Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2022
Português›Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg058126
Banca
FGV
Órgão
MPE-GO
Ano
2022
Nível
Superior
Atenção: use o Texto II a seguir para responder a próxima questão.
Texto II
“Vamos arranjar um nome inventado para a cidade: Maranguaia.
E também um nome para o coronel: Juca Brito.
Mas que a cidade fique na sua paisagem verdadeira, com o
pequeno córrego perene fertilizando um vale dentro de um
mundo de léguas de caatinga, no fundo do sertão. E o coronel
fique na sua varanda, cheia de gaiolas de passarinhos. Ali perto,
enjaulados como feras, dois imensos cães dinamarqueses. Um
campo para criação de ema. E – luxo estranho no sertão – pavões
reais. Foi o que vimos na visita rápida, quando nosso carro entrou
pelo parque da fazenda, entre juazeiros e tamarineiros.
O coronel Juca Brito é dono da casa, da cidade, do município, do
sertão, do mundo.”
(O coronel, 12/05/1951)
“Vamos arranjar um nome inventado para a cidade: Maranguaia. E também um nome para o coronel: Juca Brito.Mas que a cidade fique na sua paisagem verdadeira...”Esses segmentos iniciais do texto mostram
Aa informação de que o texto é literário, já que se apoia em elementos fictícios.
Ba preocupação de não identificar os personagens, certamente por algo que será dito nos segmentos futuros da crônica.
Ca tentativa de universalizar as observações da crônica, pois elas servem para todos os representantes do coronelismo.
Da intenção de preservar o fundamental do texto, que é a influência do meio sobre o homem.
EO direcionamento crítico do texto, com a declaração de serem inventados personagem e local.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — a preocupação de não identificar os personagens, certamente por algo que será dito nos segmentos futuros da crônica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Análise dos segmentos iniciais do Texto II
Gabarito: letra B. Os trechos iniciais mostram a preocupação do autor em não identificar os personagens reais, usando nomes inventados ("Vamos arranjar um nome inventado para a cidade: Maranguaia. E também um nome para o coronel: Juca Brito."), mas mantendo a paisagem verdadeira ("Mas que a cidade fique na sua paisagem verdadeira..."). Isso sugere que o autor quer evitar referências diretas, provavelmente para fazer críticas genéricas ao coronelismo nos segmentos seguintes — uma inferência ancorada no texto.
A questão pede o que esses segmentos mostram (interpretação). A alternativa correta é a única que extrai uma inferência legítima, enquanto as demais extrapolam ou contradizem o texto.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o texto é literário por usar elementos fictícios.
O texto realmente é literário (crônica), mas a informação de que os nomes são inventados não serve primariamente para declarar a literariedade; ela revela uma estratégia de não identificação. A alternativa é verdadeira em si, mas tangencia o que os segmentos mostram — o foco não é a natureza literária, e sim a precaução do autor.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"preocupação de não identificar os personagens, certamente por algo que será dito nos segmentos futuros da crônica."
O texto explicita: "nome inventado" e "paisagem verdadeira" — o autor deliberadamente cria nomes fictícios para não apontar pessoas/lugares reais. A expressão "certamente por algo que será dito" é uma inferência legítima: a descrição posterior do poder absoluto do coronel ("dono da casa, da cidade, do município, do sertão, do mundo") confirma que a crítica virá, justificando a cautela inicial. Portanto, a alternativa está totalmente ancorada no texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"tentativa de universalizar as observações da crônica, pois elas servem para todos os representantes do coronelismo."
O texto não afirma que as observações valem para todos os coronéis — ele descreve um coronel inventado. A palavra "universalizar" é uma extrapolação (generalização indevida). O texto não autoriza essa abrangência; ao contrário, mantém o foco no caso particular (ainda que fictício).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"intenção de preservar o fundamental do texto, que é a influência do meio sobre o homem."
Os segmentos iniciais não mencionam a influência do meio; eles tratam da decisão de inventar nomes. Essa ideia não está presente nem implícita nos trechos citados. Trata-se de uma opinião embutida que não encontra respaldo no texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"direcionamento crítico do texto, com a declaração de serem inventados personagem e local."
É verdade que o texto declara a invenção, mas a expressão "direcionamento crítico" é vaga. O que os segmentos mostram não é o teor crítico em si, mas a precaução em não identificar — o "direcionamento crítico" virá depois. A alternativa troca o foco (precaução → crítica declarada) e, por isso, é incompleta e desvia do que os segmentos efetivamente evidenciam.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com generalizações (alternativa C) ou com atribuições de propósito que o texto não explicita (alternativas A, D, E). O caminho seguro é identificar a preocupação explícita do autor — nomes inventados, paisagem real — e inferir o motivo (não identificar para poder criticar).