Questão de Biologia — Hereditariedade e diversidade da vida — FGV 2022
- Código
- fg051878
- Banca
- FGV
- Órgão
- SEAD-AP
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de Educação Básica - Biologia
- AF, V e F.
- BF, V e V.
- CV, F e F.
- DV, V e F.
- EF, F e V.
GabaritoC — V, F e F.
Gabarito: letra C — as afirmativas são, respectivamente, V, F e F. A primeira é verdadeira porque a proporção de bases púricas e pirimídicas varia entre espécies (regra de Chargaff); a segunda é falsa porque uma base púrica sempre pareia com uma pirimídica (A-T e G-C), e não com outra púrica; a terceira é falsa porque a temperatura de desnaturação é tanto maior quanto maior for a proporção de pares G-C, que possuem três pontes de hidrogênio, e não A-T, que possuem apenas duas.
A questão explora as regras de Chargaff e o pareamento complementar das bases nitrogenadas do DNA, descobertas que foram fundamentais para Watson e Crick proporem o modelo da dupla hélice em 1953. Chargaff observou que, no DNA de qualquer espécie, a quantidade de adenina (A) é igual à de timina (T), e a quantidade de guanina (G) é igual à de citosina (C) — ou seja, A = T e G = C. Essa relação decorre do pareamento específico entre uma base púrica e uma pirimídica: adenina (púrica) pareia com timina (pirimídica) por duas pontes de hidrogênio, e guanina (púrica) pareia com citosina (pirimídica) por três pontes de hidrogênio.
A desnaturação do DNA ocorre quando as pontes de hidrogênio entre as fitas são rompidas, separando as duas cadeias. Como o par G-C possui três pontes de hidrogênio (mais forte) e o par A-T possui apenas duas (mais fraco), quanto maior a proporção de pares G-C, maior a temperatura necessária para desnaturar a molécula. A afirmativa inverte essa relação ao afirmar que a temperatura é maior com mais pares A-T.
A quantidade de bases púricas e pirimídicas que compõem o genoma varia de uma espécie para outra. Isso é correto: Chargaff demonstrou que, embora A = T e G = C dentro de uma mesma espécie, a proporção relativa entre os pares (por exemplo, a razão A+T/G+C) difere entre espécies. Essa variação é justamente o que permite que o DNA carregue informações específicas de cada organismo.
Uma base púrica sempre pareia outra base púrica e, consequentemente, no DNA de uma espécie o percentual de bases púricas é igual ao de pirimídicas. O erro está na primeira parte: uma base púrica (A ou G) sempre pareia com uma base pirimídica (T ou C), nunca com outra púrica. O pareamento é sempre entre uma púrica e uma pirimídica: A-T e G-C. A consequência (percentual de púricas igual ao de pirimídicas) até seria verdadeira, mas a premissa do pareamento púrica-púrica é incorreta, tornando a afirmativa falsa.
A molécula de DNA pode ser desnaturada pelo calor e a temperatura necessária para tal é tanto maior, quanto maior for a proporção de pares de bases A-T da molécula. O erro está na relação: a temperatura de desnaturação é tanto maior quanto maior for a proporção de pares G-C, não A-T. Isso porque o par G-C possui três pontes de hidrogênio, enquanto o par A-T possui apenas duas. Mais pontes de hidrogênio exigem mais energia (calor) para serem rompidas.
A banca inverte a relação entre o número de pontes de hidrogênio e a temperatura de desnaturação. O candidato que lembra que A-T tem duas pontes e G-C tem três pode cair na armadilha de achar que mais A-T significa mais estabilidade — mas é o contrário: mais G-C (três pontes) torna a molécula mais resistente ao calor. Fique atento a essa inversão clássica!
Para fixar, lembre-se: G-C = três pontes = mais forte = maior temperatura de desnaturação. Sempre que a questão falar em desnaturação, pense em G-C como o par "resistente" e A-T como o par "frágil".
Gabarito: letra C — V, F e F.
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