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Questão de Direitos Humanos — Estatuto de Roma e o Tribunal Penal Internacional — FGV 2022

Direitos HumanosEstatuto de Roma e o Tribunal Penal Internacional
Código
fg054083
Banca
FGV
Órgão
Senado Federal
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Consultor Legislativo - Direitos Humanos e Cidadania
Maria, estudante de direito, questionou seu professor a respeito da possibilidade de o nacional de um País, acusado da prática de violações massivas aos direitos humanos, ser responsabilizado perante o Tribunal Penal Internacional.Após analisar as normas do Estatuto de Roma e a forma como vêm sendo interpretadas, o professor respondeu corretamente que o referido Tribunal
  1. Atem por objetivo coibir os crimes contra a humanidade, daí decorrendo a natural inferência lógica de que está originariamente lastreado em bases não convencionais.
  2. Bestá lastreado no direito internacional convencional, somente alcançando os nacionais dos Estados que reconheceram a competência do Tribunal e anuíram em extraditá-los.
  3. Cembora tenha bases convencionais, o Estado brasileiro apresentou reserva ao Estatuto de Roma, opondo-se à possibilidade de extraditar os seus nacionais.
  4. Dapesar de inicialmente lastreado no direito internacional convencional, já atua contra nacionais de Estados que não reconheceram a sua competência.
  5. Ea exemplo dos tribunais ad hoc, instituídos no âmbito das Nações Unidas, está lastreado exclusivamente no direito internacional convencional.
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GabaritoD — apesar de inicialmente lastreado no direito internacional convencional, já atua contra nacionais de Estados que não reconheceram a sua competência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tribunal Penal Internacional e a jurisdição sobre nacionais de Estados não-partes

Gabarito: letra D. O Tribunal Penal Internacional (TPI) foi criado pelo Estatuto de Roma (tratado multilateral), portanto lastreado no direito internacional convencional. Contudo, o Conselho de Segurança da ONU pode, com base no Capítulo VII da Carta da ONU, submeter à jurisdição do TPI situações de Estados não-partes (ex.: Resoluções 1593/2005 sobre Darfur e 1970/2011 sobre a Líbia). Essa possibilidade permite que nacionais de países que não reconheceram a competência do Tribunal sejam processados, o que torna a alternativa D a única correta.

A questão testa o conhecimento sobre a base legal do TPI e as exceções à regra da jurisdição apenas sobre Estados-partes. Muitos candidatos desconhecem a competência do Conselho de Segurança para referir situações a Estados não-signatários.

Característica

Tribunal Penal Internacional (TPI)

Exceção à regra geral

Base legal

Direito internacional convencional (Estatuto de Roma)

—

Jurisdição sobre nacionais de Estados-partes

Sim (regra geral)

—

Jurisdição sobre nacionais de Estados não-partes

Não (regra geral)

Sim, por referência do Conselho de Segurança da ONU (Capítulo VII da Carta) ou por aceitação ad hoc do Estado não-parte (art. 12, §3º do Estatuto)

Fundamento da exceção

—

Resoluções do Conselho de Segurança (ex.: Darfur, Líbia)

Jurisdição do TPI
  • 1Regra geral
    • Estados-partes do Estatuto de Roma
    • Aceitação ad hoc (art. 12, §3º)
  • 2Exceção
    • Conselho de Segurança da ONU (Cap. VII)
    • Nacionais de Estados não-partes
  • 3Entrega (surrend)
    • Instituto diverso da extradição
    • Brasil entrega sem reserva
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o TPI está originariamente lastreado em bases não convencionais. Erro: o TPI foi criado pelo Estatuto de Roma, um tratado internacional multilateral (base convencional). Não há fundamento em fontes não convencionais, como costume internacional, para sua criação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que o TPI somente alcança nacionais de Estados que reconheceram sua competência e anuíram em extraditá-los. Erro: embora a regra geral seja a jurisdição sobre Estados-partes, o TPI pode atuar contra nacionais de Estados não-partes por meio de referência do Conselho de Segurança da ONU, sem necessidade de extradição (o instituto aplicável é a entrega/surrend, não extradição). Além disso, um Estado não-parte pode aceitar a jurisdição ad hoc para um caso específico (art. 12, §3º do Estatuto de Roma).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Alega que o Brasil apresentou reserva ao Estatuto de Roma, opondo-se à extradição de seus nacionais. Erro: o Brasil ratificou o Estatuto de Roma sem reservas. A Constituição Federal proíbe a extradição de brasileiros natos (art. 5º, LI), mas a entrega ao TPI é considerada instituto diverso, e o Brasil cumpre as decisões do Tribunal. Não há reserva nesse sentido.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque reconhece a base convencional inicial (Estatuto de Roma) e a possibilidade de atuação contra nacionais de Estados não-partes, especialmente por meio de referência do Conselho de Segurança da ONU. Exemplos práticos: a investigação sobre crimes no Sudão (não-parte) e na Líbia (à época não-parte).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o TPI está lastreado exclusivamente no direito internacional convencional, a exemplo dos tribunais ad hoc. Erro: os tribunais ad hoc (TPIJ, TPIR) foram criados por resoluções do Conselho de Segurança (direito derivado da ONU), não por tratado. Já o TPI é baseado em tratado (Estatuto de Roma), mas também pode atuar com base em referência do Conselho de Segurança, não sendo exclusivamente convencional na sua atuação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa crença de que o TPI só julga nacionais de Estados que ratificaram o Estatuto. O candidato pode ser tentado a marcar a alternativa B, mas ignora a competência do Conselho de Segurança para submeter situações de países não-signatários. Fique atento: o TPI é um tribunal treaty-based, mas com mecanismos que transcendem a adesão voluntária.

Gabarito: letra D

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