Questão de Biologia — Evolução biológica — FGV 2022
Biologia›Evolução biológica
Código
fg051867
Banca
FGV
Órgão
SEAD-AP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica - Biologia
“Uma das figuras mais carismáticas da fauna amazônica vive debaixo da água doce dos rios, os botos. Apesar de não serem bichos pequenos nem particularmente discretos por onde passam, ainda existem lacunas importantes sobre a ocorrência e ecologia dos botos na bacia amazônica. Após um levantamento de dados, comprovou-se a ocorrência de populações de três espécies de botos do estado do Amapá”.(O Eco, 30 de julho de 2021)Se compararmos as nadadeiras dos botos com as patas de uma onça, podemos dizer que elas são estruturas
Aanálogas, resultado da irradiação adaptativa.
Bhomólogas, resultado da divergência evolutiva.
Canálogas, resultado da evolução convergente.
Dhomólogas, resultado da convergência adaptativa.
Eanálogas, resultado da divergência evolutiva.
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GabaritoB — homólogas, resultado da divergência evolutiva.
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Estruturas homólogas e análogas: nadadeiras de boto × patas de onça
Gabarito: letra B. As nadadeiras dos botos e as patas de uma onça são estruturas homólogas, pois compartilham a mesma origem embrionária (membros locomotores de mamíferos), apesar de exercerem funções diferentes — nadar versus andar. Essa relação é resultado da divergência evolutiva, em que um ancestral comum deu origem a estruturas modificadas em linhagens distintas. O conceito central é a distinção entre homologia (origem comum) e analogia (função semelhante por pressões ambientais), que a banca explora ao comparar um mamífero aquático com um mamífero terrestre.
A questão cobra um dos pilares da evolução biológica: a interpretação de semelhanças anatômicas entre espécies. Quando duas estruturas têm a mesma origem embrionária e derivam de um ancestral comum, são chamadas de homólogas — mesmo que a função atual seja diferente. É o caso das nadadeiras do boto (mamífero cetáceo) e das patas da onça (mamífero carnívoro): ambas são membros locomotores de mamíferos, com o mesmo plano básico de ossos (úmero, rádio, ulna, etc.), mas adaptados a ambientes diferentes. Essa modificação a partir de um ancestral comum é a divergência evolutiva.
Por outro lado, estruturas que têm origens embrionárias diferentes mas exercem funções semelhantes são análogas, resultado da evolução convergente — como as asas de um morcego (mamífero) e as asas de uma ave (réptil): ambas servem para voar, mas não derivam de um ancestral comum com asas. A pegadinha da banca está em associar "nadadeiras" a "analogia" por causa da função de nadar, mas o critério decisivo é a origem evolutiva, não a função.
Aqui, o boto e a onça são ambos mamíferos, então a comparação é entre estruturas de mesma origem — homólogas. A divergência evolutiva explica como um ancestral comum deu origem a membros adaptados à natação (nadadeiras) e à locomoção terrestre (patas).
Estruturas homólogas × análogas
1Homólogas
Mesma origem embrionária
Ancestral comum
Função pode diferir
Resultado: divergência evolutiva
Ex.: nadadeira de boto × pata de onça
2Análogas
Origem embrionária diferente
Função semelhante
Resultado: evolução convergente
Ex.: asa de morcego × asa de ave
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que são análogas e resultado da irradiação adaptativa. Erro duplo: as nadadeiras do boto e as patas da onça são homólogas (mesma origem embrionária), não análogas. Além disso, a irradiação adaptativa é um processo em que uma linhagem ancestral se diversifica em várias formas adaptadas a diferentes ambientes — o que explica a diversificação dos mamíferos, mas não é o termo que descreve a relação entre duas estruturas homólogas específicas. O termo correto para a relação entre estruturas homólogas é divergência evolutiva.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As nadadeiras do boto e as patas da onça são homólogas: compartilham a mesma origem embrionária e derivam de um ancestral comum de mamíferos. A divergência evolutiva é o processo que explica como essas estruturas se modificaram em linhagens diferentes, adaptando-se a funções distintas (nadar e andar). É exatamente o que a alternativa afirma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que são análogas e resultado da evolução convergente. Erro: as estruturas são homólogas, não análogas. A evolução convergente produz estruturas análogas (função semelhante, origem diferente), o que não se aplica aqui, pois boto e onça são mamíferos com ancestral comum.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que são homólogas, mas resultado da convergência adaptativa. Erro no processo: estruturas homólogas são resultado da divergência evolutiva, não da convergência. A convergência adaptativa (evolução convergente) gera estruturas análogas, não homólogas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que são análogas e resultado da divergência evolutiva. Erro duplo: as estruturas são homólogas, não análogas; e a divergência evolutiva está associada à homologia, não à analogia. A combinação está invertida.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o aluno a associar "nadadeiras" com "analogia" por causa da função de nadar, mas o critério é a origem evolutiva. Boto e onça são ambos mamíferos — estruturas com mesma origem são homólogas, independentemente da função. Fique atento: a palavra-chave é "origem", não "função".
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões de homologia × analogia, pergunte-se: "as estruturas vêm do mesmo ancestral comum?" Se sim → homólogas (divergência). Se não → análogas (convergência). Exemplos clássicos: asas de morcego e de ave (análogas); braço humano e asa de morcego (homólogas).