Questão de Português — Coesão e coerência — FGV 2022
Português›Coesão e coerência
Código
fg054770
Banca
FGV
Órgão
TCE-TO
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Analista Técnico - Letras
Numa fala de uma peça de teatro, um comediante holandês disse a seguinte frase: “É difícil encarar a realidade quando ela tem muitas faces”.A forma adequada de reescrever-se essa frase é:
AÉ difícil que encaremo-nos a realidade quando ela tem muitas faces;
BÉ difícil que se encarasse a realidade quando ela tem muitas faces;
CÉ difícil que a realidade seja encarada quando ela tem muitas faces;
DÉ difícil a realidade ter sido encarada quando ela tem muitas faces;
EÉ difícil que não se encare a realidade quando ela é multifacetada.
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GabaritoC — É difícil que a realidade seja encarada quando ela tem muitas faces;
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Reescrita da frase com verbos e vozes
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que reescreve a frase original mantendo o sentido e a correção gramatical: transforma a construção impessoal "É difícil encarar a realidade" em uma oração subordinada substantiva com verbo na voz passiva ("que a realidade seja encarada"), preservando o tempo presente e a relação temporal com a oração adverbial ("quando ela tem muitas faces").
Análise da frase original
“É difícil encarar a realidade quando ela tem muitas faces”
Trata-se de uma estrutura impessoal: "É difícil" + infinitivo ("encarar") + objeto direto ("a realidade") + oração adverbial temporal ("quando ela tem muitas faces"). O sentido é: enfrentar a realidade é difícil no contexto em que ela apresenta múltiplas faces.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"É difícil que encaremo-nos a realidade quando ela tem muitas faces"
Erro: A forma "encaremo-nos" é inviável: verbos não reflexivos como "encarar" não admitem o pronome "nos" enclítico. Além disso, a construção "É difícil que [nós] encaremos a realidade" tem sentido diferente — fala de uma dificuldade de que algo ocorra, não da dificuldade de realizar a ação. O uso do subjuntivo não se justifica como paráfrase do infinitivo original.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"É difícil que se encarasse a realidade quando ela tem muitas faces"
Erro: O verbo "encarasse" está no pretérito imperfeito do subjuntivo, enquanto a oração temporal usa o presente do indicativo ("tem"), criando incompatibilidade temporal. A frase original tem sentido genérico/presente. Além disso, a construção "que se encarasse" (se = índice de indeterminação do sujeito ou partícula apassivadora) é estranha e não equivale ao infinitivo impessoal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"É difícil que a realidade seja encarada quando ela tem muitas faces"
Acerto: A reescrita utiliza a voz passiva analítica ("seja encarada") no presente do subjuntivo, mantendo o tempo presente e a ideia de dificuldade. A estrutura "É difícil que [algo] seja feito" é equivalente a "É difícil fazer [algo]". A oração temporal permanece inalterada. É a única alternativa que preserva o sentido original e é gramaticalmente correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"É difícil a realidade ter sido encarada quando ela tem muitas faces"
Erro: O infinitivo composto "ter sido encarada" indica uma ação concluída no passado ("ter sido encarada" = ter-se enfrentado), o que altera o sentido temporal. A original é atemporal/presente. Além disso, a construção "É difícil a realidade ter sido encarada" soa artificial e não é uma paráfrase direta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"É difícil que não se encare a realidade quando ela é multifacetada"
Erro: Há dois desvios graves: (1) a inserção da negação "não" inverte o sentido: a frase original afirma que encarar é difícil; esta afirma que não encarar é difícil (ou seja, que é difícil evitar encarar). (2) A expressão "é multifacetada" substitui "tem muitas faces", o que não é uma mera paráfrase — além de alterar a estrutura (verbo ser + adjetivo vs. verbo ter + substantivo), o sentido é equivalente, mas a troca não é permitida em reescrita que deve manter as mesmas palavras sempre que possível? Na verdade, a questão exige reescrever a frase, não necessariamente manter as mesmas palavras, mas a alteração lexical não é o erro principal; o erro é a negação que muda o sentido. Portanto, alternativa errada.
PEGA ESSA DICA!
Na reescrita, desconfie de mudanças de tempo verbal, voz (ativa para passiva é permitida) e especialmente de negações inseridas. O subjuntivo pode ser usado se o contexto exigir, mas sempre verifique se o sentido permanece.
Conclusão: Apenas a letra C reescreve a frase original com fidelidade semântica e correção gramatical.