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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2022

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg058128
Banca
FGV
Órgão
MPE-GO
Ano
2022
Nível
Superior
Todas as questões desta prova se apoiam em textos iniciais em crônicas diversas de Rubem Braga.

Atenção: use o Texto I para responder a próxima questão.

Texto I
“Quando amanhã alguém quiser escrever a história da vida brasileira deste último quarto de século terá, com certeza, muita dor de cabeça. Pois os tempos são confusos; e há tanta história, que hoje a gente não consegue saber direito; e os escritos desta época andam tão cheios, ora de inverdades, ora de subentendidos, ora de omissões e enganos, que, entre as linhas e entrelinhas dos documentos, o historiador ficará a coçar o queixo – se for um homem prudente. [...] Direito por linhas tortas, torto por linhas direitas, assim escrevemos todos, sem falar do que dizemos e não dizemos nas entrelinhas. Pois assim são os tempos.”.
(Ordem do dia, 03/06/1944)
Assinale a opção que apresenta a frase do Texto I que tem seu significado corretamente indicado.
  1. A“que hoje a gente não consegue saber direito” / consequência.
  2. B“que, entre as linhas e entrelinhas dos documentos, o historiador ficará a coçar o queixo” / causa.
  3. C“se for um homem prudente” / explicação.
  4. D“assim escrevemos todos” / conclusão.
  5. E“Pois assim são os tempos” / comparação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “que hoje a gente não consegue saber direito” / consequência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações semânticas entre orações no Texto I (Rubem Braga)

Gabarito: letra A. A única frase cujo significado foi corretamente indicado é "que hoje a gente não consegue saber direito" com o rótulo de consequência. Isso porque a estrutura "tão... que" estabelece uma relação consecutiva: a grande quantidade de história (causa) gera a impossibilidade de saber direito (consequência). Veja o trecho:

"há tanta história, que hoje a gente não consegue saber direito"

O "que" é uma conjunção consecutiva, indicando efeito. As demais alternativas trocam o tipo de relação.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase "que hoje a gente não consegue saber direito" é introduzida pelo "que" consecutivo após "tanta história". O sentido é de consequência (efeito), e a banca acertou ao classificá-la assim.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"que, entre as linhas e entrelinhas dos documentos, o historiador ficará a coçar o queixo" também é uma consequência, não uma causa. No texto, ela decorre de "os escritos... andam tão cheios de inverdades, subentendidos, omissões". O mesmo padrão "tão... que" aparece, logo é consequência, e a banca trocou por causa. Erro: troca de relação semântica (consequência → causa).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"se for um homem prudente" introduz uma condição (se...), não uma explicação. A oração condicional aponta uma hipótese para a ação anterior (coçar o queixo). Explicação seria introduzida por "porque", "pois", etc. Erro: condição disfarçada de explicação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"assim escrevemos todos" encerra uma constatação de modo (a forma como escrevemos), não uma conclusão lógica. Embora possa ser vista como fechamento do período, a palavra "assim" indica modo (dessa forma), e não há conectivo conclusivo (portanto, logo). Erro: modo confundido com conclusão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Pois assim são os tempos" é uma afirmação explicativa ou conclusiva (o "pois" pode ser explicativo), mas certamente não uma comparação. Comparação exige conectivos como "como", "tal qual", "mais... que". Erro: explicação/conclusão disfarçada de comparação.

Gabarito: letra A.

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