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Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fg058683
Banca
FGV
Órgão
TCE-TO
Ano
2022
Nível
Superior
Texto 2

A nova era do divórcio (fragmento)

      “‘Novelas da Globo aumentam o número de divórcios no Brasil.’ Parece fake news de haters, mas não. Trata-se de um dado histórico. A conclusão é de um estudo de 2009, feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A pesquisa fez um cruzamento entre informações de censos das décadas de 1970, 1980 e 1990 e dados sobre a expansão do sinal da Globo no país. Segundo os autores do estudo, o número de mulheres que se separaram aumentou conforme a teledramaturgia da emissora foi chegando a mais cidades.
     ‘A exposição a estilos de vida modernos mostrados na TV, a funções desempenhadas por mulheres emancipadas e a uma crítica aos valores tradicionais mostrou estar associada aos aumentos nas frações de mulheres separadas e divorciadas nas áreas municipais brasileiras’, diz a pesquisa. [...]
     O que os estudiosos do BID não poderiam prever é o quanto os divórcios aumentariam no Brasil do século 21, por um motivo ainda mais insuspeito: a disseminação de um vírus.
     Segundo o Colégio Notarial do Brasil, que congrega os tabeliães de notas e protestos, no primeiro ano da pandemia, em 2020, houve um aumento de 15% no número de divórcios em comparação com o ano anterior. Em 2021, então, o número de casais que oficializaram a separação bateu recorde: 80.573 divórcios consensuais, o maior da série histórica, que é registrada desde 2007.
        [...]
     Sim, o início desnorteante da pandemia foi o gatilho para um boom de divórcios planeta afora. Motivos para a escalada nas tensões entre casais não faltaram, você sabe: o encarceramento no lar de ambos os cônjuges (condição que se estendeu indefinidamente para quem aderiu ao home office), perrengues financeiros, a necessidade de lidar com as crianças estudando em casa, distúrbios psicológicos (ansiedade, depressão, paranoia…).
        [...]
    A [empresa americana] Legal Templates mostrou que os casados há menos de cinco anos foram os que mais se separaram em 2020: 58%. Aliás, quanto menor o tempo de união oficial, maior o aumento no índice de cada um para o seu lado. Enquanto, em 2019, pré-Covid, apenas 11% dos que se separaram tinham menos de cinco meses sob o mesmo teto, em 2020 essa porcentagem quase dobrou: foi para 20%.
       Estudiosos que analisaram esses dados chegaram a uma conclusão que faz sentido: casais que haviam se unido havia pouco tempo são menos calejados para enfrentar o maremoto que atingiu a praia conjugal na onda do vírus. Os parceiros mais longevos já tinham passado por outras crises. Talvez ilesos, talvez feridos. E muitos aprenderam a sair delas juntos.
            [...]
        Nesta nova era do divórcio, vale um alerta: mesmo nas separações mais amigáveis – e até afetuosas –, romper um relacionamento de anos segue sendo tão difícil quanto sempre foi. Os primeiros tempos tendem a ser um período deprimente, de luto mesmo, acordos difíceis e de pisar em ovos. Se você se separou, vale a pena um esforço a mais para manter o bom convívio. Não apenas pelo bem dos filhos – se o casamento produziu crianças. É importante honrar uma história que, em boa parte do tempo, foi partilhada com a pessoa que um dia você amou como se fosse a única.” 

Disponível em: https://super.abril.com.br/comportamento/a-nova-era-do-divorcio.
Acesso em: 24/07/2022
O último parágrafo do texto 2 recorre a uma estratégia de construção textual bastante comum em parágrafos de conclusão de reportagens de divulgação científica.Essa estratégia consiste na adoção:
  1. Ado subjuntivo como modo verbal predominante, com o objetivo de relatar eventos hipotéticos;
  2. Bde conjunções causais, com o objetivo de estabelecer relações lógicas de causa e efeito;
  3. Cde substantivos ligados ao jargão acadêmico, com o objetivo de conferir credibilidade ao texto;
  4. Dde um registro fortemente irônico, com o objetivo de provocar surpresa no leitor;
  5. Eda injunção como tipo textual primário, com o objetivo de aconselhar o leitor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — da injunção como tipo textual primário, com o objetivo de aconselhar o leitor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estratégia textual no parágrafo de conclusão

Gabarito: letra E. O último parágrafo adota predominantemente a injunção (texto injuntivo) – recurso que orienta, aconselha o leitor –, como se vê nas passagens "vale um alerta", "vale a pena um esforço a mais" e "É importante honrar uma história". A intenção é aconselhar, e não relatar hipóteses (A), estabelecer causas (B), usar jargão (C) ou ironizar (D).

"Nesta nova era do divórcio, vale um alerta: ... vale a pena um esforço a mais para manter o bom convívio. ... É importante honrar uma história..."

Alternativa A — ❌ Incorreta

O subjuntivo não predomina; a maior parte dos verbos está no indicativo ("segue", "tendem", "vale", "é"). Há apenas uma ocorrência de subjuntivo em "fosse", que não é suficiente para caracterizar o parágrafo como hipotético. A banca tenta confundir com o modo verbal, mas a estratégia central é injuntiva, não subjuntiva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Conjunções causais (porque, pois, já que) não são o recurso principal. Há uma conjunção condicional "se" e uma explicativa "que", mas não há ênfase em relação de causa e efeito. O objetivo é aconselhar, não demonstrar causalidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O parágrafo utiliza linguagem simples e acessível, sem jargão acadêmico. Termos como "período deprimente", "luto", "acordos" são do cotidiano. A credibilidade não vem de jargão, mas da autoridade do texto jornalístico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tom é sério e afetuoso, não irônico. O autor faz um alerta e sugere comportamentos com empatia. Não há traços de ironia (como sarcasmo ou contradição aparente).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto injuntivo tem por finalidade orientar, instruir ou aconselhar. O último parágrafo é um conselho direto ao leitor: "vale a pena um esforço a mais", "É importante honrar". A função predominante é a injunção, típica de parágrafos conclusivos em reportagens que visam deixar uma mensagem prática.

NÃO CAIA NESSA!

Generalização indevida – o candidato pode se deixar levar por detalhes periféricos (subjuntivo, causais, jargão, ironia) e não perceber a função global do parágrafo.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a estratégia de um parágrafo, pergunte: qual é a intenção do autor? Se for orientar o leitor, é injunção.

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