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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2022

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg058125
Banca
FGV
Órgão
MPE-GO
Ano
2022
Nível
Superior

Atenção: use o Texto II a seguir para responder a próxima questão.


Texto II


“Vamos arranjar um nome inventado para a cidade: Maranguaia. E também um nome para o coronel: Juca Brito.

Mas que a cidade fique na sua paisagem verdadeira, com o pequeno córrego perene fertilizando um vale dentro de um mundo de léguas de caatinga, no fundo do sertão. E o coronel fique na sua varanda, cheia de gaiolas de passarinhos. Ali perto, enjaulados como feras, dois imensos cães dinamarqueses. Um campo para criação de ema. E – luxo estranho no sertão – pavões reais. Foi o que vimos na visita rápida, quando nosso carro entrou pelo parque da fazenda, entre juazeiros e tamarineiros.

O coronel Juca Brito é dono da casa, da cidade, do município, do sertão, do mundo.”

(O coronel, 12/05/1951)

“O coronel Juca Brito é dono da casa, da cidade, do município, do sertão, do mundo.”Com essa frase, o cronista pretende
  1. Aironizar um personagem, que se crê dono do mundo.
  2. Benfatizar humoristicamente o poder do coronel.
  3. Cdenunciar as injustiças do sertão.
  4. Dinformar sobre o cenário político do interior.
  5. Ecaracterizar um tipo único de coronel interiorano.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — enfatizar humoristicamente o poder do coronel.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação da frase sobre o coronel Juca Brito

Gabarito: letra B. O cronista emprega uma hipérbole (exagero intencional) ao afirmar que o coronel é "dono da casa, da cidade, do município, do sertão, do mundo". A gradação ascendente — de "casa" a "mundo" — tem efeito humorístico e serve para enfatizar o poder desmedido do personagem, sem intenção de ironizá-lo, denunciar injustiças ou informar objetivamente.

A chave da questão está em reconhecer o tom do texto: o cronista descreve a figura do coronel com uma pitada de exagero e admiração irônica? Não, é mais uma exaltação cômica do poder local. A frase não critica (alternativa C), não informa (D) nem define um tipo único (E). Também não há ironia, pois ironia implicaria dizer o contrário do que se pensa para ridicularizar; aqui, o cronista literalmente afirma que o coronel é dono de tudo, mas de forma tão exagerada que o leitor percebe o jogo humorístico.

1Gradação ascendente
Casa → Cidade → Município → Sertão → Mundo
2Efeito
Enfatiza poder desmedido
Tom bem-humorado
3Não é
Ironia (dizer o oposto)
Denúncia
Informação objetiva
Hipérbole humorística
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Hipérbole humorística: Gradação ascendente (Casa → Cidade → Município → Sertão → Mundo); Efeito (Enfatiza poder desmedido, Tom bem-humorado); Não é (Ironia (dizer o oposto), Denúncia, Informação objetiva)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A frase não ironiza o coronel. Ironia é um recurso que consiste em dizer o oposto do que se quer significar, geralmente com intenção crítica. No texto, o cronista não está zombando do coronel, mas sim exagerando seu poder de forma bem-humorada. O termo "que se crê dono do mundo" atribui ao personagem uma autoimagem que o texto não sustenta — o cronista é quem diz que ele é dono, não o personagem. Erro: troca de conceito (confunde hipérbole humorística com ironia).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A gradação "casa → cidade → município → sertão → mundo" é uma hipérbole que, pelo exagero, provoca humor. O cronista enfatiza o poder do coronel de forma exagerada e divertida, sem crítica ou informação objetiva. O tom do texto confirma: trata-se de uma crônica que descreve a cena com olhar curioso e pitoresco.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O texto não tem intenção de denunciar injustiças. Não há palavras que expressem indignação ou crítica social. O trecho foca na descrição da propriedade do coronel e de seu poder, sem julgamento negativo. Alternativa extrapola o conteúdo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A frase não tem caráter informativo sobre o cenário político. É uma caracterização literária, não um relato jornalístico. O cronista não fornece dados, análise política ou contexto histórico; usa linguagem figurada. Erro: fora do escopo (foge ao gênero e à intenção).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Embora a frase caracterize o coronel como poderoso, não o apresenta como um "tipo único". A descrição é genérica: "coronel" é um arquétipo conhecido. A frase não compara nem destaca singularidades que o tornem único. Além disso, a intenção principal não é caracterizar, mas enfatizar humoristicamente o poder. Alternativa restringe o alcance da intenção ao focar apenas na caracterização, perdendo o efeito humorístico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre ironia e exagero humorístico. Muitos candidatos associam automaticamente a ideia de "dono do mundo" a uma crítica irônica, mas o texto não dá sinais de ironia — o exagero é festivo, não sarcástico. 💡 Dica: Para distinguir ironia de hipérbole, pergunte: "O autor quer ridicularizar (ironia) ou simplesmente exagerar para causar humor/ênfase (hipérbole)?".

Conclusão: A única alternativa que capta a intenção do cronista é a B, pois identifica o recurso estilístico (hipérbole/graduação) e o efeito (ênfase humorística do poder).

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