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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2022

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg053676
Banca
FGV
Órgão
Senado Federal
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Registro e Redação Parlamentar
Observe um trecho do discurso parlamentar do então deputado Carlos Lacerda sobre o projeto de fixar-se o texto da carta testamento de Getúlio Vargas nas escolas públicas de São Paulo:

“Sr. Presidente:
O texto dessa carta, seja ela apócrifa ou não, é um texto de luta política, é um texto de pronunciamento apaixonado que se atribui a um homem no momento culminante da sua vida, isto é, no momento em que deliberou dar-se morte por suas próprias mãos. É um texto de paixão, é um texto de violência, é um texto que consagra o suicídio como norma para a decisão da vida de um homem. É, portanto, um texto, embora de autenticidade duvidosa, ou ainda que autêntico, diria mesmo, precisamente se autêntico, capaz de merecer o respeito até dos adversários daquele a quem se atribui a autoria, mas nunca para ser afixado e, muito menos, obrigatoriamente, nas escolas públicas de uma cidade de qualquer país. Porque: primeiro, o texto dessa carta faz o elogio do suicídio, o que não é, evidentemente, ensinamento a legar, ou a impor, ainda menos a impor, às crianças que frequentam as escolas públicas de uma cidade; segundo, é um texto de combate, de polêmica política, é um texto de violento revide, num momento de paixões desencadeadas dentro de uma situação histórica determinada. Não é o documento básico de uma nação. [....] É um texto, repito, cuja autenticidade está por ser demonstrada; mas, demonstrada que fosse ou venha a ser, não é, certamente, um texto para figurar nas paredes das escolas públicas. Primeiro, porque faz o elogio, faz a apologia da violência contra o próprio corpo pelo suicídio, solução extrema, solução que respeito, mas que não posso ver recomendada às crianças do meu País. E, ainda, porque o seu contexto, impregnado de paixão, digamos legítima - aceitemos -, de paixão compreensível, de revide mais do que respeitável até, mas de revide em todo o caso, não deve figurar à porta sacrossanta das escolas em que se forma a mentalidade das crianças brasileiras.” 
O texto mostra um conjunto de segmentos que funcionam como argumentos contrários à afixação nas escolas públicas de São Paulo da carta deixada por Getúlio Vargas no dia em que se suicidou.Assinale a opção que mostra o segmento que representa um contra-argumento.
  1. A“...o texto dessa carta faz o elogio do suicídio, o que não é, evidentemente, ensinamento a legar...”
  2. B“Não é o documento básico de uma nação.”
  3. C“...porque faz o elogio, faz a apologia da violência contra o próprio corpo pelo suicídio, solução extrema, solução que respeito, mas que não posso ver recomendada às crianças do meu País.”
  4. D“...porque o seu contexto, impregnado de paixão, digamos legítima - aceitemos -, de paixão compreensível, de revide mais do que respeitável até, mas de revide em todo o caso, não deve figurar à porta sacrossanta das escolas ...”
  5. E“...é um texto de pronunciamento apaixonado que se atribui a um homem no momento culminante da sua vida, isto é, no momento em que deliberou dar-se morte por suas próprias mãos.”
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GabaritoB — “Não é o documento básico de uma nação.”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Contra-argumento no discurso de Carlos Lacerda

Gabarito: letra B. O segmento "Não é o documento básico de uma nação" funciona como um contra-argumento, pois refuta diretamente uma possível defesa de que a carta seria um documento nacional fundamental. As demais alternativas são argumentos diretos contra a afixação, não contra-argumentos.

A questão exige distinguir, no discurso de Lacerda, qual segmento atua como contra-argumento — ou seja, um argumento que antecipa e rebate uma objeção favorável ao ponto oposto. Lacerda lista várias razões pelas quais a carta não deve ser afixada, mas em meio a elas insere uma negação categórica: "Não é o documento básico de uma nação." Essa frase contesta a ideia (implícita) de que a carta teria статус de documento nacional relevante, o que poderia ser usado a favor de sua exibição. Por isso é um contra-argumento.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"...o texto dessa carta faz o elogio do suicídio, o que não é, evidentemente, ensinamento a legar..."

Trata-se de um argumento direto contra a afixação, não um contra-argumento. O orador simplesmente aponta um problema.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Não é o documento básico de uma nação."

Esta afirmação nega uma possível qualificação positiva da carta (ser um documento nacional). Ela funciona como contra-argumento porque refuta um ponto que poderia ser usado a favor da exibição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"...porque faz o elogio, faz a apologia da violência contra o próprio corpo pelo suicídio..."

Assim como A, é argumento direto: a carta incita à violência. Não há oposição a um argumento favorável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"...porque o seu contexto, impregnado de paixão... não deve figurar à porta sacrossanta das escolas..."

Mais um argumento direto, ligado ao contexto passional. Não configura contra-argumento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"...é um texto de pronunciamento apaixonado que se atribui a um homem no momento culminante da sua vida..."

Apenas descreve a carta, não apresenta argumento contrário ou contra-argumento.

NÃO CAIA NESSA!

O candidato pode confundir qualquer argumento contrário com "contra-argumento". A banca quer o segmento que especificamente nega uma possível justificativa favorável — e isso só ocorre em B.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de argumentação, identifique se o trecho ataca diretamente o ponto defendido (argumento) ou se rebate uma objeção prevista (contra-argumento).

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