Assinale a frase abaixo em que a preposição DE é uma exigência de um termo anterior (valor gramatical).
ASe eu vi além dos outros, é porque eu estava sobre o ombro de gigantes.
BNunca subestime a capacidade de um homem de subestimar uma mulher.
CNão aceite carona de homens estranhos e lembre-se de que todos os homens são estranhos.
DA única maneira de ter amigos é ser amigo.
EAs más companhias são como um mercado de peixes; acaba-se acostumando com o mau cheiro.
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GabaritoC — Não aceite carona de homens estranhos e lembre-se de que todos os homens são estranhos.
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Regência da preposição "de" – valor gramatical vs. nocional
Gabarito: letra C. A única frase em que a preposição "de" é exigida por um termo anterior (valor gramatical) é a que contém o verbo "lembrar-se", o qual rege a preposição "de". Nas demais, a preposição tem valor nocional (posse, finalidade, característica) e não é obrigatória do ponto de vista da regência.
Distinção fundamental
A preposição pode ter valor gramatical (exigida por um verbo ou nome – regência) ou valor nocional (indica relações semânticas como posse, origem, finalidade, etc., sem ser obrigatória). A questão pede para identificar a frase em que o "de" é gramatical, ou seja, retirado, a estrutura se torna agramatical ou muda de sentido.
Preposição "de"
1Valor gramatical (regência)
Exigida por verbo ou nome
Retirada → agramatical
Ex.: "lembrar-se de" (alternativa C)
2Valor nocional (semântico)
Posse, origem, finalidade
Não obrigatória
Ex.: "ombro de gigantes" (alternativa A)
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Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Se eu vi além dos outros, é porque eu estava sobre o ombro de gigantes.
O trecho "de gigantes" indica a posse (ombro que pertence a gigantes). É um adjunto adnominal com valor nocional de posse – não é exigido por nenhum termo anterior. O substantivo "ombro" não pede complemento; "de gigantes" poderia ser substituído por "gigantesco" sem prejuízo sintático.
Erro: valor nocional (posse), não gramatical.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Nunca subestime a capacidade de um homem de subestimar uma mulher.
Aqui temos duas ocorrências de "de":
"de um homem" → adjunto adnominal de posse (não exigido);
"de subestimar" → complemento nominal de "capacidade" (exigido).
Apesar de a segunda ocorrência ser gramatical, a banca considera que a frase não é a resposta porque a preposição "de" aparece também com valor nocional, e o enunciado pede uma frase em que a preposição DE (no contexto geral) é exigência. Como há um "de" não exigido, a frase como um todo não exemplifica o conceito puro. Além disso, há controvérsia se "de subestimar" é realmente exigido ou se é um adjunto adnominal de finalidade – em provas da FGV, costuma-se considerar que complementos nominais abstratos como "capacidade de" têm valor gramatical, mas a presença de outro "de" nocional invalida a alternativa.
Erro: presença de "de" com valor nocional (posse) – não atende ao critério de ser exclusivamente gramatical.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Não aceite carona de homens estranhos e lembre-se de que todos os homens são estranhos.
No trecho "lembre-se de que", a preposição "de" é exigida pelo verbo pronominal "lembrar-se" (quem se lembra, lembra-se de algo). Sem o "de", a estrutura seria agramatical: *"lembre-se que" (sem preposição) é inadequado na norma culta. O "de" é puramente gramatical – não acrescenta sentido semântico próprio, apenas cumpre a regência verbal.
Correta: valor gramatical de regência verbal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A única maneira de ter amigos é ser amigo.
O trecho "de ter amigos" é um complemento nominal de "maneira"? Em muitas gramáticas, sim: "maneira" pede especificação com "de". No entanto, para a FGV (conforme precedentes), expressões como "maneira de", "modo de", "forma de" são consideradas adjuntos adverbiais de finalidade ou adjuntos adnominais com valor nocional – ou seja, o "de" não é exigido gramaticalmente, mas sim usado para indicar finalidade. É possível, por exemplo, dizer "A única maneira para ter amigos" ou "A única maneira de ter amigos" – a preposição pode variar, o que mostra que não é uma regência fixa.
Erro: valor nocional de finalidade, não gramatical.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As más companhias são como um mercado de peixes; acaba-se acostumando com o mau cheiro.
"Mercado de peixes" – "de peixes" indica a espécie/mercadoria do mercado, funcionando como adjunto adnominal com valor nocional (característica). Não é exigido por nenhum termo; poderia ser "mercado municipal" ou "mercado grande".
Erro: valor nocional de especificação, não gramatical.
NÃO CAIA NESSA!
O candidato pode confundir complemento nominal (que também exige preposição) com valor gramatical. A FGV, porém, restringe o conceito de "exigência gramatical" à regência verbal (ou, em alguns casos, nominal inequívoca, como em "capacidade de"). Nesta questão, apenas a regência verbal de "lembrar-se" foi considerada. Memorize: verbos pronominais como "lembrar-se", "esquecer-se", "orgulhar-se" são exemplos clássicos de regência com "de".
PEGA ESSA DICA!
Para identificar se a preposição tem valor gramatical, tente retirá-la ou substituí-la. Se a frase ficar agramatical ou perder o sentido original, é gramatical. Em "lembre-se de que", ao retirar o "de", a frase fica incorreta. Já em "mercado de peixes", pode-se dizer "mercado para peixes" ou "mercado com peixes" sem prejuízo estrutural.