Questão de Direito Constitucional — Organização Político-Administrativa do Estado — FGV 2022
Direito Constitucional›Organização Político-Administrativa do Estado
Código
fg056359
Banca
FGV
Órgão
TJ-MS
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área Fim
O Tribunal de Contas do Estado Alfa, ao apreciar as contas de governo apresentadas pelo prefeito do Município Beta nos três últimos exercícios financeiros, detectou a não aplicação do mínimo exigido da receita municipal em ações e serviços públicos de saúde. Em razão desse estado de coisas, o prefeito foi informado sobre a existência de um forte movimento popular para que seja decretada a intervenção do Estado Alfa no Município Beta.Essa intervenção, considerando a narrativa apresentada, é da modalidade:
Aprovocada e pressupõe o acolhimento de representação, de iniciativa do Ministério Público, pelo Tribunal de Justiça, com edição de decreto pelo governador e posterior apreciação da Assembleia Legislativa;
Bprovocada e pressupõe o acolhimento de representação, de iniciativa do Tribunal de Contas, pelo Tribunal de Justiça, com edição de decreto pelo governador e posterior apreciação da Assembleia Legislativa;
Cespontânea, devendo ser objeto de deliberação da Assembleia Legislativa, a partir de provocação de grupos populares, com posterior edição de decreto pelo governador;
Dprovocada e pressupõe representação do Tribunal de Contas, com apreciação da Assembleia Legislativa e posterior edição de decreto pelo governador;
Eespontânea, devendo ser objeto de decreto do governador do Estado, com posterior apreciação da Assembleia Legislativa.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — espontânea, devendo ser objeto de decreto do governador do Estado, com posterior apreciação da Assembleia Legislativa.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Intervenção Estadual em Municípios por Não Aplicação do Mínimo em Saúde
Gabarito: letra E. A intervenção por não aplicação do mínimo exigido da receita municipal em saúde (CF, art. 35, III) é da modalidade espontânea, ou seja, pode ser decretada de ofício pelo governador, sem necessidade de representação de outro órgão, e seu decreto deve ser submetido à apreciação da Assembleia Legislativa no prazo de 24 horas (art. 36, §1º).
A Constituição Federal estabelece, no art. 35, as hipóteses em que o Estado pode intervir em seus Municípios. O inciso III prevê: "não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde". Essa hipótese não depende de representação ou solicitação de qualquer órgão ou poder — o governador, ao tomar conhecimento do descumprimento (por exemplo, por meio de relatório do Tribunal de Contas), pode agir de ofício, caracterizando a intervenção como espontânea.
Art. 35CF/88
Art. 35 — "O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território Federal, exceto quando: ... III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde;"
O procedimento subsequente é o mesmo para as hipóteses espontâneas: o governador edita decreto de intervenção, especificando amplitude, prazo e condições, e o submete à Assembleia Legislativa no prazo de 24 horas (art. 36, §1º). A Assembleia exerce controle político, podendo aprovar ou rejeitar a medida. Isso está em linha com a alternativa E, que descreve exatamente esse rito.
Não confunda com a intervenção provocada do inciso IV do art. 35, que exige representação do Tribunal de Justiça para assegurar observância de princípios constitucionais ou execução de decisão judicial. Para o inciso III, a mera existência de movimento popular ou a detecção pelo Tribunal de Contas não transforma a intervenção em provocada; são apenas fontes de informação que podem levar o governador a agir de ofício.
1Governador toma conhecimento do descumprimento
2Decreta intervenção de ofício (espontânea)
3Submete decreto à Assembleia Legislativa (24h)
4Assembleia aprova ou rejeita a medida
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a intervenção é provocada e depende de representação do Ministério Público com provimento pelo TJ. Erro: a hipótese do art. 35, III não exige representação do MP; o governador age de ofício. A representação do MP cabe no âmbito do controle de constitucionalidade ou em ações específicas, não como requisito para intervenção por descumprimento de aplicação mínima.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a intervenção é provocada e depende de representação do Tribunal de Contas com provimento pelo TJ. Erro: o Tribunal de Contas pode detectar a irregularidade e comunicar ao governador, mas isso não é requisito jurídico para a decretação. A intervenção continua sendo espontânea, pois o governador pode agir de ofício com base em qualquer meio de informação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a intervenção é espontânea, mas exige deliberação da Assembleia Legislativa a partir de provocação de grupos populares. Erro: a intervenção espontânea nasce de iniciativa do próprio governador, não de provocação popular. A Assembleia Legislativa apenas aprecia o decreto já editado; não há previsão de provocação popular para iniciar o processo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a intervenção é provocada e pressupõe representação do Tribunal de Contas com apreciação da Assembleia e posterior decreto. Erro: a representação do TCE não é exigida; a ordem dos atos está invertida: primeiro o decreto, depois a apreciação. Além disso, a intervenção é espontânea, não provocada.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente: intervenção espontânea, decretada pelo governador, com posterior apreciação da Assembleia Legislativa. Isso corresponde ao rito do art. 35, III c/c art. 36, §1º da CF.
PEGA ESSA DICA!
Memorize que os incisos I, II e III do art. 35 são hipóteses de intervenção espontânea (governador age de ofício), enquanto o inciso IV é provocado (depende de representação do TJ). A presença de Tribunal de Contas ou movimento popular é apenas fato que motiva a atuação, mas não altera a natureza jurídica.