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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2022

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg058633
Banca
FGV
Órgão
Senado Federal
Ano
2022
Nível
Superior

Observe um trecho do discurso parlamentar do então deputado Carlos Lacerda sobre o projeto de fixar-se o texto da carta-testamento de Getúlio Vargas nas escolas públicas de São Paulo:


“Sr. Presidente:

O texto dessa carta, seja ela apócrifa ou não, é um texto de luta política, é um texto de pronunciamento apaixonado que se atribui a um homem no momento culminante da sua vida, isto é, no momento em que deliberou dar-se morte por suas próprias mãos. É um texto de paixão, é um texto de violência, é um texto que consagra o suicídio como norma para a decisão da vida de um homem. É, portanto, um texto, embora de autenticidade duvidosa, ou ainda que autêntico, diria mesmo, precisamente se autêntico, capaz de merecer o respeito até dos adversários daquele a quem se atribui a autoria, mas nunca para ser afixado e, muito menos, obrigatoriamente, nas escolas públicas de uma cidade de qualquer país. Porque: primeiro, o texto dessa carta faz o elogio do suicídio, o que não é, evidentemente, ensinamento a legar, ou a impor, ainda menos a impor, às crianças que frequentam as escolas públicas de uma cidade; segundo, é um texto de combate, de polêmica política, é um texto de violento revide, num momento de paixões desencadeadas dentro de uma situação histórica determinada. Não é o documento básico de uma nação. [....] É um texto, repito, cuja autenticidade está por ser demonstrada; mas, demonstrada que fosse ou venha a ser, não é, certamente, um texto para figurar nas paredes das escolas públicas. Primeiro, porque faz o elogio, faz a apologia da violência contra o próprio corpo pelo suicídio, solução extrema, solução que respeito, mas que não posso ver recomendada às crianças do meu País. E, ainda, porque o seu contexto, impregnado de paixão, digamos legítima - aceitemos -, de paixão compreensível, de revide mais do que respeitável até, mas de revide em todo o caso, não deve figurar à porta sacrossanta das escolas em que se forma a mentalidade das crianças brasileiras.” 

Abaixo estão cinco períodos do discurso de Carlos Lacerda. Assinale a opção em que o período apresenta um problema de estruturação.
  1. ASr. Presidente, o texto dessa carta, seja ela apócrifa ou não, é um texto de luta política, é um texto de pronunciamento apaixonado que se atribui a um homem no momento culminante da sua vida, isto é, no momento em que deliberou dar-se morte por suas próprias mãos.
  2. BÉ um texto de paixão, é um texto de violência, é um texto que consagra o suicídio como norma para a decisão da vida de um homem.
  3. CÉ, portanto, um texto, embora de autenticidade duvidosa, ou ainda que autêntico, diria mesmo, precisamente se autêntico, capaz de merecer o respeito até dos adversários daquele a quem se atribui a autoria, mas nunca para ser afixado e, muito menos, obrigatoriamente, nas escolas públicas de uma cidade de qualquer país.
  4. DPorque: primeiro, o texto dessa carta faz o elogio do suicídio, o que não é, evidentemente, ensinamento a legar, ou a impor, ainda menos a impor, às crianças que frequentam as escolas públicas de uma cidade; segundo, é um texto de combate, de polêmica política, é um texto de violento revide, num momento de paixões desencadeadas dentro de uma situação histórica determinada.
  5. EÉ um texto, repito, cuja autenticidade está por ser demonstrada; mas, demonstrada que fosse ou venha a ser, não é, certamente, um texto para figurar nas paredes das escolas públicas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — É, portanto, um texto, embora de autenticidade duvidosa, ou ainda que autêntico, diria mesmo, precisamente se autêntico, capaz de merecer o respeito até dos adversários daquele a quem se atribui a autoria, mas nunca para ser afixado e, muito menos, obrigatoriamente, nas escolas públicas de uma cidade de qualquer país.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estruturação de Períodos – Discurso de Carlos Lacerda

Gabarito: letra C. O período da alternativa C apresenta um problema de estruturação devido a uma sequência confusa de concessões e interpolações que quebram a clareza e o paralelismo sintático. Enquanto as demais alternativas mantêm uma construção linear e compreensível, a opção C acumula ressalvas e termos que prejudicam a coesão, como se lê no trecho: "É, portanto, um texto, embora de autenticidade duvidosa, ou ainda que autêntico, diria mesmo, precisamente se autêntico, capaz de merecer o respeito...". A banca considerou que essa intercalação irregular compromete a estruturação.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O período é claro e bem estruturado: inicia com vocativo, apresenta o sujeito e suas predicações organizadas, sem quebras ou ambiguidades. Não há problema.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Embora use repetição anafórica ("é... é... é..."), trata-se de recurso estilístico válido, não de erro estrutural. O período é coeso e coerente.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O problema está na acumulação de expressões concessivas e na interpolação "diria mesmo, precisamente se autêntico", que interrompem o fluxo e dificultam a compreensão imediata. A estrutura "embora... ou ainda que... diria mesmo... precisamente se autêntico" falta paralelismo e clareza, configurando um defeito de estruturação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O uso de dois pontos após "Porque" é incomum, mas não chega a ser um problema estrutural grave; a enumeração com "primeiro" e "segundo" organiza bem a argumentação. O período é funcional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A construção "demonstrada que fosse ou venha a ser" é arcaica, porém compreensível e não apresenta falha estrutural significativa. O período mantém coesão.

Conclusão: A única alternativa que contém um problema real de estruturação é a C, devido à má organização das orações concessivas e interpolações. As demais são aceitáveis no discurso parlamentar.

Gabarito: letra C

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