Não é um arquétipo de conteúdo pessoal rejeitado; é um conceito espacial/simbólico, não se encaixa na definição.
Sigízia refere-se ao par de opostos complementares, como anima/animus ou o casamento sagrado entre princípios masculino e feminino. Não corresponde à soma das qualidades desagradáveis escondidas; é um conceito de união de contrários, não de rejeição projetiva.
A banca mistura arquétipos e conceitos junguianos para confundir. O candidato que decora nomes sem entender o significado de cada um pode trocar a Sombra pela Grande Mãe (também um arquétipo forte) ou por Sigízia (que envolve opostos). A chave é associar a projeção irracional de conteúdos rejeitados diretamente à Sombra — é o mecanismo que a define.
Para fixar, monte um mapa mental dos principais arquétipos de Jung: Sombra (lado obscuro rejeitado), Persona (máscara social), Anima/Animus (princípios feminino/masculino), Grande Mãe (figura materna), Puer Aeternus (eterna juventude), Self (totalidade). Quando a questão falar em "esconder", "projeção", "lado negativo", a resposta quase sempre será Sombra.
Gabarito: letra B — a Sombra é o arquétipo que reúne as qualidades desagradáveis escondidas e se manifesta por projeção irracional.
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