Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2022
Português›Interpretação de Textos
Código
fg052256
Banca
FGV
Órgão
SEAD-AP
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Tradutor e Intérprete de Libras - Língua Portuguesa
Observe quatro maneiras distintas de solicitar o empréstimo de uma caneta:– Você, por acaso, teria uma caneta?– Desculpe-me! Eu esqueci minha caneta.– Empreste-me uma caneta.– Sua caneta!Sobre essas formas de solicitação, assinale a observação adequada.
AMostram formas diferentes para interlocutores diferentes.
BIndicam formas igualmente eficientes, independentes da situação.
CVariam segundo o grau de instrução do enunciador.
DDocumentam tipos de frases na voz ativa e na passiva.
EExemplificam frases pessoais e impessoais.
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GabaritoA — Mostram formas diferentes para interlocutores diferentes.
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Variação linguística nas formas de solicitação
Gabarito: letra A. As quatro formas de pedir uma caneta variam conforme o interlocutor e o contexto social, não por grau de instrução, eficiência invariável ou estrutura gramatical.
A questão apresenta quatro maneiras de solicitar o empréstimo de uma caneta:
"Você, por acaso, teria uma caneta?" – forma polida, condicional, típica de situações formais ou com estranhos.
"Desculpe-me! Eu esqueci minha caneta." – indireta, pede desculpas e justifica, sugerindo a necessidade; cordial.
"Empreste-me uma caneta." – direta, imperativa, comum entre conhecidos ou em situações informais.
"Sua caneta!" – extremamente direta, quase grosseira, uso entre íntimos.
Essas diferenças mostram que o falante escolhe a forma de acordo com quem é o interlocutor (hierarquia, intimidade, contexto). É a variação de registro (formal/informal) determinada pela relação entre os falantes.
Formas de solicitação
1Variação de registro
Formal/polido
"Você, por acaso, teria uma caneta?"
"Desculpe-me! Eu esqueci minha caneta."
Informal/direto
"Empreste-me uma caneta."
"Sua caneta!"
2Fator determinante
Interlocutor (hierarquia, intimidade)
Contexto social
3Não depende de
Grau de instrução
Eficiência invariável
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As formas realmente se destinam a interlocutores diferentes: a primeira é adequada a desconhecidos ou superiores; a segunda, a colegas; a terceira, a amigos; a quarta, a íntimos. O texto não explicita os interlocutores, mas a variação de polidez é um fenômeno sociolinguístico bem documentado: a escolha do registro depende do ouvinte.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que as formas são igualmente eficientes em qualquer situação. Erro de generalização: cada forma é eficiente apenas no contexto adequado. Usar "Sua caneta!" com um chefe seria rude e ineficaz; usar "Você, por acaso, teria uma caneta?" com um amigo próximo pode soar artificial. A eficiência depende da situação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Atribui a variação ao grau de instrução do enunciador. Embora a escolaridade possa influenciar o repertório, as formas dadas não são hierarquizadas por instrução: uma pessoa com alta escolaridade pode usar "Empreste-me uma caneta" em contexto informal, e uma pessoa com baixa escolaridade pode usar "Você, por acaso, teria uma caneta?" se aprendeu a ser polida. O fator principal é o interlocutor e a situação, não a instrução. A alternativa tangencia o tema (confunde causa).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Alega que as frases exemplificam voz ativa e passiva. Nenhuma das quatro está na voz passiva. Todas têm verbos na ativa: "teria" (ativo), "esqueci" (ativo), "empreste" (ativo), e "Sua caneta!" é uma frase nominal sem verbo, mas não há passiva. A alternativa contradiz o texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que as frases são pessoais e impessoais. Todas são pessoais: a primeira tem sujeito "você"; a segunda, sujeito "eu"; a terceira, sujeito oculto ("você" implícito); a quarta é uma frase nominal que se dirige a alguém (pessoal). Não há exemplo de impessoalidade (como "Precisa-se de caneta"). A alternativa confunde conceito.