Pular para o conteúdo principal

Questão de Legislação Penal Especial — Lei de Organização Criminosa – Lei nº 12.850 de 2013 — FGV 2022

Legislação Penal EspecialLei de Organização Criminosa – Lei nº 12.850 de 2013
Código
fg053272
Banca
FGV
Órgão
Senado Federal
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Advogado
Sobre as medidas investigativas admitidas pela Lei nº 12.850/2013 (Lei de Combate às Organizações Criminosas), assinale a afirmativa correta.
  1. AAs medidas de captação ambiental e de interceptação telefônica têm os mesmos requisitos legais.
  2. BAs provas fornecidas pelo colaborador não poderão ser aproveitadas em caso de rescisão do acordo de colaboração.
  3. CA ação controlada deve ser autorizada judicialmente.
  4. DO Ministério Público pode deixar de denunciar o líder da organização se ele for o primeiro a colaborar para a apuração de delito desconhecido das autoridades.
  5. EO agente infiltrado não será punido se cometer delitos no interesse da organização, a menos que tenha excedido aos limites estabelecidos judicialmente e lhe fosse exigível comportamento diverso.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — O agente infiltrado não será punido se cometer delitos no interesse da organização, a menos que tenha excedido aos limites estabelecidos judicialmente e lhe fosse exigível comportamento diverso.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lei de Organizações Criminosas – Meios de Obtenção de Prova

Gabarito: letra E. O agente infiltrado que comete delitos no interesse da organização não é punido, desde que respeite os limites da autorização judicial; se excedê-los e lhe for exigível comportamento diverso, responde pelo excesso (art. 13, §2º da Lei 12.850/2013). As demais alternativas apresentam distorções quanto aos requisitos legais.

Medida Investigativa

Requisito Legal Principal

Autorização Judicial

Regime Legal Específico

Captação ambiental

Necessidade de outro meio de prova (art. 3º, II, Lei 12.850/2013)

Sim, quando não houver outro meio

Lei 12.850/2013

Interceptação telefônica

Indícios de autoria e imprescindibilidade (Lei 9.296/1996)

Sim, obrigatória

Lei 9.296/1996

Ação controlada

Comunicação ao juiz, que autoriza o prosseguimento (art. 8º, §§1º e 2º, Lei 12.850/2013)

Não obrigatória prévia; autorização para continuidade

Lei 12.850/2013

Colaboração premiada

Acordo homologado judicialmente (art. 4º, Lei 12.850/2013)

Sim, para homologação

Lei 12.850/2013

Infiltração de agente

Limites da autorização judicial (art. 13, §2º, Lei 12.850/2013)

Sim, obrigatória

Lei 12.850/2013

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a captação ambiental e a interceptação telefônica têm os mesmos requisitos. Na verdade, a interceptação telefônica é regida pela Lei 9.296/1996 (exige autorização judicial, indícios de autoria etc.), enquanto a captação ambiental (art. 3º, II, Lei 12.850/2013) tem requisitos próprios, como a necessidade de autorização judicial quando não houver outro meio de prova. São regimes distintos, não idênticos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que as provas fornecidas pelo colaborador não podem ser aproveitadas em caso de rescisão do acordo. O art. 4º, §10 da Lei 12.850/2013 (não transcrito no contexto, mas pacífico) estabelece que as provas autoincriminatórias produzidas pelo colaborador não poderão ser utilizadas exclusivamente em seu desfavor, mas a rescisão do acordo não invalida automaticamente as provas obtidas, que podem ser usadas contra terceiros. A afirmativa é genérica e falsa.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO? Não, é incorreta.

Afirma que a ação controlada "deve ser autorizada judicialmente". A redação do art. 8º, §§1º e 2º da Lei 12.850/2013 dispõe que o juiz poderá autorizar a ação controlada a requerimento, mas a ação será comunicada ao juiz, que, se for o caso, autorizará o prosseguimento. Isso não exige autorização judicial prévia obrigatória, mas sim comunicação e eventual autorização para continuidade. A alternativa erra ao impor a obrigatoriedade de autorização prévia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o Ministério Público pode deixar de denunciar o líder da organização se ele for o primeiro a colaborar para apuração de delito desconhecido. O art. 4º, §4º da Lei 12.850/2013 permite que o MP deixe de oferecer denúncia se a colaboração referir-se a infração de cuja existência não tenha prévio conhecimento. A lei não faz distinção quanto à posição hierárquica do colaborador (líder ou não). A condição de "primeiro a colaborar" também não é exigida. A afirmativa é falsa.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Nos termos do art. 13, §2º da Lei 12.850/2013, o agente infiltrado não é punível pelos crimes praticados no interesse da investigação, desde que dentro dos limites da autorização judicial. Se exceder esses limites e lhe for exigível comportamento diverso, responde pelo excesso. A alternativa reproduz corretamente essa excludente, com a ressalva do excesso. Portanto, letra E é a resposta.

NÃO CAIA NESSA!

Na alternativa C, a banca explora a falsa impressão de que a ação controlada exige autorização judicial prévia obrigatória. A lei prevê comunicação e autorização para prosseguimento, não necessariamente autorização anterior. Atenção ao verbo "deve".

Link permanente: /questoes/fg053272