Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2022
Português›Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg056731
Banca
FGV
Órgão
TJ-TO
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Técnico Judiciário - Apoio Judiciário e Administrativo
Texto 1
Por que nós temos pesadelos?
“Essa é uma questão que ainda faz a ciência perder o sono – não
há um consenso entre os pesquisadores.
Mas uma explicação recente, e intrigante, é esta: pesadelos são
um treino do seu cérebro para enfrentar situações de estresse
ou pavor na vida real. Um estudo suíço, de 2019, mostrou que
experimentar medo em sonhos está associado a respostas mais
adaptadas a sinais ameaçadores durante a vigília (o período em
que você está acordado). Os pesquisadores fizeram testes em
89 voluntários e chegaram a uma conclusão surpreendente:
aqueles que relataram mais medo em pesadelos costumavam
acordar mais ‘valentes’.
Pois é. Em exames com ressonância magnética, esses
participantes apresentaram respostas emocionais mais brandas
na ínsula, amígdala e córtex cingulado médio (áreas do cérebro
associadas às emoções) quando expostos a imagens
amedrontadoras.”
(Maria Clara Rossini. Disponível em: https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/
por-que-nos-temos-pesadelos. Acesso em: 01/04/2022)
O texto 1, produzido em registro semiformal, simula uma conversa com o leitor.Uma palavra ou expressão que produz esse efeito é:
A“perder o sono”;
B“situações de estresse”;
C“surpreendente”;
D“Pois é”;
E“respostas emocionais”
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GabaritoD — “Pois é”;
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Análise do efeito de conversa simulada no texto 1
Gabarito: letra D. A expressão "Pois é" é uma interjeição típica da oralidade, comum em conversas informais. Sua inserção no texto rompe o tom expositivo e cria um diálogo simulado com o leitor, reforçando o registro semiformal indicado no enunciado.
O texto 1, embora aborde um tema científico (pesadelos), emprega marcas de coloquialidade para aproximar o leitor. A questão pede qual elemento produz esse efeito conversacional. Vamos analisar cada alternativa à luz do que o texto efetivamente apresenta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca não arma uma pegadinha clássica; a dificuldade está em distinguir entre uma expressão figurativa e um marcador de oralidade. A alternativa A ("perder o sono") é uma metáfora interessante, mas não é, por si só, um traço de conversa simulada.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"perder o sono" é uma expressão metafórica comum, mas não funciona como marcador de oralidade ou interjeição. No texto, ela aparece no primeiro período ("Essa é uma questão que ainda faz a ciência perder o sono"), em contexto formal/expositivo. Não há tom de fala espontânea. Erro: fora do escopo – não produz o efeito pedido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"situações de estresse" é um sintagma neutro e técnico, próprio da linguagem científica. Não carrega informalidade nem simula diálogo. Erro: fora do escopo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"surpreendente" é um adjetivo comum, usado no texto para qualificar a conclusão da pesquisa ("conclusão surpreendente"). Embora expresse opinião, não se trata de uma marca de oralidade conversacional. Erro: fora do escopo.
Alternativa D — ✅ Correta
"Pois é" é uma interjeição coloquial, típica da fala cotidiana. No texto, aparece isolada entre pontos finais: "[...] acordar mais ‘valentes’. Pois é. Em exames [...]" Essa quebra introduz um comentário do autor, como se estivesse conversando com o leitor. É exatamente o recurso que simula uma conversa.
PEGA ESSA DICA!
Marcadores de oralidade como "Pois é", "Então", "Olha", "Sabe?", "Tipo" são comuns em textos semiformais para criar intimidade com o leitor. Sempre desconfie de expressões muito técnicas ou neutras quando a questão falar em "conversa simulada"
Alternativa E — ❌ Incorreta
"respostas emocionais" é uma expressão técnica, usada no contexto da ressonância magnética ("respostas emocionais mais brandas"). Não há qualquer traço de oralidade. Erro: fora do escopo.
Conclusão: A única palavra/expressão que efetivamente produz o efeito de conversa simulada é "Pois é", por sua natureza interjetiva e coloquial. As demais são termos neutros, técnicos ou figurativos que não criam um diálogo imaginário com o leitor.