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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg059892
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Cardiologista
Assinale a opção que está mais frequentemente associada à endocardite marântica (endocardite trombótica não-bacteriana).
  1. AAmiloidose.
  2. BAdenocarcinoma de pulmão avançado.
  3. CSarcoidose.
  4. DDoença de Chagas.
  5. EHipertireoidismo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Adenocarcinoma de pulmão avançado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Endocardite marântica (endocardite trombótica não bacteriana)

Gabarito: letra B. A endocardite marântica, também chamada de endocardite trombótica não bacteriana (ETNB), é uma condição caracterizada pela deposição de trombos estéreis (sem bactérias) sobre as valvas cardíacas, e está mais frequentemente associada a estados de hipercoagulabilidade, especialmente neoplasias malignas avançadas, como o adenocarcinoma de pulmão. A associação clássica é com tumores sólidos mucinosos (pâncreas, pulmão, estômago) e, por isso, a alternativa B é a correta.

A endocardite marântica (do grego marantikos, que significa "definhamento") é uma forma de endocardite não infecciosa. Diferentemente da endocardite infecciosa, não há invasão bacteriana ou fúngica das valvas. O que ocorre é a formação de vegetações estéreis, compostas por fibrina e plaquetas, que se depositam nas bordas de coaptação das valvas, mais comumente nas valvas mitral e aórtica. Essas vegetações são geralmente pequenas, sésseis e não destroem a estrutura valvar, mas podem se desprender e causar embolias sistêmicas, especialmente para o cérebro, rins e baço.

A fisiopatologia envolve um estado de hipercoagulabilidade que leva à ativação plaquetária e à deposição de fibrina. As condições mais frequentemente associadas são:

  • Neoplasias malignas (especialmente adenocarcinomas de pâncreas, pulmão, estômago e ovário) — a associação mais clássica e mais cobrada em provas.

  • Doenças crônicas debilitantes (como lúpus eritematoso sistêmico, síndrome do anticorpo antifosfolípide, tuberculose, uremia).

  • Estados de hipercoagulabilidade (como queimaduras extensas, sepse, choque).

A banca explora justamente a associação com neoplasia avançada, que é o cenário clássico. O adenocarcinoma de pulmão avançado é um exemplo típico de tumor sólido que cursa com estado de hipercoagulabilidade e pode levar à endocardite marântica.

Vamos analisar cada alternativa:

Endocardite marântica (ETNB)
  • 1Características
    • Vegetações estéreis (fibrina + plaquetas)
    • Sem invasão bacteriana
    • Valvas mitral e aórtica
    • Risco de embolia sistêmica
  • 2Fisiopatologia
    • Hipercoagulabilidade
    • Ativação plaquetária
    • Deposição de fibrina
  • 3Causas associadas
    • Neoplasias malignas
      • adenocarcinoma de pulmão, pâncreas, estômago
    • Doenças crônicas debilitantes (LES, SAF, uremia)
    • Estados de hipercoagulabilidade (queimaduras, sepse)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A amiloidose é uma doença de depósito de proteínas amiloides em diversos tecidos, incluindo o coração, onde pode causar miocardiopatia restritiva. Não há associação clássica entre amiloidose e endocardite marântica. A amiloidose cardíaca cursa com espessamento das paredes ventriculares e disfunção diastólica, mas não com vegetações valvares estéreis.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O adenocarcinoma de pulmão avançado é uma neoplasia maligna que se associa fortemente a estados de hipercoagulabilidade, sendo uma das causas mais frequentes de endocardite marântica. A literatura médica clássica cita os adenocarcinomas (pulmão, pâncreas, estômago) como os tumores mais comumente associados a essa condição. A explicação fisiopatológica envolve a ativação da coagulação pelo tumor, levando à formação de trombos estéreis nas valvas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sarcoidose é uma doença granulomatosa multissistêmica que pode acometer o coração, causando miocardiopatia restritiva, arritmias e distúrbios de condução. Não há associação clássica com endocardite marântica. A sarcoidose cardíaca se manifesta por infiltração granulomatosa, não por vegetações valvares.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A doença de Chagas é uma infecção parasitária causada pelo Trypanosoma cruzi, que pode levar à miocardiopatia chagásica crônica, com aneurismas apicais, arritmias e insuficiência cardíaca. Não está associada à endocardite marântica. A cardiopatia chagásica é uma miocardiopatia dilatada, não uma doença valvar com vegetações.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O hipertireoidismo é uma condição endócrina que pode causar taquicardia, fibrilação atrial e insuficiência cardíaca de alto débito, mas não é uma causa reconhecida de endocardite marântica. A associação clássica é com neoplasias e estados de hipercoagulabilidade, não com distúrbios tireoidianos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre endocardite marântica (não bacteriana, associada a câncer) e endocardite infecciosa (bacteriana, associada a febre reumática, uso de drogas IV, próteses valvares). O candidato que não conhece a ETNB pode ser tentado a escolher uma doença cardíaca mais comum, como a doença de Chagas, mas a chave é lembrar da associação com neoplasia avançada.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar as causas de endocardite marântica, lembre-se do mnemônico "CÂNCER": Câncer (adenocarcinoma de pulmão, pâncreas, estômago), Autoimune (lúpus, SAF), Nefropatia/uremia, Caquexia, Estados de hipercoagulabilidade, Radiação. Na dúvida, a alternativa que menciona neoplasia avançada é quase sempre a correta.

Gabarito: letra B

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