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Questão de Direito Processual Penal — Ônus da prova — FGV 2022

Direito Processual PenalÔnus da prova
Código
fg055435
Banca
FGV
Órgão
TJ-AP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Juiz de Direito Substituto
O Superior Tribunal de Justiça tem entendido, quanto ao ingresso forçado em domicílio, que não é suficiente apenas a ocorrência de crime permanente, sendo necessárias fundadas razões de que um delito está sendo cometido, para assim justificar a entrada na residência do agente, ou, ainda, a autorização para que os policiais entrem no domicílio.Segundo a nova orientação jurisprudencial, a comprovação dessa autorização, com prova da voluntariedade do consentimento, constitui:
  1. Ainteresse processual do acusado;
  2. Binteresse processual da acusação;
  3. Cfaculdade da acusação;
  4. Dfaculdade do acusado;
  5. Eônus da acusação.
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GabaritoE — ônus da acusação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ingresso forçado em domicílio e ônus da prova

Gabarito: letra E. A comprovação da autorização voluntária para ingresso em domicílio, segundo a nova orientação jurisprudencial do STJ (alinhada ao Tema 280 do STF), constitui ônus da acusação. Cabe ao Ministério Público demonstrar a validade do consentimento e a existência de fundadas razões para a entrada, sob pena de ilicitude das provas obtidas.

A Constituição Federal, em seu art. 5º, XI, assegura a inviolabilidade do domicílio, salvo em caso de flagrante delito ou determinação judicial. A jurisprudência, consolidada no Tema 280 do STF, exige que, mesmo em situação de flagrante, a entrada sem mandado seja amparada por fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori. O ônus de provar a regularidade da ação policial recai sobre a acusação, que é a parte interessada em utilizar a prova obtida.

Tese de Repercussão Geral 280 do STF:

A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, e de nulidade dos atos praticados.

Ingresso forçado em domicílio
  • 1Fundamento constitucional (art. 5º, XI)
    • Inviolabilidade do domicílio
    • Exceções
      • Flagrante delito
      • Determinação judicial
  • 2Requisitos jurisprudenciais (Tema 280 STF)
    • Fundadas razões de flagrante
    • Justificativa a posteriori
  • 3Ônus da prova
    • Acusação (Ministério Público)
      • Comprovar voluntariedade do consentimento
      • Demonstrar fundadas razões
    • Acusado
      • Não possui ônus de provar validade
      • Pode questionar legalidade
  • 4Consequência da ausência de prova
    • Ilícitas as provas obtidas
    • Nulidade dos atos praticados
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Interesse processual do acusado" – O acusado não possui o ônus de provar a validade do consentimento; ele pode, no máximo, questionar a legalidade. O interesse processual é condição da ação, não se confunde com o ônus probatório.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Interesse processual da acusação" – Embora a acusação tenha interesse na admissão da prova, o termo técnico adequado é ônus, e não interesse processual. O interesse processual é pressuposto para o exercício da ação, não para a produção probatória.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Faculdade da acusação" – Não se trata de faculdade (opção discricionária). A acusação tem o dever de demonstrar a legalidade da entrada; se não o fizer, a prova será ilícita, com consequências processuais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Faculdade do acusado" – O acusado não possui a faculdade de provar o consentimento; seu direito é de defesa, podendo impugnar a prova, mas o ônus é exclusivo da acusação.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Ônus da acusação" – Correta. A acusação tem o ônus de comprovar a voluntariedade do consentimento e a existência de fundadas razões para o ingresso forçado. Essa posição decorre do princípio da presunção de inocência e da necessidade de proteção da inviolabilidade domiciliar. O Tema 280 do STF e a jurisprudência do STJ (REsp 1.630.097/SC) firmaram que a validade do ingreso depende de prova robusta pela acusação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir "interesse processual" com "ônus probatório". Lembre-se: interesse processual é uma das condições da ação; ônus da prova é o encargo de demonstrar um fato. No caso da legalidade da busca domiciliar, o encargo é da acusação, não mera faculdade ou interesse.

PEGA ESSA DICA!

Ilícitas (8 letras) = Material (8 letras); Ilegítimas (10 letras) = Processual (10 letras)

Macete por contagem de letras para diferenciar provas ilegais: prova ILÍCITA (8 letras) é a obtida com violação a norma de Direito MATERIAL (8 letras); prova ILEGÍTIMA (10 letras) é a que viola norma de Direito PROCESSUAL (10 letras).

— Provas ilícitas x provas ilegítimas (prova ilegal)

Gabarito: letra E.

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