Questão de Direito Tributário — Impostos Estaduais — FGV 2022
Direito Tributário›Impostos Estaduais
Código
fg052505
Banca
FGV
Órgão
SEFAZ-AM
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Assistente Administrativo da Fazenda Estadual
João dos Santos, entrou com uma ação na Justiça Estadual do Amazonas requerendo que possa parar de pagar o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), além da devolução dos últimos 5 anos, pois na estrada que usa para chegar ao trabalho, apesar das inúmeras reclamações, há um buraco no asfalto que danifica todos os veículos.Sobre a pretensão de João, assinale a afirmativa correta.
ANão assiste razão a João, pois não se pode cobrar a destinação legal de imposto.
BSim, assiste razão a João, desde que comprovados os danos.
CSim, assiste razão a João, desde que comprovadas as reclamações na Secretaria competente.
DNão assiste razão a João, pois só a Associação de Moradores teria legitimidade para entrar com a ação.
ESim, assiste razão a João, desde que não tenha recebido multas no período.
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GabaritoA — Não assiste razão a João, pois não se pode cobrar a destinação legal de imposto.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
IPVA e a não vinculação da receita dos impostos
Gabarito: letra A. Não assiste razão a João, pois os impostos são tributos não vinculados: a receita arrecadada não precisa ser destinada a uma finalidade específica (como a manutenção de estradas), conforme o art. 16 do CTN e o art. 167, IV, da CF/88. A existência de um buraco na estrada não autoriza o contribuinte a deixar de pagar o IPVA nem a exigir devolução do que já pagou.
O IPVA é um imposto estadual que incide sobre a propriedade de veículos automotores terrestres. Como todo imposto, sua obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica relativa ao contribuinte — no caso, a mera propriedade do veículo. Isso significa que o Estado não precisa prestar um serviço diretamente ligado ao contribuinte para cobrar o imposto; a receita obtida entra nos cofres públicos e pode ser utilizada livremente, conforme as prioridades orçamentárias.
A confusão que a questão explora é a ideia de que o IPVA deveria ser usado para a manutenção das estradas. Essa ideia é equivocada: os impostos são tributos não vinculados, ou seja, sua arrecadação não está atrelada a uma destinação específica. A Constituição apenas determina que parte da arrecadação seja repartida com os Municípios (art. 158, III, CF/88) e que percentuais mínimos sejam aplicados em educação e saúde, mas isso não cria um vínculo entre o pagamento do imposto e a prestação de um serviço individualizado.
A pretensão de João — parar de pagar o IPVA e obter devolução dos últimos 5 anos — não encontra amparo legal. O fato de a estrada estar esburacada pode gerar, em tese, responsabilidade civil do Estado por danos materiais, mas isso é uma questão autônoma, que deve ser resolvida em ação própria de indenização, e não autoriza a suspensão do pagamento do tributo ou a restituição do que já foi pago.
Impostos (tributos não vinculados)
1Fato gerador
Situação independente de atividade estatal
Ex.: propriedade de veículo (IPVA)
2Destinação da receita
Livre (prioridades orçamentárias)
Não se exige aplicação específica
3Confusão comum
Taxa (vinculada a serviço específico)
Imposto (não vinculado)
4Consequência
Não cabe suspender pagamento
Não cabe devolução
Cabe ação de indenização (danos)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que não assiste razão a João, pois não se pode cobrar a destinação legal de imposto. Os impostos são tributos não vinculados: a lei não pode condicionar o pagamento do IPVA à aplicação da receita em determinada finalidade, como a manutenção de estradas. O art. 16 do CTN define imposto como o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica. Assim, a existência de um buraco na estrada não afeta a exigibilidade do tributo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que assiste razão a João desde que comprovados os danos. O erro está em condicionar a procedência do pedido à comprovação de danos. Mesmo que João comprove que o buraco danificou seu veículo, isso não o exime do pagamento do IPVA, pois o imposto não é vinculado à prestação de serviço de conservação de estradas. A comprovação de danos poderia fundamentar uma ação de indenização contra o Estado, mas não a suspensão do tributo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa condiciona a procedência do pedido à comprovação de reclamações na Secretaria competente. O erro é o mesmo: reclamações administrativas não têm o condão de afastar a exigibilidade do IPVA. A obrigação tributária nasce da propriedade do veículo, independentemente de qualquer providência administrativa do contribuinte. A comprovação de reclamações poderia, no máximo, evidenciar a ciência do Estado sobre o problema, mas não altera a natureza não vinculada do imposto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que só a Associação de Moradores teria legitimidade para entrar com a ação. Isso é falso: qualquer contribuinte tem legitimidade para pleitear em juízo a tutela de seus direitos, inclusive discutir a exigibilidade de tributo. A legitimidade ativa não é exclusiva de associações. Além disso, a ação de João não seria cabível por falta de fundamento material, e não por ilegitimidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa condiciona a procedência do pedido ao fato de João não ter recebido multas no período. O erro é duplo: primeiro, multas de trânsito não têm relação com a obrigação de pagar IPVA; segundo, mesmo que João não tivesse multas, isso não o eximiria do tributo. A existência de multas é irrelevante para a análise da pretensão de suspensão do IPVA.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que o IPVA deveria ser usado para a manutenção das estradas, explorando a confusão entre imposto e taxa. Enquanto a taxa é vinculada a uma atividade estatal específica (como a coleta de lixo), o imposto é não vinculado — sua receita pode ser usada para qualquer fim público. Lembre-se: o IPVA é imposto, portanto, não vinculado. 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre destinação de tributos, pergunte-se: a obrigação nasce de uma atividade estatal específica? Se sim, é taxa (vinculada); se não, é imposto (não vinculado). No caso do IPVA, o fato gerador é a propriedade do veículo — nada a ver com a prestação de serviço de conservação de estradas.