Pular para o conteúdo principal

Questão de Direito Tributário — IPVA — FGV 2022

Direito TributárioIPVA
Código
fg052731
Banca
FGV
Órgão
SEFAZ-AM
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Técnico da Fazenda Estadual - Tarde
Determinado Estado da Federação passou a cobrar IPVA dos donos de bicicletas elétricas por uma decisão administrativa, sob o argumento de que são devedoras do tributo por analogia às motocicletas.Sobre esta cobrança, assinale a afirmativa correta.
  1. ASim, pois a fiscalização é a mesma que a das motocicletas.
  2. BNão, pois seria necessário decreto que estabelecesse tal cobrança.
  3. CSim, pois a analogia pode ser utilizada na falta de disposição expressa.
  4. DNão, pois o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei.
  5. ENão, por se tratar de equidade e não de analogia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Não, pois o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

IPVA e o princípio da legalidade estrita: a vedação à analogia

Gabarito: letra D. A cobrança de IPVA sobre bicicletas elétricas por decisão administrativa, com base em analogia às motocicletas, é ilegal, pois o emprego da analogia não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei (CTN, art. 108, § 1º). A instituição de tributos exige lei em sentido estrito, e a analogia é vedada para criar ou ampliar a incidência tributária.

O IPVA é um imposto de competência dos Estados e do Distrito Federal, incidente sobre a propriedade de veículos automotores. A Constituição Federal, em seu art. 155, III, atribui a esses entes a competência para instituí-lo, mas a criação do tributo, a definição do fato gerador, da base de cálculo e do contribuinte dependem de lei ordinária estadual ou distrital. A analogia, como método de integração da legislação tributária, é admitida apenas para suprir lacunas em situações não previstas, mas com uma limitação expressa: não pode ser utilizada para exigir tributo que não esteja previsto em lei. Essa é a regra do art. 108, § 1º, do Código Tributário Nacional, que consagra o princípio da legalidade estrita em matéria tributária.

No caso concreto, a bicicleta elétrica não é veículo automotor para fins de IPVA, pois não possui motor de combustão interna e não se enquadra no conceito legal de veículo automotor (que exige propulsão a motor, conforme o Código de Trânsito Brasileiro). A decisão administrativa que estende a incidência do IPVA às bicicletas elétricas por analogia às motocicletas viola frontalmente o princípio da legalidade, pois cria uma nova hipótese de incidência sem lei. A analogia não pode suprir a ausência de previsão legal para criar tributo, sob pena de ofensa à reserva legal e à segurança jurídica.

A alternativa D está correta ao afirmar que o emprego da analogia não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei. As demais alternativas ou afirmam a possibilidade da cobrança (A e C) ou apresentam fundamentos equivocados (B e E).

Integração da legislação tributária (art. 108)
  • 1Analogia (I)
    • Não pode exigir tributo não previsto em lei (§1º)
  • 2Princípios gerais de direito tributário (II)
  • 3Princípios gerais de direito público (III)
  • 4Equidade (IV)
    • Não pode dispensar tributo devido (§2º)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a cobrança é possível porque a fiscalização é a mesma que a das motocicletas. Esse argumento é irrelevante para a validade da cobrança. A fiscalização é atividade administrativa que pode ser exercida sobre qualquer bem, mas a instituição de tributo exige lei. A identidade de fiscalização não supre a ausência de previsão legal para a incidência do IPVA sobre bicicletas elétricas. O erro está em confundir a atividade fiscalizatória com a criação do tributo, que é matéria reservada à lei.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a cobrança seria possível se houvesse decreto estabelecendo-a. Isso é incorreto, pois a instituição de tributos, inclusive o IPVA, exige lei em sentido estrito (lei ordinária estadual ou distrital), e não decreto. O decreto é ato administrativo infralegal, que não pode criar tributos, sob pena de violação ao princípio da legalidade (CF, art. 150, I). A alternativa erra ao admitir a possibilidade de decreto para instituir tributo, quando a Constituição exige lei.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a analogia pode ser utilizada na falta de disposição expressa. Embora a analogia seja admitida como método de integração da legislação tributária (CTN, art. 108, I), ela não pode ser utilizada para exigir tributo não previsto em lei. O art. 108, § 1º, do CTN veda expressamente essa possibilidade. A alternativa ignora essa limitação e, portanto, está incorreta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o emprego da analogia não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei. Essa é a regra do art. 108, § 1º, do CTN, que veda a utilização da analogia para criar ou ampliar a incidência tributária. No caso, a cobrança de IPVA sobre bicicletas elétricas por analogia às motocicletas é ilegal, pois não há lei que preveja essa incidência. A alternativa está correta e é o gabarito da questão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a cobrança não é possível por se tratar de equidade e não de analogia. A equidade é outro método de integração da legislação tributária (CTN, art. 108, IV), mas também não pode resultar na dispensa do pagamento de tributo devido (CTN, art. 108, § 2º). No caso, a cobrança foi baseada em analogia, e não em equidade. A alternativa erra ao classificar o fundamento da cobrança como equidade, quando na verdade foi analogia. Além disso, a equidade também não poderia fundamentar a criação de tributo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao apresentar a analogia como método válido de integração (alternativa C) e a equidade como fundamento (alternativa E). A pegadinha está em não perceber que, embora a analogia seja admitida no art. 108, I, do CTN, o § 1º do mesmo artigo veda seu uso para exigir tributo não previsto em lei. O candidato que conhece apenas o inciso I pode marcar a alternativa C, mas a leitura completa do artigo revela a limitação. Fique atento: a banca adora explorar a literalidade do § 1º do art. 108 do CTN.

NÃO CAIA NESSA!

Para questões sobre integração da legislação tributária, memorize a ordem do art. 108 do CTN (analogia, princípios gerais de direito tributário, princípios gerais de direito público e equidade) e, principalmente, as vedações dos §§ 1º e 2º: a analogia não pode exigir tributo não previsto em lei, e a equidade não pode dispensar o pagamento de tributo devido. Essa é uma das pegadinhas mais recorrentes em provas de Direito Tributário.

Gabarito: letra D.

Link permanente: /questoes/fg052731