Pular para o conteúdo principal

Questão de Direito Penal — Desistência voluntária e arrependimento eficaz — FGV 2022

Direito PenalDesistência voluntária e arrependimento eficaz
Código
fg055442
Banca
FGV
Órgão
TJ-AP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Juiz de Direito Substituto
Sobre os institutos da desistência voluntária, do arrependimento eficaz e do arrependimento posterior, é correto afirmar que:
  1. Aa não consumação, por circunstâncias alheias à vontade do agente, é compatível com a desistência voluntária;
  2. Bo reconhecimento da desistência voluntária dispensa o exame do iter criminis;
  3. Cas circunstâncias inerentes à vontade do agente são irrelevantes para a configuração da desistência voluntária;
  4. Do arrependimento eficaz e a desistência voluntária somente são aplicáveis a delito que não tenha sido consumado;
  5. Eo reconhecimento da desistência voluntária dispensa o exame do elemento subjetivo da conduta.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — o arrependimento eficaz e a desistência voluntária somente são aplicáveis a delito que não tenha sido consumado;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Desistência voluntária, arrependimento eficaz e arrependimento posterior

Gabarito: letra D. O arrependimento eficaz e a desistência voluntária pressupõem que o crime não tenha sido consumado, pois o agente interrompe voluntariamente a execução ou impede o resultado (art. 15 do CP). Já o arrependimento posterior (art. 16) aplica-se a crime consumado, desde que sem violência ou grave ameaça e com reparação até o recebimento da denúncia.

A banca cobra a distinção entre esses institutos. Na desistência voluntária, o agente, por vontade própria, deixa de prosseguir na execução; no arrependimento eficaz, ele impede o resultado após já ter praticado atos executórios. Ambos só são possíveis antes da consumação. Já a tentativa (art. 14, II) é a não consumação por fatores alheios à vontade do agente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir a desistência voluntária com a tentativa. Na tentativa, a não consumação ocorre contra a vontade do agente (circunstâncias alheias); na desistência, é por vontade própria. Fique atento à palavra "voluntariamente" no art. 15.

Critério

Desistência Voluntária

Arrependimento Eficaz

Arrependimento Posterior

Momento no iter criminis

Durante a execução, antes da consumação

Após atos executórios, antes da consumação

Após a consumação

Ação do agente

Interrompe voluntariamente a execução

Impede o resultado (evita a consumação)

Repara o dano ou restitui a coisa

Requisito para aplicação

Crime não consumado

Crime não consumado

Crime consumado, sem violência ou grave ameaça

Base legal

Art. 15 do CP (1ª parte)

Art. 15 do CP (2ª parte)

Art. 16 do CP

Natureza da interrupção

Voluntária (por vontade própria)

Voluntária (por vontade própria)

Voluntária (reparação até o recebimento da denúncia)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A desistência voluntária exige que o agente voluntariamente pare a execução. A não consumação por circunstâncias alheias à sua vontade é característica da tentativa (art. 14, II, CP), não da desistência. A alternativa troca os conceitos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Para reconhecer a desistência voluntária, é indispensável examinar o iter criminis a fim de verificar se o agente, tendo iniciado a execução, abandonou voluntariamente antes da consumação. Portanto, não dispensa tal exame.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A desistência voluntária é definida justamente pela vontade do agente (art. 15: "voluntariamente"). As circunstâncias relativas à sua vontade são essenciais, não irrelevantes.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Tanto a desistência voluntária quanto o arrependimento eficaz ocorrem antes da consumação do crime. Se o crime já se consumou, não há como o agente "desistir de prosseguir" ou "impedir o resultado". Apenas o arrependimento posterior pode beneficiar o agente após a consumação, dentro dos limites do art. 16 do CP.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O elemento subjetivo (dolo) é relevante; a desistência deve ser voluntária, ou seja, decorrer de uma decisão do agente, o que exige exame de sua vontade. Não dispensa a análise do dolo.

Gabarito: letra D.

Link permanente: /questoes/fg055442