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Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fg056730
Banca
FGV
Órgão
TJ-TO
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Técnico Judiciário - Apoio Judiciário e Administrativo

Texto 2

Sonho, memória e o reencontro de Freud com o cérebro (fragmento adaptado)

“Para que serve sonhar? No início do século XX esta pergunta ancestral pareceu subitamente ao alcance da Razão, com a publicação de ‘A interpretação dos sonhos’. Neste livro Freud fundou uma nova e ambiciosa psicologia, repleta de novas ideias sobre a mente humana e seus sonhos. A despeito do impacto profundo destas ideias na sociedade ocidental, sua formulação e desenvolvimento não se deram sobre uma base empírica e quantitativa, marcando um divórcio progressivo de método e discurso entre a psicanálise e a biologia. Como resultado, pouca ou nenhuma influência é atualmente atribuída a Freud no que diz respeito à investigação científica do fenômeno onírico.

O fosso não poderia ser mais profundo. Predomina nas ciências exatas a noção de que a contribuição da psicanálise para o entendimento dos sonhos resume-se a um amontoado de observações isoladas, teorias não testáveis, imperativos ideológicos e argumentos de autoridade. Por outro lado, as diferentes vertentes da psicanálise ocupam-se pouco ou nada do estudo experimental e quantitativo dos sonhos, voltando-se exclusivamente para os símbolos e jamais para seu substrato material, o sistema nervoso.

Na contramão deste divórcio, pretendo aqui demonstrar que os avanços da psicologia experimental e da neurociência convergiram nos últimos anos para dois importantes insights psicanalíticos. O primeiro consiste na observação concreta de que os sonhos, muito frequentemente, contêm elementos da experiência do dia anterior, denominados ‘restos do dia’. O segundo é o reconhecimento de que estes ‘restos’ incluem atividades mnemônicas e cognitivas da vigília, persistindo nos sonhos na medida de sua importância para o sonhador. Assim, ainda que de maneira difusa, a psicanálise prevê que a consolidação de memórias e o aprendizado sejam importantes funções oníricas. [...]”

(Sidarta Ribeiro. Disponível em: http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext &pid=S1516-44462003000600013&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 02/04/2022)

É comum que os textos sejam classificados de acordo com o domínio social de comunicação em que se inserem. Por esse critério, é correto afirmar que o texto 2 tem natureza predominantemente:
  1. Adescritiva, porque se propõe primariamente a qualificar, identificar e localizar os sonhos;
  2. Bnarrativa, porque se propõe primariamente a relatar uma sucessão de acontecimentos em ordem cronológica;
  3. Cexpositiva, porque se propõe primariamente a ensinar a interpretação psicanalítica sobre os símbolos oníricos;
  4. Dinjuntiva, porque se propõe primariamente a orientar as ações futuras do leitor;
  5. Eargumentativa, porque se propõe primariamente a defender um ponto de vista acerca da relação entre psicanálise, de um lado, e neurociência e psicologia cognitiva, de outro.
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GabaritoE — argumentativa, porque se propõe primariamente a defender um ponto de vista acerca da relação entre psicanálise, de um lado, e neurociência e psicologia cognitiva, de outro.

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Tipologia textual do texto sobre Freud e os sonhos

Gabarito: letra E. O texto é predominantemente argumentativo porque o autor defende um ponto de vista (que a neurociência converge com insights psicanalíticos) e utiliza estratégias de persuasão, como a oposição entre psicanálise e ciências exatas, e a apresentação de evidências (os dois insights). A natureza argumentativa fica explícita no trecho: "Na contramão deste divórcio, pretendo aqui demonstrar que os avanços da psicologia experimental e da neurociência convergiram...".

O comando pede a classificação pelo "domínio social de comunicação", ou seja, a finalidade comunicativa predominante. Vamos analisar cada alternativa:

1Descritiva
Qualificar, localizar
Apenas recurso subsidiário
2Narrativa
Relato cronológico
Sem sequência de eventos
3Expositiva
Ensinar, informar
Não é mera informação
4Injuntiva
Instruir, orientar ações
Sem verbos no imperativo
5Argumentativa
Defender ponto de vista
Tese + evidências
"Pretendo demonstrar"
Tipologia textual (domínio social)
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Tipologia textual (domínio social): Descritiva (Qualificar, localizar, Apenas recurso subsidiário); Narrativa (Relato cronológico, Sem sequência de eventos); Expositiva (Ensinar, informar, Não é mera informação); Injuntiva (Instruir, orientar ações, Sem verbos no imperativo); Argumentativa (Defender ponto de vista, Tese + evidências, "Pretendo demonstrar")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Descritiva: o texto não se limita a qualificar ou localizar os sonhos; ele debate teorias e tenta convencer. A descrição é apenas um recurso subsidiário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Narrativa: não há relato de uma sequência de eventos em ordem cronológica. O autor não conta uma história; ele expõe e argumenta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Expositiva: embora haja explicações, o propósito não é apenas ensinar a interpretação psicanalítica, mas defender a validade de alguns insights freudianos à luz da neurociência. A intenção é persuasiva, não meramente informativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Injuntiva: o texto não dá instruções ou ordens ao leitor; não há verbos no imperativo orientando ações futuras.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Argumentativa: o autor parte de um problema (o divórcio psicanálise/ciência) e propõe uma tese (a convergência), sustentando-a com argumentos (os dois insights). Palavras como "demonstrar", "insights", "pretendo aqui" marcam a intenção argumentativa. O texto se insere no domínio da defesa de uma opinião fundamentada.

Conclusão: A única alternativa que corresponde à função social predominante do texto é a letra E.

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