Questão de Direito Constitucional — Controle de Constitucionalidade — FGV 2022
Direito Constitucional›Controle de Constitucionalidade
Código
fg058600
Banca
FGV
Órgão
Senado Federal
Ano
2022
Nível
Superior
O Partido Político Alfa, que somente contava com representantes na Câmara dos Deputados, não no Senado Federal, foi procurado pelo Prefeito de uma grande capital brasileira, seu filiado, e questionado sobre a possibilidade de a Lei municipal nº XX/1987 ser submetida ao controle concentrado de constitucionalidade, considerando os diversos problemas que vinha causando à administração municipal, embora fosse visível a sua incompatibilidade com a ordem constitucional vigente, afrontando um de seus princípios estruturais.Ao consultar seu advogado, foi corretamente informado ao Partido Político Alfa que a Lei municipal nº XX/1987
Asomente poderia ser impugnada em sede de controle difuso de constitucionalidade.
Bpoderia ser impugnada em sede de controle concentrado de constitucionalidade, apenas perante o Supremo Tribunal Federal, e Alfa teria legitimidade para deflagrá-lo.
Cpoderia ser impugnada em sede de controle concentrado de constitucionalidade, apenas perante o Supremo Tribunal Federal, e Alfa não teria legitimidade para deflagrá-lo.
Dpoderia ser impugnada em sede de controle concentrado de constitucionalidade, apenas perante o Tribunal de Justiça do respectivo Estado, mas Alfa não teria legitimidade para deflagrá-lo.
Epoderia ser impugnada em sede de controle concentrado de constitucionalidade, perante o Tribunal de Justiça do respectivo Estado ou perante o Supremo Tribunal Federal, e Alfa teria legitimidade para deflagrá-lo.
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GabaritoB — poderia ser impugnada em sede de controle concentrado de constitucionalidade, apenas perante o Supremo Tribunal Federal, e Alfa teria legitimidade para deflagrá-lo.
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Controle Concentrado de Lei Municipal
Gabarito: letra B. A Lei municipal nº XX/1987, por ser anterior à Constituição Federal de 1988, não pode ser objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), mas pode ser impugnada via Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) perante o Supremo Tribunal Federal, desde que haja violação a preceito fundamental. O Partido Político Alfa, com representação na Câmara dos Deputados, possui legitimidade ativa para propor ADPF, conforme entendimento consolidado do STF. Assim, a única alternativa correta é a B.
O controle concentrado de constitucionalidade de leis municipais em face da Constituição Federal é, em regra, inviável tanto perante o STF quanto perante os Tribunais de Justiça estaduais. A doutrina aponta que o único meio de controle concentrado admitido para essa hipótese é a ADPF, que possui caráter subsidiário. Além disso, para leis anteriores à Constituição, a ADI não é cabível, pois o conflito resolve-se pelo fenômeno da recepção ou revogação. Já a ADPF pode ser utilizada, conforme jurisprudência do STF, para examinar a compatibilidade de leis pré-constitucionais com os preceitos fundamentais da nova ordem.
No que tange à legitimidade ativa, o art. 103 da CF e a Lei nº 9.882/99 (ADPF) autorizam os partidos políticos com representação no Congresso Nacional. O STF consolidou o entendimento de que basta a presença de ao menos um representante em qualquer das Casas legislativas (Câmara dos Deputados ou Senado Federal) para configurar a representação. Portanto, Alfa, com representantes apenas na Câmara, é legitimado.
Critério
Controle Concentrado via ADI
Controle Concentrado via ADPF
Objeto
Lei ou ato normativo posterior à CF/88
Lei ou ato normativo anterior à CF/88 (como a Lei municipal nº XX/1987)
Tribunal competente
STF (para leis federais/estaduais) ou TJ (para leis municipais em face da CE)
STF (para leis municipais em face da CF)
Legitimidade do Partido Alfa
Sim, se tiver representação no Congresso Nacional
Sim, se tiver representação no Congresso Nacional
Cabimento para lei municipal em face da CF
Não (inviável perante o STF e o TJ)
Sim (caráter subsidiário)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a lei municipal apenas pode ser impugnada em sede de controle difuso. Essa assertiva desconsidera a excepcional possibilidade de controle concentrado via ADPF, que é cabível no caso. O controle difuso é a regra, mas a ADPF constitui instrumento concentrado disponível.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque: (i) a lei municipal em face da CF não admite ADI, mas admite ADPF perante o STF, que é controle concentrado; (ii) o partido Alfa tem legitimidade ativa para ajuizar ADPF, pois conta com representação na Câmara dos Deputados.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Embora acerte ao indicar o STF como único órgão competente para o controle concentrado nessa hipótese, erra ao afirmar que Alfa não teria legitimidade para deflagrá-lo, contrariando o entendimento do STF sobre representação partidária.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao atribuir competência ao Tribunal de Justiça estadual para julgar controle concentrado de lei municipal em face da Constituição Federal. O TJ estadual só pode processar ADI contra lei municipal com parâmetro na Constituição Estadual (art. 125, §2º, CF). Além disso, nega indevidamente a legitimidade de Alfa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Admite dupla competência (TJ e STF) para o controle concentrado de lei municipal em face da CF, o que é incorreto. O STF é o único órgão com atribuição para julgar ADPF, e o TJ não detém competência para controle concentrado de constitucionalidade municipal em face da CF.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir a legitimidade do partido político: muitos candidatos acreditam que, por o partido ter apenas deputados e não senadores, ele não teria representação no Congresso. O STF, porém, entende que a representação em qualquer das Casas é suficiente. Além disso, a combinação de lei municipal e pré-constitucional pode levar o aluno a descartar a possibilidade de controle concentrado, esquecendo-se da ADPF.