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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2022

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg054384
Banca
FGV
Órgão
Senado Federal
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Consultor Legislativo - Pronunciamentos
O discurso de Getúlio Vargas no dia 1º de maio de 1951 pode não ter mudado o mundo, mas certamente alterou o rumo do Brasil. À frente de um estádio de São Januário (RJ) lotado, o então presidente do país fez sua homenagem aos trabalhadores do Brasil, enfatizando suas políticas públicas de regularização do trabalho.O início desse discurso diz:“Trabalhadores do Brasil,Depois de quase 6 anos de afastamento, durante os quais nunca me saíram do pensamento a imagem e a lembrança do grato e longo convívio que mantive convosco, eis-me outra vez aqui ao vosso lado, para falar com a familiaridade amiga de outros tempos, e para dizer que voltei a fim de defender os interesses mais legítimos do povo, e promover as medidas indispensáveis ao bem-estar dos trabalhadores.Esta festa de 1º de maio tem para mim e para vós, uma expressão simbólica: é o primeiro dia de encontro entre os trabalhadores e o novo governo. E é com profunda emoção que retorno ao vosso convívio nesse ambiente de regozijo e festa nacional. Em que nos revemos uns aos outros a céu aberto e em que o governo fala ao povo de amigo para amigo na linguagem simples, leal e fraca que sempre lhes falei.Nas horas de glória e de triunfo, assim como nas de sofrimento e de perseguições, os trabalhadores foram sempre fiéis, desinteressados e valorosos. E posso repetir hoje, de coração, o que mais de uma vez proclamei: os trabalhadores nunca me decepcionaram. Nunca se aproximaram de mim para pleitear interesses particulares ou favores pessoais. Pleitearam sempre para a coletividade a que pertencem, pelo reconhecimento dos seus direitos, pela melhoria das suas condições de vida, pelas reivindicações da classe e pelo bem-estar dos seus semelhantes”.A estratégia discursiva que foi empregada predominantemente nesse segmento do discurso de Getúlio Vargas, é
  1. Aapelar para uma declaração inicial inesperada em função da situação em que é proferido o discurso.
  2. Butilizar, como diz o próprio orador, uma linguagem de registro popular a fim de que todos os ouvintes possam compreendê-lo.
  3. Cinserir o público na fala do discurso por meio de referências pronominais.
  4. Dapresentar imediatamente a tese do discurso, seguida de um exemplo concreto que permite a ancoragem na realidade.
  5. Eelogiar, sem justificativas, a classe dos trabalhadores, opondo-a implicitamente às demais classes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — inserir o público na fala do discurso por meio de referências pronominais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estratégia discursiva no discurso de Getúlio Vargas

Gabarito: letra C. A estratégia predominante é inserir o público na fala por meio de referências pronominais, como se vê no uso constante de "convosco", "vosso", "vós" e "lhes" ao longo do trecho. A banca testa a capacidade de perceber que a coesão e a interação com os ouvintes são construídas principalmente pelos pronomes de segunda pessoa do plural, e não por outros recursos.

Análise do comando

A questão pergunta qual a estratégia discursiva predominante no segmento. "Predominante" significa a mais usada, a que dá o tom do discurso. Observando o texto, cada parágrafo começa com "Trabalhadores do Brasil" e repete pronomes como "convosco", "vosso", "vos", "lhes". Isso cria uma relação direta e pessoal entre o orador e a plateia.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"apelar para uma declaração inicial inesperada em função da situação em que é proferido o discurso."

O discurso começa de forma esperada: saudação e retomada do contato com os trabalhadores. Não há declaração surpreendente. O texto diz: "eis-me outra vez aqui ao vosso lado" – é uma retomada natural, não inesperada. Erro: extrapolação – atribui um efeito de surpresa que o texto não sustenta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"utilizar, como diz o próprio orador, uma linguagem de registro popular a fim de que todos os ouvintes possam compreendê-lo."

O orador afirma que fala "na linguagem simples, leal e franca" (não "fraca" como está na transcrição, provável erro de digitação). No entanto, "simples" não equivale a "popular". O discurso emprega o pronome "vós", típico da norma culta formal, e expressões como "familiaridade amiga" e "pleitear interesses particulares". Não há marcas de registro popular (gírias, coloquialismos); ao contrário, é um discurso solene. Erro: troca de conceito – confunde "linguagem simples" com "registro popular".

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"inserir o público na fala do discurso por meio de referências pronominais."

Logo na primeira linha: "Trabalhadores do Brasil" – vocativo que já inclui o interlocutor. Em seguida: "nunca me saíram do pensamento a imagem e a lembrança do grato e longo convívio que mantive convosco"; "eis-me outra vez aqui ao vosso lado"; "para falar com a familiaridade amiga"; "voltei a fim de defender os interesses..."; "esta festa de 1º de maio tem para mim e para vós"; "retorno ao vosso convívio"; "o governo fala ao povo de amigo para amigo"; "sempre lhes falei".

Todo o discurso é construído com pronomes de segunda pessoa do plural (vós, vosso, convosco, lhes) e o vocativo inicial, que fazem o ouvinte sentir-se parte da fala. Essa é a estratégia mais evidente e contínua.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"apresentar imediatamente a tese do discurso, seguida de um exemplo concreto que permite a ancoragem na realidade."

O discurso não começa com uma tese. Ele inicia com uma saudação e uma declaração emocional de retorno. A tese ("defender os interesses mais legítimos do povo") aparece depois, mas não é imediata nem seguida de exemplo concreto — é uma promessa genérica. Não há "exemplo concreto" no trecho. Erro: contradiz o texto – a estrutura descrita não corresponde ao início do discurso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"elogiar, sem justificativas, a classe dos trabalhadores, opondo-a implicitamente às demais classes."

O orador elogia os trabalhadores, mas com justificativas: "foram sempre fiéis, desinteressados e valorosos"; "nunca me decepcionaram"; "nunca se aproximaram de mim para pleitear interesses particulares ou favores pessoais. Pleitearam sempre para a coletividade". Há sim justificativas. Além disso, não se percebe oposição implícita a outras classes; o foco é apenas nos trabalhadores. Erro: contradiz o texto – afirma que não há justificativas, mas o texto as apresenta.

Conclusão: A única alternativa que descreve fielmente a estratégia predominante no discurso é a C.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com a alternativa B (linguagem popular) porque o autor diz "linguagem simples". Mas "simples" não é o mesmo que "popular" – o discurso usa pronomes formais (vós) e vocabulário rebuscado. A chave é perceber que a inserção pronominal é o recurso mais repetido e estruturante.

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