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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg059895
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Cardiologista
As opções a seguir apresentam condições potencialmente associadas à dissecção espontânea de coronárias, à exceção de uma. Assinale-a.
  1. APeríodo pós-parto.
  2. BDisplasia fibromuscular.
  3. CAnticoncepcionais orais.
  4. DSíndrome de Marfan.
  5. ESexo masculino.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Sexo masculino.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dissecção espontânea de artéria coronária (SCAD): fatores associados

Gabarito: letra E. A dissecção espontânea de artéria coronária (SCAD) acomete predominantemente mulheres jovens, sendo o sexo masculino um fator de risco menos associado — a alternativa E é a exceção pedida. As demais opções (pós-parto, displasia fibromuscular, anticoncepcionais orais e síndrome de Marfan) são condições reconhecidamente associadas à SCAD.

A dissecção espontânea de artéria coronária (SCAD) é uma causa rara, porém importante, de síndrome coronariana aguda, especialmente em mulheres jovens sem fatores de risco cardiovascular clássicos. Diferentemente da dissecção aterosclerótica, a SCAD ocorre por um hematoma intramural ou rasgo na íntima, sem relação com placa aterosclerótica. O perfil típico é a mulher na faixa dos 40-50 anos, frequentemente sem doença coronariana obstrutiva prévia.

Os fatores associados à SCAD podem ser divididos em três grandes grupos: (1) hormonais e reprodutivos — o período pós-parto (especialmente as primeiras semanas) e o uso de anticoncepcionais orais, ambos ligados a alterações hormonais que fragilizam a parede arterial; (2) doenças do tecido conjuntivo e vasculares — a displasia fibromuscular (presente em até 70-80% dos casos de SCAD) e a síndrome de Marfan, que comprometem a integridade da parede arterial; e (3) fatores de estresse — exercício físico intenso, estresse emocional e uso de drogas simpatomiméticas (como cocaína).

A displasia fibromuscular é a associação mais forte e mais estudada: é uma doença não aterosclerótica que causa estenose, oclusão ou aneurisma em artérias de médio calibre, e sua presença em pacientes com SCAD é tão alta que muitos autores recomendam rastreio sistemático. A síndrome de Marfan, por sua vez, é uma doença hereditária do tecido conjuntivo que fragiliza a parede arterial, predispondo a dissecções — não só da aorta, mas também de coronárias. O período pós-parto é um momento de grande vulnerabilidade, provavelmente por alterações hormonais e hemodinâmicas; a SCAD é uma causa importante de infarto em mulheres no puerpério. Os anticoncepcionais orais aumentam o risco de eventos trombóticos e também têm sido associados à SCAD, embora com mecanismo menos claro.

O sexo masculino, ao contrário, é um fator de menor risco: a SCAD é muito mais comum em mulheres, chegando a representar até 35% dos casos de infarto em mulheres com menos de 50 anos, enquanto nos homens a incidência é bem menor. A banca explora exatamente essa inversão: o candidato pode pensar que, por ser um fator de risco clássico para doença coronariana aterosclerótica, o sexo masculino também seria para a SCAD — mas a fisiopatologia é diferente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o perfil epidemiológico da SCAD pelo da doença coronariana aterosclerótica clássica. Na DAC aterosclerótica, o sexo masculino é fator de risco; na SCAD, a mulher jovem é o perfil típico. Guarde: SCAD = mulher, pós-parto, displasia fibromuscular.

1Hormonais/reprodutivos
Pós-parto
Anticoncepcionais orais
2Doenças do tecido conjuntivo/vasculares
Displasia fibromuscular
Síndrome de Marfan
3Estresse
Exercício físico intenso
Estresse emocional
Drogas simpatomiméticas
4Perfil típico
Mulher jovem (40-50 anos)
Sexo masculino (menor risco)
Fatores associados à SCAD
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Fatores associados à SCAD: Hormonais/reprodutivos (Pós-parto, Anticoncepcionais orais); Doenças do tecido conjuntivo/vasculares (Displasia fibromuscular, Síndrome de Marfan); Estresse (Exercício físico intenso, Estresse emocional, Drogas simpatomiméticas); Perfil típico (Mulher jovem (40-50 anos), Sexo masculino (menor risco))

Alternativa A — ✅ Correta

O período pós-parto é um dos momentos de maior risco para SCAD, especialmente nas primeiras semanas após o parto. As alterações hormonais (queda abrupta de estrogênio e progesterona) e o estresse hemodinâmico do parto fragilizam a parede arterial. É uma causa importante de infarto em mulheres jovens no puerpério.

Alternativa B — ✅ Correta

A displasia fibromuscular é a associação mais forte e mais prevalente com a SCAD — presente em até 70-80% dos casos. É uma doença não aterosclerótica que afeta a parede arterial, e sua presença deve ser rastreada em todo paciente com SCAD.

Alternativa C — ✅ Correta

Os anticoncepcionais orais, especialmente os de alta dose de estrogênio, aumentam o risco de eventos trombóticos e também têm sido associados à SCAD. O mecanismo envolve alterações hormonais que afetam a parede vascular.

Alternativa D — ✅ Correta

A síndrome de Marfan é uma doença hereditária do tecido conjuntivo que fragiliza a parede arterial, predispondo a dissecções — não só da aorta, mas também de coronárias. Pacientes com Marfan têm risco aumentado de SCAD.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

O sexo masculino é a exceção. A SCAD acomete predominantemente mulheres jovens (até 35% dos infartos em mulheres <50 anos), sendo rara em homens. A banca inverte o perfil epidemiológico: enquanto na DAC aterosclerótica o homem é o mais acometido, na SCAD a mulher é o alvo principal.

Gabarito: letra E — a única opção que NÃO é condição associada à dissecção espontânea de coronárias.

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